Litoral

Mulher que testou positivo para Covid em cruzeiro diz que passageiros foram tratados como bandidos: ‘enclausurados nas cabines’


Navio Costa Diadema atracou na manhã de segunda-feira (27) no Porto de Santos (SP) com casos positivos da doença. Segundo a Anvisa, 13 casos foram confirmados. Priscila teve que usar roupa especial no desembarque do navio Costa Diadema, após testar positivo para Covid-19
Arquivo Pessoal
A empresária Priscila Bacaro Berculi, de 47 anos, está entre os passageiros que testaram positivo para a Covid-19 em cruzeiro do navio Costa Diadema, que atracou na manhã de segunda-feira (27) no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Ao g1, a empresária disse que ela e a família foram “tratados como bandidos”, após a confirmação da doença. “A impressão que deu é que jogaram a gente em uma prisão, que nós éramos bandidos, e isso só foi piorando com o passar das horas. Ficamos 24 horas enclausurados nas cabines”.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma nota confirmando 13 casos positivos para Covid-19 no Costa Diadema, sendo dez cruzeiristas e três tripulantes. A Costa Cruzeiros informou que os pacientes que testaram positivo foram imediatamente isolados, assim como os contatos próximos (veja as notas na íntegra abaixo).
“Acho que quem entrou no navio sabia que isso poderia acontecer, porque a gente desceu em Salvador, em Ilhéus. [Mas] o que mais me deixou angustiada não foi o positivo, foi a maneira como eles nos trataram dali para a frente, a falta de informação e a desorganização deles”, disse a empresária.
Priscila e Eliseu no navio Costa Diadema durante Cruzeiro
Arquivo Pessoal
Ainda de acordo com Priscila, a família foi abandonada no isolamento. “A gente que tinha que buscar uma posição, eles não eram capazes [de informar]. O que eu fiquei muito sentida foi que nem a área de saúde do navio e nem o comandante foram capazes de ligar nas cabines que tinham positivado para perguntar como é que estávamos. Nós tínhamos que correr atrás para avisar que estávamos com fome ou com dor”.
O marido dela, o empresário Eliseu Machado dos Santos, de 47 anos, disse que a forma como foram tratados “não tem cabimento”. “Desnecessário tudo isso. Colocaram um macacão na galera que deu positivo, ridículo, mas tudo bem. Se é procedimento, tudo bem, a gente aceita, e vamos respeitar, até por causa do próximo. Chegamos lá fora e o cara que nos encaminhou sumiu. A gente ficou sem saber [o que fazer]. Aí, começaram a falar os nomes, colocaram-nos em carros locados, a gente não sabia se embarcava, e ficamos ali, feito idiotas e largados”.
Priscila é uma das passageiras que testaram positivo para Covid-19 durante cruzeiro; família ficou em cabine isolada
Arquivo Pessoal
Após entrar no veículo, a família foi encaminhada ao estacionamento onde havia deixado o carro, e já retornou para Joinville (SC), onde novos exames de Covid-19 serão realizados. “O pessoal do Costa jogou nós para fora do navio, não falaram procedimento, estava todo mundo desesperado, apavorado, não apareceu ninguém da Anvisa. Simplesmente nos levaram para o estacionamento, não apareceu ninguém, achei que a gente ia passar por ali pela Anvisa do Porto, íamos ser direcionados a fazer novos exames, [mas não]”.
“E se a gente estiver com a ômicron? Como é que faz? Pegamos no navio. Mostramos todos os comprovantes de vacina, segunda dose com no mínimo 15 dias já aplicada, tudo ok, exame 24 horas antes de embarcar no navio, fizemos todo o protocolo correto. Uma falta de consideração com o próximo, paguei para ir com a minha família, não foi de graça, não foi barato. Eu fico muito chateado e triste, isso era para a minha família chegar e contar as histórias do que aconteceu, e não temos nenhuma boa, temos umas amizades que foram feitas dentro do navio, que são as únicas coisas boas”, afirma o empresário.
“Imagina como fica o psicológico da gente. Abalado, né? A gente começa a falar e fica nervoso, triste e chateado. Estamos nos sentindo maltratados. Infelizmente, a pandemia está aí, acontece tudo isso, mas eles não deram a atenção devida, nos jogaram para fora do navio como se fôssemos bandidos, leprosos, negócio esquisito, muito estranho. Bem provável que a gente vá tomar alguma atitude, sim. Quero esclarecer que, se a gente tivesse que ficar sete dias, 14 dias na quarentena, tranquilo, a gente sabe do risco que estava correndo na viagem, a gente sabe do fator de novas variantes, inclusive da gripe nova que está com surto. Não somos contra regra e protocolo, temos que cuidar de um todo, não só de quem estava no navio como aqui fora. Simplesmente eles livraram o deles, seguraram nós até o último horário para todo mundo embarcar”, finaliza.
Família saiu de Joinville (SC) para cruzeiro no Costa Diadema
Arquivo Pessoal
Posicionamentos
Questionada sobre as reclamações da família, a Costa informou que segue os protocolos de saúde e segurança estabelecidos pelas autoridades brasileiras e a Anvisa. Ao receber a confirmação de hóspede com teste positivo para a Covid-19, realiza os procedimentos de segurança definidos.
Para hóspedes assintomáticos, eles e seus contatos próximos são realocados para cabines específicas para esta situação, visando a sua proteção e de todos a bordo. Nas cabines, os viajantes recebem os cuidados e o atendimento necessário, além de alimentação completa e adequada até o momento do desembarque. Assim que autorizado o desembarque por parte das autoridades sanitárias, os hóspedes seguem para suas cidades de origem em transporte seguro e privado.
Em nota, a Anvisa disse que casos suspeitos e positivados detectados durante a viagem, ou seja, em alto mar, devem ser necessariamente isolados dos demais passageiros enquanto durar a viagem. Cabe à operadora do cruzeiro (e não à Anvisa) prestar a assistência necessária ao viajante durante o período de isolamento a bordo.
A Anvisa disse que diariamente demanda das operadoras dos cruzeiros informações sobre a situação da saúde a bordo. Essas informações orientam a tomada de decisão e o acionamento de planos de contingência, quando necessário.
Ainda segundo a Anvisa, por ocasião do desembarque, viajantes positivados e seus contactantes assinam termo no qual se comprometem a dar continuidade ao isolamento pelo período necessário.
As secretarias de saúde das cidades de destino são alertadas sobre os casos para que possam monitorar o isolamento. Não é autorizado o deslocamento por meio de transporte público, mas apenas por meio de transporte individualizado, a cargo das operadoras dos cruzeiros ou em carro próprio do viajante.
Confirmação de casos
Em nota, a Costa informou que, seguindo e respeitando os protocolos de saúde e segurança estabelecidos pela companhia juntamente com as autoridades brasileiras e Anvisa, realiza a testagem diária de 10% dos hóspedes que embarcam nos cruzeiros. Dentro do procedimento de segurança, alguns hóspedes testaram positivo para a Covid-19 no Costa Diadema, e foram imediatamente isolados, assim como contatos próximos.
Os hóspedes estavam assintomáticos e já desembarcaram em segurança nesta segunda-feira, conforme programado. Ainda de acordo com a Costa, o navio obteve permissão para seguir as operações, finalizou o desembarque de todos os passageiros e deu início ao embarque para o próximo cruzeiro, após completa higienização e desinfecção, e que 100% da tripulação foi testada.
Também em nota, a Anvisa informou que o cruzeiro transportava 1.650 cruzeiristas e 1.310 tripulantes. Foram detectados a bordo, durante a viagem, 13 casos positivos para a Covid-19, sendo dez cruzeiristas e três tripulantes.
De acordo com a Anvisa, conforme previsto em protocolo, as pessoas com resultado positivo foram mantidas em isolamento até o momento do desembarque, nesta segunda-feira. Após o desembarque, os casos positivos passam a ter seu isolamento monitorado pelo sistema de vigilância em saúde local (rede Cievs).
Segundo a agência reguladora, os três tripulantes positivados seguem em isolamento em hotel. Com o término do cruzeiro nesta segunda, foi determinada a realização de desinfecção na embarcação, para que se avalie a possibilidade da embarcação seguir viagem.
Navio Costa Diadema, no Porto de Santos, no litoral de São Paulo
Alexsander Ferraz/Jornal A Tribuna
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