Litoral

Família de policial civil morto em frente a delegacia diz que ele era ameaçado há anos: ‘família destruída’


Caso ocorreu na madrugada desta segunda-feira (28), em Guarujá (SP). Policial Civil é morto em frente à delegacia em Guarujá
Um dos filhos de um policial civil de 65 anos morto em frente à Delegacia Sede de Guarujá, no litoral de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (28) revelou que a família já era ameaçada desde 2020. Em entrevista ao Jornal da Tribuna 2ª Edição, o jovem conta que sua família está “destruída”.
Eduardo Diogo Cardoso Brazzolin, filho de Eduardo Antônio Brazzolin, conta que seu pai e a família já eram ameaçados e perseguidos desde novembro de 2020. “Isso não é de hoje”, diz. O filho do policial morto pontua que as autoridades policiais estão cientes dos casos de ameaça, e que já foram registrados diversos boletins de ocorrência de “ameaça, perseguição e abuso de autoridade”.
Diogo relata que na situação desta segunda (28), os Policiais Militares teriam ido para cima do irmão dele, e por isso seu pai poderia ter tentado sacar uma arma para proteger o filho. No entanto, reitera que não pode afirmar nada porque não estava presente na ação. “As câmeras, segundo falaram, pararam de gravar. Não sei se é verdade, a perícia vai comprovar isso”, relatou.
Policial civil Eduardo Antônio Brazzolin foi morto por um PM em frente a delegacia
Arquivo Pessoal
Indignação total. Policiais que dizem proteger as pessoas, não estão protegendo nada”, desabafa.
O filho da vítima, esclarece que a investigação e a polícia aguardam os inquéritos. No registro da ocorrência desta segunda (28), foram apresentadas duas versões para as circunstâncias do crime. Uma conta a versão dos policiais militares envolvidos no caso, e a outra mostra a versão da família.
Filho da vítima relata ‘Indignação total’ com situação
Reprodução/Jornal A Tribuna 2ª Edição
Duas versões
Em uma das versões, os policiais militares envolvidos na situação alegaram que estavam em patrulhamento quando foram informados de que havia um suspeito armado em uma praça. Eles passaram algumas vezes no local, e o homem teria feito gestos obscenos em direção à viatura.
Ainda de acordo com os PMs, eles tentaram abordar o jovem, um motoboy de 23 anos, mas ele apresentou resistência, sendo necessária a utilização de força para imobilizá-lo. Outras equipes foram acionadas para prestar apoio.
De acordo com o boletim de ocorrência, o motoboy foi conduzido à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Enseada, por conta de escoriações causadas pelo uso da força, e em seguida foi levado à Delegacia Sede.
O policial civil, Eduardo Antônio Brazzolin, pai de um amigo do motoboy detido, foi até a delegacia, onde iniciou uma discussão com os policiais e disparou contra eles, atingindo o ombro de um deles. Os policiais militares revidaram e dispararam contra o policial, que morreu no local.
Imagens de câmeras serão analisadas na investigação do caso
Reprodução/Jornal A Tribuna 2ª Edição
Segundo o boletim de ocorrência, o filho de 21 anos do policial civil contou que estava em um restaurante com o amigo motoboy, quando ambos perceberam que policiais militares estavam passando várias vezes pelo local e apontando na direção deles.
Por esse motivo, eles resolveram sair do estabelecimento e seguiram em direção aos respectivos carros. Nesse momento, o filho do policial civil foi abordado, e viu que o amigo também estava sendo abordado.
Segundo a versão do jovem, durante a abordagem, os policiais militares, ao tomarem conhecimento de sua identidade, ameaçaram o pai dele de morte. O amigo, por sua vez, foi conduzido à viatura da Força Tática. Na sequência, o filho do policial civil entrou no carro, foi para casa e, por volta da 0h50, contou para o pai o que havia ocorrido.
O jovem conta que ele e o pai foram à delegacia procurar pelo motoboy, e após 15 minutos, o encontraram dentro da viatura da PM. Ocorreu uma discussão entre o pai dele e um policial militar, em frente à delegacia. Outros três PMs foram para cima do policial civil, que foi empurrado e imobilizado pelo policial militar. O PM que iniciou a discussão efetuou seis disparos contra o policial civil, que caiu e morreu no local.
Investigação
A Polícia Civil informou que irá analisar as imagens da câmera de monitoramento da delegacia e de câmeras acopladas aos uniformes dos policiais militares durante a investigação.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que todas as circunstâncias relacionadas aos fatos estão sendo apuradas pela Delegacia Sede de Guarujá, que instaurou um inquérito policial.
De acordo com a pasta, a autoridade policial analisa imagens, realiza a oitiva de testemunhas e busca por elementos que auxiliem no esclarecimento dos fatos. As armas dos policiais envolvidos na ocorrência foram apreendidas e encaminhadas à perícia. Um inquérito também foi instaurado pela PM.
Caso ocorreu em frente à Delegacia Sede de Guarujá, SP
Luciana Moledas/g1
VÍDEOS: Mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias

Deixe seu comentário sobre esta noticias

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo
Translate »