Brasil

Google abrindo caminhos para o empreendedorismo feminino.

Além de ser um importante passo na vida profissional das mulheres no Brasil, o empreendedorismo é também uma porta de saída para a violência doméstica e para os relacionamentos abusivos

Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME
Além de ser um importante passo na vida profissional das mulheres no Brasil, o empreendedorismo é também uma porta de saída para a violência doméstica e para os relacionamentos abusivos, como é possível identificar ao ouvir as histórias das milhares de mulheres que passaram pelos programas da Rede Mulher Empreendedora.

Há 11 anos, entre desafios financeiros e estruturais do empreendedorismo feminino no Brasil, a Rede Mulher Empreendedora se dedicou a capacitar mulheres com conteúdo técnico e comportamental, ajudando-as, dessa forma, na geração de renda e na sua autonomia econômica.

Entre os programas desenvolvidos com esse foco estão Ela PodePotência Feminina e o Cresça com o Google, resultados de uma parceria fundamental com o Google para contribuir com o empreendedorismo feminino no Brasil.

Autoestima e liderança

Do início do Ela Pode, em 2019, até o início do mês de outubro de 2021, mais de 200 mil mulheres de mais de 1.800 municípios brasileiros foram capacitadas pelo programa, muitas delas em situação de vulnerabilidade social, como Danielle, uma das beneficiadas pela iniciativa. “Estava passando por uma separação muito agressiva, estava completamente perdida e depois dos cursos, saí mais confiante em mim”, diz.

Ela Pode é o maior projeto do Instituto RME, braço social da Rede Mulher Empreendedora que fundei em 2017. O propósito é apoiar mulheres na recuperação da sua autoestima, por meio de capacitações com foco em habilidades socioemocionais. Buscamos criar um conjunto de aulas e palestras sobre liderança, como falar em público, educação financeira, negociação, letramento digital, entre outras habilidades essenciais para quem quer abrir um negócio ou busca emprego.

O programa conta com multiplicadoras treinadas pela Rede Mulher Empreendedora, organizações parceiras com presença local e apoio do poder público, por meio da oferta de espaços físicos e envolvimento da comunidade.

Com a pandemia, a capacitação que era presencial foi adaptada, assumindo formato on-line. Neste período, diante da nova realidade de crise, com demissões e reduções salariais, muitas mulheres decidiram abrir seus próprios negócios e garantir a renda da casa. Assim, acabaram conhecendo o Ela Pode. Foi o caso da Amanda. “Comecei o meu próprio negócio em meio a pandemia e com ajuda das oficinas on-line consegui me desenvolver e as coisas foram dando certo”, diz.

Empreendedorismo e tecnologia como ferramentas de mudança

A pandemia afetou fortemente os pequenos negócios e mais ainda aqueles liderados por mulheres. Para minimizar estes impactos, criamos o Potência Feminina, com apoio do Google.org, programa com trilhas de conhecimento focadas em empreendedorismo, empregabilidade e tecnologia. Mais de 35 mil empreendedoras já foram certificadas pelo programa, que ainda envolveu etapas de aceleração (676 negócios acelerados) e capital semente (59 negócios investidos).

Para alcançar esse público, equipamos salas com computadores e oferecemos ajuda de custo para despesas e manutenção de espaços geridos por dez organizações presentes em diversas regiões do Brasil. “Eu sou mãe, mulher e dona de casa. Após a chegada do meu segundo filho, é como se eu tivesse parado de sonhar, de viver. Eu me olhava no espelho, nas fotos antigas, e não me reconhecia mais”, disse Flávia, de Alagoas. “Quando vi a oferta deste curso, vi mulheres que inspiram e a chance de mudar minha realidade, foi como se uma porta se abrisse para mim.”

Em todos esses anos de trabalho, pude notar o efeito transformador da educação e da tecnologia na vida dessas mulheres. Como nos disse a Flávia, são portas que se abrem com oportunidades. A série de edições do Cresça com o Google é exemplo disso. Em parceria com a RME, o programa treinou e capacitou mais de 70 mil mulheres em habilidades de marketing digital e de negócios.

Só em 2021, foram cinco edições totalmente dedicadas às mulheres, voltadas ao desenvolvimento de carreira, empreendedorismo, mulheres na tecnologia, retorno ao mercado de trabalho, além de uma edição dedicada às mulheres pretas. Além de especialistas do Google e da Rede Mulher Empreendedora compartilhando conhecimento, as participantes puderam assistir palestras inspiradoras de pessoas como Rachel Maia, Sofia Esteves e Ana Minuto sobre autoestima, criatividade, networking e desenvolvimento de marca – todo esse conteúdo está disponível para quem quiser conferir (g.co/TreinamentosCresca).

Acredito que quando investimos em mulheres, impactamos a sociedade como um todo. Elas investem na educação dos filhos, no bem-estar das comunidades onde vivem e na construção de um mundo mais igualitário. Com essa missão, chegamos até aqui, mas nossa jornada por um mundo mais próspero e com mais oportunidades para as mulheres continua. Nos vemos em 2022.
Postado por Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME

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