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Brasileiros são os que menos confiam em democracia na América Latina, diz pesquisa

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Pesquisa não aborda popularidade de Temer ou destituição de Dilma

Pesquisa não aborda popularidade de Temer ou destituição de Dilma
Reuters

Uma pesquisa realizada em dezoito países da América Latina revelou que os brasileiros são os mais insatisfeitos com a democracia. Somente 13% dos brasileiros responderam estar "muito satisfeitos" e "satisfeitos" com ela, segundo o levantamento da Latinobarómetro.

De acordo com a pesquisa, apresentada nesta sexta-feira em Buenos Aires, o índice de satisfação dos brasileiros ficou abaixo da média da região, que é de 30%. Os cinco primeiros mais satisfeitos com a democracia em seus países são Uruguai (57%), Nicarágua (52%), Equador (51%), Costa Rica (45%) e Argentina (38%).

Foram ouvidas 20,2 mil pessoas na região, entre junho e agosto deste ano. O levantamento é anual e vem sendo realizado desde 1995.

Em entrevista à BBC Brasil, a socióloga chilena Marta Lagos, diretora da ONG Latinobarómetro, disse que o mal-estar dos brasileiros com a democracia é antigo. "O Brasil sempre foi meio desconfiado, mas a avaliação está especialmente pior agora", disse Lagos, que arrisca algumas explicações para o fenômeno.

Para ela, além de o brasileiro não ver melhora em sua vida, o país sofre de um "problema grave de liderança política". A pesquisadora ressalva, porém, que a pesquisa não aborda temas específicos como a impopularidade do presidente Michel Temer ou a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff.

Mas quando a questão é a aprovação do governo em vigor, o Brasil voltou a ficar em último lugar, com apenas 6% respondendo que o "aprovam". Neste item, a média na região foi de 36%, com a Nicarágua (67%), o Equador (66%) e a Bolívia (57%) figurando entre os três primeiros colocados.

O Brasil volta a ser lanterninha no ranking quando o tema abordado é a confiança entre as pessoas. Após ouvir a pergunta "É possível confiar na maioria das pessoas?", apenas 7% dos brasileiros disseram que sim. Entre os que menos confiam, logo acima do Brasil, estão Paraguai (8%) e Venezuela (9%). Chile e Equador, com 23% cada, registraram o maior percentual de confiança.

Para Lagos, o alto índice de desconfiança dos brasileiros tem motivos. "Esta desconfiança entre as pessoas é resultado dos casos de corrupção. A corrupção é o tema principal em um pacote que envolve a situação social, a relação entre as pessoas e a desconfiança com a classe política como um todo", especula.

Confiança no Congresso

A pesquisa mostrou também que somente 11% das pessoas no país confiam "muito" ou "razoavelmente" no Congresso Nacional. Neste ranking, o Brasil ficou em penúltimo lugar – a lanterna ficou com o Paraguai, com 10%. A Venezuela (37%), o Uruguai (34%) e a Bolívia (32%) estão entre os que mais confiam em seus parlamentos.

No histórico da pesquisa, feita em pouco mais de vinte anos, a confiança do brasileiro em relação à democracia foi maior em 2010, com 54%. Naquele ano, 80% das pessoas no país diziam ver na democracia o melhor sistema – o índice agora é de 62%.

Naquele ano, o Brasil não tinha os problemas econômicos de agora, mas para Lagos a visão sobre a democracia não é influenciada pelo comportamento da economia. "Existe uma insatisfação do brasileiro com a classe política como um todo. A percepção é a de que o governo trabalha para poucos e privilegiados e que não está preocupado com os demais", disse.

Brasil tem o passaporte 'mais poderoso' da América Latina

Quando perguntados sobre "qual é na sua visão o principal problema do país, se a corrupção, a situação política ou a educação", 31% dos brasileiros responderam "corrupção". Na média, a corrupção preocupa apenas 10% na região.

A pesquisa mostrou ainda que 44% dos brasileiros disseram ter sido vitimas de algum delito (assaltado/agredido ou outro). No México, este índice foi de 58% e na Venezuela de 50%. A média na região foi de 37%.

O país ficou próximo da média, de 37%, quando o assunto é as perspectivas sobre a economia – 44% dos brasileiros (mesmo índice que os argentinos) responderam que ficará melhor. Mas quando o assunto é o medo do desemprego, o Brasil lidera: 61% disseram estar "muito preocupados" e "preocupados" em ficar sem emprego nos próximos doze meses.

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