Litoral

Família de criança de 2 anos que teve fígado transplantado aponta falta de medicamento de alto custo fornecido pelo estado


Júlia faz uso do remédio Tacrolimo, disponibilizado pelo AME em Santos (SP). Desde 27 de janeiro, medicação está em falta e não é entregue aos familiares. Família de criança de 2 anos que teve fígado transplantado aponta falta de medicamento de alto custo fornecido pelo estado
Arquivo Pessoal
A família de uma criança de 2 anos que precisou passar por um transplante de fígado aos 5 meses, para tratar uma doença chamada atresia de vias bilares, está enfrentando dificuldades para conseguir um medicamento de uso contínuo e alto custo fornecido pelo Ambulatório Médico de Especialidades (AME) em Santos, no litoral de São Paulo.
Ao g1, o personal trainer Gonzalo Alday explicou, nesta quinta-feira (10), que, por conta do transplante, a filha Júlia Franchini Alday precisa tomar o remédio Tacrolimo 1mg para que o fígado não sofra rejeição, e para não perder o procedimento cirúrgico realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ele conta que a médica prescreveu o uso de 120 comprimidos ao mês, e que, desde a cirurgia, a família nunca teve dificuldade para retirar os medicamentos. “Depois que ela saiu do transplante, eram 13 medicações, todas fornecidas pelo governo. Nunca faltou, é a primeira vez que acontece”.
Em 10 de dezembro de 2021, data da retirada do medicamento, a família de Júlia foi informada de que o remédio estava começando a faltar, e que, por esse motivo, a entrega seria realizada duas vezes ao mês, sendo fornecida metade dos comprimidos recomendados em cada entrega. Eles retornaram em 23 de dezembro, data indicada, para fazer a retirada da outra parte dos medicamentos prescritos para o mês.
Sem medicação
A situação se repetiu em janeiro. No dia 12, ele conseguiu pegar metade da medicação recomendada, e foi orientado a retornar no dia 27 para buscar a segunda parte. Mas, desde então, a filha está sem a medicação, pois os funcionários do AME alegam que o medicamento está em falta.
Segundo Alday, uma farmacêutica da unidade disse que a falta do medicamento é geral, e que eles tentaram solicitar um empréstimo dele para algumas cidades do interior, mas que não estão conseguindo, porque lá também está em falta.
Nesta quinta-feira, Alday retornou ao AME para tentar buscar os medicamentos atrasados e fazer a retirada do mês de fevereiro, que estava prevista, mas a unidade segue sem o remédio. “A gente fica de mãos atadas, e a criança sem a medicação”, lamenta.
“Eles pedem para telefonar, e ninguém atende. A gente vai presencialmente, dá com a cara na porta, porque não tem medicação. A gente fica de mãos atadas, porque essa medicação a gente não acha em qualquer farmácia, é de alta complexidade e alto custo”, afirma o pai.
Criança que passou por transplante de fígado está desde 27 de janeiro sem medicamento necessário para tratamento em Santos, SP
Arquivo Pessoal
O pai está indignado com a situação. “Você só tem uma saída, que é o governo que te fornece. Você fica preso a isso, não tem para onde correr, e começo a ficar desesperado”.
“Essa medicação é para o resto da vida. Se em um ano e meio de cirurgia já aconteceu isso, imagina daqui a alguns anos? A gente sempre vai ter que conviver com isso? A gente fica até meio assustado e perde as esperanças, é uma perspectiva muito ruim”, finaliza.
Posicionamentos
Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo afirma que o medicamento Tacrolimo 1mg é responsabilidade de aquisição e distribuição pelo Ministério da Saúde, e que está previsto para ser entregue nas próximas semanas.
A pasta ainda informa que segue cobrando do Governo Federal celeridade na entrega dos medicamentos, para garantir assistência aos pacientes.
O g1 entrou em contato com o Ministério da Saúde, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Júlia Franchini Alday recebeu 30% do fígado de sua tia quando tinha 5 meses
Arquivo Pessoal/ Vitória Franchini
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