Litoral

Cadeirantes do litoral de SP viajam o país levando cultura e inclusão por meio da música


Músicos de Santos, no litoral de São Paulo, seguem na estrada há 15 anos. Com a música, eles tentam quebrar a visão capacitista da sociedade. Rodrigo Bertoni e Danilo Oliva levam mensagem de inclusão por meio da música
Arquivo Pessoal
A música é o que movimenta a vida dos cadeirantes Danilo Oliva e Rodrigo Bertoni, que buscam levar, por meio dela, uma mensagem de inclusão social. Há 15 anos eles tocam nas noites da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, e demais regiões do Brasil, quebrando o preconceito e servindo de inspiração para o público.
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Os dois amigos são moradores de Santos, e tiveram a ideia de montar a dupla 2RD enquanto viajavam para jogar no basquete sobre rodas. Segundo Danilo, eles passavam muito tempo em deslocamento, e não tinham o que fazer. O companheiro de música sempre levava um violão, e ele acompanhava na voz. Com o tempo, ele passou a levar um bongo para fazer a percussão.
“Aí, a gente pensou: ‘por que não levar isso para a noite mesmo?’. Eu já tocava na noite com um cara. Faltava só uma oportunidade para a gente poder levar isso adiante. Em um belo dia, me chamaram para tocar, e eu liguei para o Guido. Falei: ‘vamos, lá vamos botar a cara para bater’. E aí, não paramos mais”, explica Dan.
Desde 2006, os dois passaram por vários lugares do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e até mesmo algumas cidades de Minas Gerais. Além de covers, os dois também apresentam músicas que retratam a realidade deles, e que trazem reflexões sobre a acessibilidade e inclusão. As composições, conforme explica Dan, são de amigos deles, que se inspiraram no dia-a-dia da dupla.
“A parte da inclusão veio muito forte para a gente, quando percebemos que, nos bares onde a gente ia tocar, não tinha acessibilidade. Diante disso, os donos começaram a olhar para a gente com outros olhos. Como assim, eles têm músicos cadeirantes que não conseguem ir ao banheiro ou entrar no estabelecimento? Eles começaram a mudar esse cenário”, explica.
Dupla 2RD leva mensagem de inclusão e acessibilidade
Arquivo Pessoal
Segundo Dan, ao subirem no palco, eles ainda se deparam com olhares de estranheza e desconfiança, mesmo depois de 15 anos na estrada. Com a música, os dois tentam mudar esse cenário capacitista de que deficientes físicos não podem tocar na noite. “Às vezes, eu me coloco no lugar da pessoa, eu ficaria meio desconfiado. A gente tenta quebrar isso”, afirma.
Influência
Os dois destacam que, em alguns lugares, após a organização do espaço perceber que eles tinham dificuldades sem uma rampa de acesso ou um banheiro adaptado, houve adequações. Para eles, o trabalho já se mostra efetivo nessas ações, pois, além de melhorarem o ambiente para a dupla, os ajustes servirão para mais deficientes físicos.
“Não é só para a gente, é para qualquer pessoa. O que a gente está colocando é a nossa vivência, a nossa necessidade, para que outras pessoas que cheguem depois possam ter acesso, também. Isso é importante. A gente consegue dar o exemplo de que dá para chegar, dá para ir, dá para fazer como todo mundo”, finaliza Rodrigo.
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

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