Litoral

Família de criança de 1 ano com cardiopatia pede ajuda para conseguir remédio de alto custo em SP


Ao g1, mãe de Davi Lucas de Souza Oliveira, de Praia Grande, contou que também não consegue os remédios de uso contínuo no posto de saúde do município. Criança de 1 ano e 8 meses com cardiopatia precisa de remédio de alto custo antes de procedimento cirúrgico
Arquivo Pessoal
A família de uma criança de 1 ano e 8 meses portadora de cardiopatia congênita de hiperfluxo, com risco aumentado para doenças respiratórias, está com dificuldade para conseguir o medicamento de alto custo que ele precisa tomar antes de um procedimento cirúrgico. Morador de Praia Grande, no litoral de São Paulo, Davi Lucas de Souza Oliveira faz acompanhamento mensal em um hospital na capital paulista, após não conseguir um especialista na região.
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Ao g1, a mãe dele, Poliana de Souza Feitosa, de 35 anos, explicou que o medicamento Palivizumabe custa, em média, R$ 5 mil. “Vou tirar R$ 5 mil de onde, que eu não tenho? Aqui em Praia Grande, não fornecem essa medicação”.
Poliana explica que o filho nunca teve sintomas da doença, e que a descoberta foi aos 6 meses de vida, durante uma consulta de rotina. “Passei por uma enfermeira, que perguntou se eu sabia se ele tinha algum problema. Identificaram que ele tinha um sopro no coração, pediram eletro, ecocardiograma, foi quando procurei um cardiologista [pediátrico], e não tinha”, lembra.
“Ele nasceu em casa, foi para o hospital, ficou uns três dias [internado], fez todos os testes e nada indicou que ele tinha esse problema. Ele nunca teve sintoma nenhum, se você ver ele pessoalmente, acha que ele não tem nada. É uma criança maravilhosa”, disse.
Para fazer os exames cardíacos, Poliana levou o filho até Santos, e teve que pagar cerca de R$ 390. “O médico falou que ele precisava passar por um cardiologista infantil. Ele confirmou que ele tinha sopro, e que era caso de cirurgia”.
Família descobriu que Davi é portador de cardiopatia durante consulta de rotina, aos 6 meses de idade
Arquivo Pessoal
O pequeno Davi ficou internado durante 13 dias no Hospital Irmã Dulce, e após isso, conseguiu uma vaga, por meio da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross), para ser atendido na Santa Casa de São Paulo. “Consegui essa vaga porque a médica pediu urgência. Todo mês, ele vai para São Paulo passar na cardiologista infantil, porque aqui não tem, gasto em média R$ 300 [a cada ida]. Na consulta deste mês, ele fez outro exame, e se der tudo certo, vai fazer a cirurgia”, explica.
“Transferiram para lá, mas eu tenho que arcar tudo do meu bolso. O gasto de transporte, de medicamento, ele toma medicação de pressão e coração todos os dias, e o posto não fornece, já tentei duas vezes. A última viagem que fiz, em janeiro, ela passou essa medicação, mas disseram que aqui não tem. O que eu mais preciso é conseguir essa medicação para ele”.
Segundo Poliana, o posto do bairro Ribeirópolis informou que não tinha captopril, furosemida e espironolactona, os medicamentos que Davi usa continuamente. Ela também foi orientada que o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Praia Grande também não tem o remédio de alto custo para o tratamento do filho.
“Até hoje, ele nunca teve nenhum sintoma, nunca precisei correr às pressas com ele para o hospital, mas a médica explicou que ele vai crescendo e vão começar a aparecer os sintomas. Ele não fica cansado, não apresenta sintoma, mas quando começar a correr e brincar, pode até ter uma parada cardíaca”, disse.
Mesmo com todas as dificuldades, e apenas o marido trabalhando, Poliana destaca que eles estão se esforçando para conseguir comprar os medicamentos contínuos, já que a prefeitura não disponibiliza. “Graças a Deus, consegui comprar, mas pode ter outra família que não tem condição de comprar. Fica o alerta para os postos, por mais barato que seja, não é sempre que dá para comprar”, conclui.
Poliana, mãe de Davi, leva o filho mensalmente para consultas na Santa Casa de São Paulo
Arquivo Pessoal
Posicionamentos
Em nota, o Hospital Irmã Dulce confirmou que não possui cardiologista pediátrico, e que, por isso, a criança foi incluída no Sistema de Regulação e transferida à Santa Casa de São Paulo, que é referência para a especialidade.
Ainda de acordo com o hospital, todos os recursos e suporte que estavam ao alcance da equipe médica foram realizados durante o período de internação.
A Secretaria do Estado de Saúde informou que o medicamento Palivizumabe 100 mg é de responsabilidade de aquisição e distribuição do Ministério da Saúde, e que o estado segue cobrando o Governo Federal para a regularização da entrega, para garantir a continuidade da assistência aos pacientes.
A pasta ainda reitera que o medicamento é de aplicação hospitalar, e orienta que a paciente entre em contato com a Santa Casa de São Paulo para obter mais informações sobre o caso.
A Prefeitura de Praia Grande informou que o captopril pode ser retirado gratuitamente em qualquer farmácia popular; que a espironolactona está com estoque normal no município; e que a furosemida está com desabastecimento, porém, a empresa fornecedora afirmou que entregará nos próximos dias.
Ainda de acordo com a administração municipal, quanto ao Transporte Fora de Domicílio (TFD), não consta nenhuma solicitação da família no sistema. Para solicitar, ela pode entrar em contato pelo número 3496-2430.
O g1 também entrou em contato com o Ministério da Saúde e com a Santa Casa de São Paulo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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