Litoral

Fotógrafo registra cotidiano de moradores do maior aglomerado de palafitas da América Latina


Dique da Vila Gilda, em Santos, no litoral de São Paulo, abriga cerca de 25 mil pessoas em moradias de alvenaria construídas sobre o mangue. Fotógrafo visitou o maior aglomerado de palafitas da América Latina por seis meses para registrar cotidiano dos moradores
Felipe Beltrame
No maior aglomerado de palafitas da América Latina – o Dique da Vila Gilda, em Santos, no litoral de São Paulo –, vivem cerca de 25 mil pessoas. Por seis meses, o fotógrafo Felipe Beltrame esteve na região para conviver com a comunidade e registrar o cotidiano dos moradores em uma série de fotos. As imagens integram o projeto chamado ‘A Última Ponte’.
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Ao g1, o fotógrafo explicou que decidiu conhecer o Dique da Vila Gilda, inicialmente, pelas questões socioambientais ali envolvidas, como o lixo doméstico despejado no Rio São Jorge. “Mas, vi que se trata de uma questão muito maior. Lá, entendi que atribuir [a responsabilidade sobre a poluição] àquelas pessoas era uma injustiça. Porque o lixo é sintoma de um sistema precário”, disse.
As fotos foram tiradas antes da pandemia, mas só agora puderam ser compiladas em um foto livro. Logo em seu primeiro dia na comunidade, Beltrame conheceu um personagem que prometeu lhe apresentar para o restante dos moradores, o Piloto.
Foi ele quem apresentou o fotógrafo aos outros personagens retratados ao longo do projeto. No período em que frequentou a comunidade, Felipe pode acompanhar a rotina dos moradores e como eles se relacionavam uns com os outros.
Fotógrafo visitou o maior aglomerado de palafitas da América Latina por seis meses para registrar cotidiano dos moradores
Felipe Beltrame
Segundo Beltrame, o que mais lhe chamou a atenção foi o senso de comunidade, e também a solidariedade, que faz com que todos se ajudem, independentemente das condições de cada um. “No meio de tantas adversidades, eles são solidários uns com os outros”, comenta.
“A capacidade das mulheres resistirem também [me chamou a atenção]. A comunidade foi construída em cima de histórias de mulheres. Elas têm o respeito dentro da comunidade, são vistas como entidades”, conta.
Além disso, a relação entre o público e o privado é estreita no dique. “A janela da cozinha das casas dá para a rua. As pessoas passam e conversam com você dentro, sem que você saia. A privacidade quase não existe”.
O Dique da Vila Gilda fica localizado na Zona Noroeste de Santos, e segundo dados da prefeitura, cerca de 25 mil pessoas vivem nas moradias de alvenaria construídas sobre o mangue. O aglomerado fica próximo, também, da zona portuária da cidade.
“Quando eu mostrava as fotos do projeto para pessoas do [bairro] Gonzaga, poucas identificavam aquilo como Santos. Elas achavam que poderiam ser até na Amazônia”, finaliza Beltrame.
Última Ponte
Veja abaixo algumas das fotos que compõem o projeto ‘A Última Ponte’:
‘Quem me mostrou essa fotografia impressa e permitiu fotografá-la não disse a razão exata que motivou o recorte. Também contou que todos os presentes no registro, hoje, estão mortos – menos ele e mais um. Durante a juventude, o grupo comandou um ponto de venda de drogas no Dique da Vila Gilda. A vida apresentou ao dono da foto novas oportunidades. Hoje, dedica-se a trabalhos sociais importantes na mesma comunidade. O outro sobrevivente, à música’
Felipe Beltrame
‘Durante quatro dias, Renato e Julio trabalharam em conjunto na construção de uma casa sobre palafita. Tudo de maneira informal, desde a contratação, a escolha do lugar e o desenvolver da construção. Era comum a presença de toda a família durante a rotina de trabalho dos dois, que se dividiam entre cuidar das crianças e martelar os pregos. Ao anoitecer, os rapazes puxavam um ‘gato’ elétrico para acender a única lâmpada que iluminava o local de trabalho’
Felipe Beltrame
‘Para buscar pedaços de isopor que ficam presos nos galhos e raízes do manguezal, seu Garrincha amarra a embarcação nas árvores e caminha pela lama que, às vezes, chega até a altura dos joelhos. Quando a maré enche, objetos flutuantes descartados irregularmente adentram o manguezal. Quando ela seca, muitos ficam presos nas raízes das árvores. Garrincha costumava ir ao mangue durante a maré seca para buscar objetos que lhe servissem’
Felipe Beltrame
Crianças se divertem em cima de carro estacionado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, paralela ao Dique da Vila Gilda, em Santos
Felipe Beltrame
Crianças se desafiam apostando corrida no campo de areia São Sebastião, durante um domingo ensolarado no Dique da Vila Gilda, em Santos, em 2018
Felipe Beltrame
Dona Gregória cozinhando em sua palafita no Dique da Vila Gilda, em Santos, em 2018
Felipe Beltrame
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