Litoral

Motoboys se mobilizam para localizar dono de celular achado na rua em SP: ‘só quero o que é meu’


Como aparelho estava bloqueado, entregadores tiveram a ideia de colocar o chip em outro celular, com o objetivo de enviar mensagens a contatos do dono. Caso ocorreu em Praia Grande (SP). Motoboys se mobilizaram para devolver celular perdido encontrado em avenida de Praia Grande, SP
Arquivo Pessoal
Dois motoboys se mobilizaram para devolver um celular encontrado caído na Avenida Kennedy, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Como o aparelho estava bloqueado, eles tiveram a ideia de colocar o chip em outro celular, com objetivo de enviar mensagens a contatos do dono.
Ao g1, Guilherme Silva de Moraes, de 29 anos, disse que, na segunda-feira (31), viu a postagem do amigo Leonardo Menyon, de 25, sobre não encontrar o dono do celular. “Aqui onde a gente mora, o sinal é ruim. Ele fez de tudo e não estava conseguindo achar o dono”.
Moraes foi até a casa do amigo, e ambos começaram a pensar em uma forma de encontrar o dono. Em seguida, a mulher dele, que trabalha em uma empresa de telefonia, o orientou a digitar um código no aparelho, e isso fez com que eles identificassem o número do chip, que tinha prefixo 81.
A partir disso, eles conseguiram descobrir o nome e o endereço em que o contato estava registrado. “Conseguimos baixar o WhatsApp, chegou o código [por SMS], e lá tinha um grupo da família, para ver se algum responsável poderia ligar. A mãe dele ligou chorando, desesperada. Falei que o celular estava em boas mãos, que a gente estava atrás para devolver, mas não estava conseguindo”, lembra.
Motoboys tiveram a ideia de colocar o chip do aparelho em outro celular e acessar os contatos para conseguir encontrar o dono
Arquivo Pessoal
Segundo Moraes, a mãe do dono do aparelho passou o endereço de onde moram, no bairro Aviação, e eles devolveram o celular, na tarde de terça-feira (1º). “Ele não estava lá, mas ela falou que [o filho] veio para cá trabalhar, que era instrumento de trabalho, e que queria dar uma recompensa, uma quantia em dinheiro, não sei quanto era”.
O entregador recusou a quantia, mas, após a insistência da mulher, ele sugeriu que eles comprassem uma cesta básica com o dinheiro e entregassem para ele doar na comunidade onde mora, na Vila Mirim.
“A gente devolveu de coração. Eu tenho um celular daquele, sou motoboy, e sei o quanto batalhei para comprar para mim. Eu só quero o que é meu, o que é dos outros a gente corre atrás para devolver”, explica.
Após a devolução, o dono do aparelho ligou para agradecer. “Disse que era de Pernambuco, que tinha chegado aqui há três meses, que queria ir embora, porque não se adaptou muito à cidade. Depois que aconteceu isso, ficou mais feliz”, relata Moraes.
“Minha mãe me criou sozinha, perdi meu pai aos 3 anos de idade, então, ela e minha avó criaram eu e minha irmã. Segui o caminho da minha avó. Ela sempre ajudou as pessoas, era muito bondosa, nunca negava um copo de água, fui crescendo e absorvendo”, relembra o entregador.
De acordo com Moraes, o celular custa cerca de R$ 3 mil. “Fico pensando em quem não tem, e fica contando cada centavo para não faltar. E aquele celular, para comprar hoje em dia, não é barato, sei o valor que é. Sempre costumo ajudar as pessoas, porque isso volta. Penso na lei do retorno, se você desejar o mal, a pedrada pode ser mais forte que o esperado”, conclui.
VÍDEOS: Mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias

Deixe seu comentário sobre esta noticias

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo
Translate »