Litoral

Idoso morre à espera de vaga de UTI em SP mesmo após Justiça expedir liminar por transferência


Liminar determinou transferência imediata do idoso, que estava em estado gravíssimo, intubado em um pronto socorro de Itanhaém, no litoral de São Paulo. Agostinho Queiroz, de 71 anos, morreu aguardando por uma vaga na UTI
Arquivo Pessoal
Um idoso de 71 anos que aguardava transferência para um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto estava intubado provisoriamente, em estado gravíssimo, em um pronto socorro de Itanhaém, no litoral de São Paulo, faleceu no início da tarde desta quinta-feira (27). Agostinho Queiroz estava há dez dias na fila da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross), porém, mesmo a Justiça determinado sua transferência, sob pena de multa, a Secretaria Estadual de Saúde não acatou a decisão a tempo de salvá-lo.
Apesar do monitoramento constante, o Pronto Socorro de Itanhaém não conta com a estrutura necessária para tratar emergências mais graves, como um leito de UTI, indicado pela equipe médica que atendeu ao idoso como extremamente necessário, segundo contou o filho, Maurício Queiroz.
Agostinho viveu seus últimos anos de vida com uma traqueostomia, devido a um câncer na laringe. Por conta disso e de outras condições clínicas, o idoso era considerado grupo de risco para a Covid-19. Assim que chegou ao pronto socorro, ele foi intubado e passou a respirar com suporte de ventilação mecânica.
O idoso foi diagnosticado com a doença no dia seguinte à internação, em 17 de janeiro. Ele apresentava quadro de cansaço, fraqueza e falta de ar. Com isso, a necessidade de transferência foi apontada pela equipe médica ao filho desde o princípio. A saturação do idoso foi caindo gradativamente, dia após dia, enquanto Maurício, desesperado, tentava de tudo para que o pai fosse melhor atendido.
Ele entrou com um pedido na Justiça para obter uma decisão determinando a transferência. Um juiz de plantão expediu uma liminar quatro horas após o protocolo, determinando, sob pena de multa, que o Governo de São Paulo transferisse Agostinho com urgência.
No início da semana, a Secretaria de Saúde de São Paulo chegou a responder ao g1 que a transferência não dependia apenas de vagas disponíveis, mas também da necessidade de um estado de saúde adequado para o transporte. Sobre isso, o filho rebateu que a própria equipe médica informou a ele que o idoso estava ‘”totalmente preparado para ser transferido desde o primeiro dia”.
A demora foi tanta que, em novos exames, realizados na segunda-feira (24), o idoso voltou a testar negativo para a Covid-19 e saiu do isolamento, mesmo que ainda não tivesse sido transferido para um leito adequado ao seu caso grave.
Sistema Cross
Agostinho foi incluído na fila da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde, que gerencia a quantidade de leitos em hospitais e as pessoas na fila para serem internadas no estado. No entanto, seis dias depois, ele ainda não havia conseguido a internação.
Na terça-feira (25), na única manifestação do governo no processo que determinava a transferência, a Secretaria do Estado da Saúde informava que os pacientes atendidos no Pronto Socorro de Itanhaém que necessitassem de internação hospitalar seriam encaminhados ao Hospital Regional de Itanhaém, quando possível.
Assim, a pasta deu a entender que o caso de Agostinho seria mais complexo, e que outro hospital de referência estava sendo procurado para ofertar a vaga necessária.
Pagamento de UTI particular
A morte de Agostinho se deu no mesmo dia em que a Justiça, em uma nova decisão, em razão do descumprimento anterior, determinou o prazo de 24 horas para a transferência do idoso a um hospital público. Caso o prazo excedesse sem a vaga na rede pública, um valor seria bloqueado dos cofres públicos para subsidiar a estadia dele em um hospital particular que ofertasse o leito para casos graves.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde de São Paulo, mas até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno.
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