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Talibã proíbe mulheres de viajar sem acompanhante homem


Ele deve ser da família. Medida é novo sinal do endurecimento do regime Talibã, apesar de suas promessas iniciais de garantir os direitos da mulheres. Uma mulher vestindo um nicabe entra em um salão de beleza onde os anúncios contendo mulheres foram desfigurados por um lojista em Cabul, no Afeganistão, em outubro deste ano
Jorge Silva/Reuters
O regime Talibã anunciou neste domingo (26) que as mulheres que desejam viajar longas distâncias devem estar acompanhadas por um homem de sua família imediata, um novo sinal do endurecimento do regime, apesar de suas promessas iniciais.
A recomendação, divulgada pelo ministério da Promoção da Virtude e Prevenção do Vício do Afeganistão, e que circula nas redes sociais, também pede aos motoristas que aceitem mulheres em seus veículos apenas se elas usarem o “véu islâmico”.
“As mulheres que viajam mais de 45 milhas (72 km) não podem fazer a viagem se não estiverem acompanhadas por um parente próximo”, declarou à AFP o porta-voz do ministério, Sadeq Akif Muhajir, acrescentando que o acompanhante deve ser um homem.
Mulher usando burca passa em frente a vitrine com imagens de modelos pintadas de branco, em Cabul, no Afeganistão, em 6 de outubro
Reuters/Jorge Silva
A diretriz foi divulgada poucas semanas depois de o ministério solicitar aos canais de televisão do país que não exibam “novelas com mulheres”, além de exigir que as jornalistas usem o “véu islâmico” diante das câmeras.
O Talibã não explicou o que considera “véu islâmico”, se apenas um lenço na cabeça ou se deve cobrir o rosto.
Desde sua chegada ao poder em agosto, os talibãs adotaram várias restrições às mulheres e meninas, apesar das promessas inicias de que o regime seria menos rígido que o anterior (1996-2001).
Em várias províncias, as autoridades locais aceitaram abrir as escolas para as meninas, embora muitas delas ainda não possam frequentar as aulas.
9 de outubro – Um combatente do Talibã posa para foto em um parque de diversões nos arredores de Cabul, no Afeganistão. Mostashhed, da provícincia Wardak, aproveitava seu dia de folga enquanto visitava Cabul pela primeira vez
Jorge Silva/Reuters/Arquivo
No início de dezembro, um decreto em nome do líder supremo do movimento Talibã pediu ao governo para cumprir os direitos das mulheres, mas este documento não menciona o direito à educação.
Os ativistas dos direitos humanos esperam que os esforços do Talibã para obter o reconhecimento da comunidade internacional e recuperar a ajuda tão necessária para o país, um dos mais pobres do mundo, resulte em concessões do movimento.
Durante seu primeiro governo, os talibãs obrigaram as mulheres a usar a burca. Elas só tinham permissão para sair de casa acompanhadas por um homem e eram impedidas de trabalhar ou estudar.
Saiba a diferença entre o Estado Islâmico e o Talibã

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