Litoral

Mãe que implorou por vacina após filha morrer de Covid-19 celebra inclusão de crianças na imunização


Valkiria Alice dos Santos perdeu a filha em decorrência de complicações com a Covid-19 em dezembro. Ana Luísa, de 8 anos, morreu em decorrência de complicações da Covid-19 após um mês internada em Santos, no litoral de SP.
Arquivo Pessoal
A mãe da menina Ana Luísa dos Santos Oliveira, de 8 anos, que morreu por complicações com a Covid-19, se diz aliviada ao saber da inclusão de crianças de 5 a 11 anos no Plano Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde. “Torci muito para que a vacina fosse liberada antes de acontecer algo com a minha filha”, disse Valkiria Alice dos Santos, de 39 anos, ao g1 nesta segunda-feira (10).
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A vendedora, que mora em Guarujá, no litoral de São Paulo, acredita que a filha pegou o vírus em uma ida à escola, e segundo ela, a menina não tinha qualquer diagnóstico de comorbidade e estava saudável. O único fator que poderia ter contribuído, conforme os médicos teriam explicado à mãe, é que a menina era “gordinha”.
Conforme relatou a mãe, elas procuraram atendimento médico após a Ana apresentar um inchaço na boca, que a mãe acreditava que poderia ser por causa da um dente mole que caiu, e depois febre. O pediatra desconfiou de dengue e assim ela tratou. “Ela ficou com uma tosse muito estranha, levei ela no médico, que falou que poderia ser suspeita de Covid-19”. Depois disso, a filha foi internada por um mês, mas não resistiu após ter um infecção, em decorrência do vírus.
Segundo a vendedora, as duas já planejavam o momento de ir tomar a tão sonhada vacina, mas, infelizmente, o imunizante não chegou a tempo de salvar pequena Ana. No entanto, mesmo diante da dor de perder a filha, Valkiria consegue celebrar que logo outras crianças poderão receber a dose da vacina, e então, se proteger do vírus que tirou a vida de milhares de brasileiros.
Após morte da filha, Valkíria desabafou ao g1 e disse que precisam liberar a vacina contra Covid-19 para as crianças
Arquivo Pessoal
“O que eu estou sentindo não quero que nenhuma mãe sinta. Eu fiquei muito feliz [com a vacina]. Essa vacina vai chegar e resolver os casos de muitas crianças, né? A Ana tem primos da mesma idade dela, e eu tenho afilhados também. Eu creio que essa vacina vai salvar muitas famílias,”, diz.
Incentivo à vacinação
Valkiria diz que muitas mães a procuram para saber se, de fato, a filha dela morreu em decorrência da Covid-19. Ele busca sempre explicar e frisar a importância da vacinação para a prevenção de uma possível complicação com a doença, como ocorreu com a Ana.
“Eu torço para que as mães tenham consciência, porque tem muita mãe que eu converso que não quer vacinar as crianças. Como nós estamos protegidos, as crianças também tem que estar”, explica.
Menina morreu devido a complicações da Covid-19
Arquivo pessoal
Para ela, ainda fica o sentimento de que a filha poderia ter sido salva, caso a inclusão das crianças tivessem ocorrido há alguns meses. “Chorei muito, porque eu sempre brincava que em casa só faltava a Ana e, dizia que assim que tivesse, ia levá-la. Por um lado fiquei triste porque ela não pode tomar a vacina, mas estou aliviada por outras mães”, finaliza.
Como vai ser a vacinação?
De acordo com o governo, a vacinação será feita das crianças mais velhas para as mais novas, com prioridade para quem tem comorbidade ou deficiência permanente.
A autorização por escrito só será necessária se não houver pai, mãe ou responsável presente no momento em que a criança for vacinada;
Primeira e segunda dose serão aplicadas com intervalo de oito semanas – um prazo maior que o previsto na bula, de três semanas;
O Ministério da Saúde orienta que os pais “procurem a recomendação prévia de um médico antes da imunização” – mas não exigirá receita médica para aplicar a vacina.
3,7 milhões de doses ainda em janeiro
O Brasil tem cerca de 20,5 milhões de crianças na faixa etária entre 5 e 11 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Na quarta, o Ministério da Saúde informou que encomendou mais de 20 milhões de vacinas pediátricas da Pfizer, quantidade suficiente apenas para a primeira dose.
De acordo com a pasta, serão entregues 3,7 milhões de doses pediátricas no próximo dia 13. A distribuição do imunizante aos estados começará a ser feita no dia 14, se o cronograma for cumprido.
O Ministério não informou, no entanto, a data de início da aplicação das doses.
Menina de 8 anos recebe vacina da Pfizer contra a Covid-19 em hospital dos EUA
Joseph Prezioso / AFP
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

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