Litoral

‘Mamães reborn’ mantêm coleção de bonecos hiper-realistas de bebês; FOTOS


Colecionadoras compartilham fotos com bonecos em situações cotidianas, além de trocarem informações sobre preços de roupinhas e acessórios para aumentar a coleção. Bebês reborn têm berço para ‘dormirem’
Arquivo Pessoal/Ana Ayres
‘Mamães reborn’. É assim que se autodenomina um grupo de mulheres colecionadoras de bonecos de bebês hiper-realistas, que trocam fotos e informações diárias sobre o dia a dia com a coleção na Baixada Santista, no litoral paulista. Elas compram de tudo: desde chupetas e fraldas até carrinhos para levá-los para passear e berços para terem onde ‘dormir’.
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Os bonecos são hiper-realistas e se parecem com recém-nascidos de verdade. São colecionáveis, e há, entre as versões, bebês mais ‘raros’ que outros, com cópias limitadas. Os bebês custam de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil.
A dona de casa Ana Ayres Silva, de 51 anos, tem três filhos e dois netos. Mesmo assim, há cerca de dez anos, decidiu começar a coleção de bebês reborn, e hoje tem três exemplares em casa: Letícia, Yuri e Angelina. Eles ganham roupinhas novas, são levados para passear e até servem de modelo para uma loja de roupas e acessórios infantis.
Dona de casa coloca bonecos em situações cotidianas para compartilhar fotos com grupo de mamães reborn
Arquivo Pessoal/Ana Ayres
Ana vive com o marido em uma casa no bairro Embaré, em Santos. A dona de casa garante que o companheiro não se incomoda com as bonecas, e diz, ainda, que o início da coleção veio a partir da solidão. “Os filhos foram todos indo embora. Foi ficando aquele vazio na casa, acho que foi isso”, confessou.
A dona de casa diz que, apesar dos mimos, não trata os bonecos como se fossem bebês reais. “Imagina. Passeio com elas às vezes, tiro bastante foto. Mas é só diversão”, explica.
Regiane Neves, de 46 anos, também é uma colecionadora desses bebês, e diz que começou a coleção há 11 anos, por causa da filha. “Hoje ela não gosta, mas na época em que tinha 10 anos, ela me pediu de presente, e eu acabei gostando. Encomendei uma para mim também”, relembra.
Dona de casa coloca bonecos em situações cotidianas para compartilhar fotos com grupo de mamães reborn
Arquivo Pessoal/Ana Ayres
Hoje, são três bebês na casa dela em São Vicente: Maria Clara, Chloe e Miguel. Diferente de Ana, os bonecos de Regiane ficam expostos e dificilmente saem de casa. “Limpo e tiro o pó de 15 em 15 dias para preservar, mas ficam no berço, guardados”, conta.
No entanto, não foi sempre assim. Ela diz que chegou a levar os bebês para ‘passear’ de carro, mas precisou deixá-los no veículo ao parar para almoçar com o marido. Quando voltou, uma dezena de pessoas se aglomerava em volta do carro tentando quebrar o vidro, para ‘salvar’ os supostos bebês. “Foi uma loucura”, contou.
Regiane começou a coleção após filha pequena pedir uma boneca de presente
Arquivo Pessoal/Regiane Maria
Bebês vêm da ‘cegonha’
Os bebês não vêm prontos de fábrica. Silvana Rosa, de 51 anos, mora em Peruíbe e é conhecida no meio das mamães reborn como cegonha, nome dado às artesãs que compram as peças dos bonecos em outros países, pintam e colocam olhos, cabelos, dentes e outros apetrechos, em um processo chamado de ‘renascimento’.
‘Cegonha’ Silvana mostra processo de renascimento, onde boneco ganha características de um bebê real
Arquivo Pessoal/Silvana Rosa
O processo dura em média sete dias e é feito sob encomenda. Apesar de sua clientela ser formada, em maioria, por mamães colecionadoras, ela também faz bonecos que serão dados como presente para crianças.
Ela também tem os próprios bonecos: a Lia, a Tinker e a Suisui. “É muito gostoso participar”, conta. A comunidade formada pelas colecionadoras, segundo Silvana, é muito ativa. “Estão sempre trocando mensagens, fotos e informações sobre preços de roupinhas, chupeta”.
‘Cegonha’ Silvana mostra processo de renascimento, onde boneco ganha características de um bebê real
Arquivo Pessoal/Silvana Rosa
Apesar de ter entrado no ramo apenas há cerca de um ano, ela já é reconhecida no meio por suas pinturas realísticas nos bonecos. “Estou sempre buscando a perfeição”, diz. A cegonha reproduz, até mesmo, manchas de calor, veias e pequenos poros pelo corpo do boneco.
Para isso, Silvana procura estar sempre atenta às novidades, e faz cursos com profissionais do ramo de diferentes partes do país. “Cada um tem sua característica específica, seu detalhe. São muitas camadas de pintura para ficar realista”, conclui.
‘Cegonha’ Silvana mostra processo de renascimento, onde boneco ganha características de um bebê real
Arquivo Pessoal/Silvana Rosa
‘Cegonha’ Silvana mostra processo de renascimento, onde boneco ganha características de um bebê real
Arquivo Pessoal/Silvana Rosa
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