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Para ficar de olho em 2022: quais crises geopolíticas podem se agravar?


Há tensões entre a Rússia e a Ucrânia, entre a China e Taiwan e conflitos internos na Etiópia, na Venezuela, no Afeganistão e em outros países. Saiba quais podem ser as crises do próximo ano. Rússia volta a acusar a OTAN e anuncia reunião com os EUA pra discutir a crise na Ucrânia
Haverá manifestações livres em Cuba? O Irã e os países do antigo acordo nuclear vão voltar a um entendimento? A Rússia vai invadir a Ucrânia?
Eventualmente há um fato inesperado em geopolítica –o Talibã retomou o controle do Afeganistão, por exemplo–, mas há conflitos internacionais que têm um longo desenvolvimento até que haja uma grande crise. Veja abaixo quais podem ser alguns desses casos em 2022.
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Alguns desses conflitos são possíveis desdobramentos de disputas antigas que nunca se resolveram e que podem ter sua conclusão no ano que se inicia em alguns dias.
A Rússia vai invadir a Ucrânia?
Representantes da Rússia terão encontros com diferentes organizações internacionais, como a Otan, para falar sobre a Ucrânia nos primeiros dias de 2022. Americanos e europeus acusam o governo russo de preparar uma ofensiva militar na Ucrânia. Entenda:
No fim de 2021, a Rússia reforçou a quantidade de soldados na região próxima da fronteira com a Ucrânia.
O governo da Ucrânia está preparando seus reservistas para um conflito.
A disputa já se arrasta há alguns anos: em 2014, a Rússia tomou uma parte do território da Ucrânia, a península da Crimeia. Naquele ano, também começou uma guerra separatista em uma outra região ucraniana, o Donbass. Os confrontos já deixaram mais de 13 mil mortos.
Imagem de 2015 mostra tanque de forças separatistas pró-Rússia na Ucrânia
Maxim Shemetov/Reuters
A guerra civil na Etiópia vai se alastrar?
A Etiópia, a segunda nação mais populosa da África, vive uma guerra civil, e o conflito pode piorar a situação não só do próprio país, mas, também, de uma região importante para o comércio global: o Chifre da África.
A luta é travada entre o governo do país e a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF). No fim de dezembro, os rebeldes do Tigré foram encurralados no extremo mais ao norte da Etiópia.
As forças do governo, inicialmente, perderam muito território, mas depois acumularam vitórias militares consecutivas. As perspectivas de paz permanecem, contudo, incertas.
Tanque danificado durante confrontos na Etiópia. Foto de 1º de julho de 2021.
Reuters
A China vai agir em relação a Taiwan?
Não é novidade que a China considera que Taiwan é parte de seu território desde 1945, mas nos dois últimos anos os chineses aumentaram a pressão militar e diplomática para afirmar que têm soberania da ilha, o que causa revolta em Taiwan e uma preocupação nos EUA.
A China continental nunca considerou que Taiwan fosse um país autônomo, mas os dois já tiveram uma relação mais harmônica, especialmente entre o fim dos anos 1990 e 2016.
Forças Armadas do Japão e dos EUA elaboraram o esboço de um plano para uma operação conjunta no caso de uma possível emergência em Taiwan, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo.
Ministério das relações exteriores da China pediu aos Estados Unidos que cessassem todos os laços militares com Taiwan
O Irã vai voltar ao acordo nuclear de 2015?
Em 2015, o Irã chegou a um acordo com um grupo de nações pelo qual as sanções ao país seriam aliviadas e, em troca, os iranianos iriam interromper seu programa de desenvolvimento nuclear. Porém, quando Donald Trump foi eleito, ele retirou os EUA desse acordo e, desde então, o Irã tem enriquecido urânio a taxas mais elevadas do que havia sido pactuado.
Em 2021, houve oito rodadas de negociações para voltar ao acordo.
Acabar com as sanções americanas é a prioridade para o Irã. O país quer vender petróleo facilmente, sem limites, e que a receita com a venda chegue às contas bancárias em moeda estrangeira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, mostra sua assinatura oficializando a retirada do país do acordo nuclear com o Irã, retomando as sanções contra o país. Trata-se de uma das mais contundentes decisões de política externa do americano
Jonathan Ernst/Reuters
O que vai acontecer no Afeganistão?
Uma das surpresas de 2022 foi a velocidade com a qual o Talibã retomou o poder no Afeganistão. Os afegãos ainda têm dificuldade de entender o que aconteceu, e o que será do futuro. Oficialmente, o Talibã afirma que pretende fazer uma gestão diferente daquela entre os anos de 1996 e 2001.
O Talibã precisa montar uma estrutura funcional, conseguir criar órgãos administrativos e de fato governar o país, algo muito diferente de ser uma força insurgente. Desde a retomada do poder, há funcionários públicos que não recebem salários.
A população enfrenta riscos de um país pobre em colapso: falta de comida e emprego. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU afirmou que que quase 22,8 milhões de pessoas, ou 55% da população, enfrentarão uma “crise de emergência” alimentar no inverno.
Para os Estados Unidos e seus aliados, as condições podem se deteriorar a ponto de forçar milhares afegãos a buscar refúgio no exterior, e grupos terroristas como a Al-Qaeda podem voltar a se instalar no país.
Integrantes do Talibã participam de desfile militar em Cabul
Reuters/Ali Khara
Governo e oposição na Venezuela vão chegar a um acordo?
Desde o início de 2019 a oposição da Venezuela afirma que é o governo legítimo e que o presidente do país é Juan Guaidó, pois a votação de 2018, na qual Nicolás Maduro foi reeleito para um mandato de seis anos, teria sido fraudulenta. Os EUA e outros países não reconhecem Nicolás Maduro como o presidente, mas, sim, Guaidó. No entanto, na prática Guaidó não tem o controle do país.
Houve tentativas, da Noruega, para intermediar acordos entre o governo de fato e a oposição para que as partes cheguem a um acordo sobre eleições.
Dentro da oposição tem havido dissidências –o ministro de Relações Exteriores do grupo de Guaidó recentemente apresentou sua renúncia e fez críticas ao seu próprio grupo.
O Tribunal Penal Internacional investiga a Venezuela por possíveis crimes contra a humanidade pela repressão a manifestações em 2017, quando pelo menos 125 pessoas morreram.
Haverá protestos em Cuba?
No meio de 2021 houve algo muito raro em Cuba: manifestações de rua contra o regime do Partido Comunista da ilha. Houve uma segunda tentativa de fazer protestos que não progrediu. De acordo com opositores, quase 700 pessoas ainda estão presas pelos protestos que ocorreram em julho.
O governo cubano afirma que as manifestações foram orquestradas a partir dos Estados Unidos e não comunicou nenhuma sentença, nem divulgou informações sobre os julgamentos.
Cuba tenta implementar uma reforma monetária para aumentar os salários, mas isso tem causado inflação –foi de 70% em 2021

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