Litoral

Jovem transforma quarto onde dorme em estúdio de beleza após mais de 10 pedidos de emprego negados em SP


Paolla Barbosa teve incentivo da mãe para se especializar na área da beleza em Santos (SP). Jovem transformou quarto onde dorme em estúdio de beleza após mais de 10 pedidos de emprego negados
Arquivo Pessoal
Após receber mais de dez respostas negativas em entrevistas de emprego, a jovem Paolla Barbosa de Lima, de 21 anos, decidiu empreender no ramo da beleza, e usa o próprio quarto como estúdio para atender clientes em Santos, no litoral de São Paulo. Ao g1, Paolla contou que a ideia de transformar o espaço onde dorme no local em que realiza os atendimentos durante o dia foi da mãe dela.
“Sempre sonhei em trabalhar, ter minha independência, ter o meu próprio dinheiro. Então, aos 16 anos, comecei a minha busca, me inscrevi em várias instituições que ajudam o jovem a se inserir no mercado de trabalho, e fiz mais de dez entrevistas. Algumas delas eu até passava de fase, mas, infelizmente, nunca recebi aprovação”, diz.
A situação fez com que a jovem ficasse frustrada e se sentisse descapacitada. A partir disso, a mãe de Paolla sugeriu que ela fizesse um curso de maquiagem, e ela surpreendeu ao responder que queria fazer de sobrancelha. “Ela até se assustou, eu nunca tinha citado nada sobre a área, mas resolvi fazer porque achava mais fácil para investir, e talvez não precisasse tanto de materiais”, explica.
“Nunca pensei que teria empresa nesse ramo, realmente iniciei para não ficar parada. Fiz esse curso em março e abril de 2018, e desde o início eu já tive alguma cliente, porque sempre postei no Instagram, mas não era nada demais. Fazia mesmo como um hobby, para pessoas conhecidas”, afirma.
Jovem apostou no empreendedorismo e transformou quarto em estúdio para atender clientes em Santos, SP
Arquivo Pessoal
Ao mesmo tempo que fazia sobrancelhas, a jovem continuava buscando o primeiro emprego, e em outubro de 2018 participou de um processo seletivo, conquistando uma vaga de jovem aprendiz. “Quando vi meu nome, meu Deus, meus olhos encheram de lágrima, chorei muito, fiquei muito feliz por estar em uma empresa grande”, lembra.
Depois, com o contrato de menor aprendiz próximo do fim, e sem chance de efetivação, a jovem focou em outras coisas, e começou a buscar o próprio caminho. “Foi então que decidi me jogar de peito aberto ao mundo da beleza. Juntei sete meses do meu salário de menor aprendiz para conseguir montar o meu estúdio em casa”, conta.
Empreendedorismo
Paolla pensou na possibilidade de alugar um espaço comercial, mas como tudo estava fechando por causa da pandemia, ela achou que seria algo incerto, e também não tinha recursos suficientes e nem clientes fixos para iniciar.
“Minha mãe me orientou a abrir meu espaço em casa. Me esforcei bastante para entregar o melhor para as minhas clientes, queria um lugar bem lindo, rosinha, que chamasse atenção e que fosse ‘instagramável’, para poder receber elas”, afirma.
Mesmo com o espaço pronto, por semanas ela não teve clientes, e a vontade de procurar um emprego voltou. “Me vi sem o salário fixo e sem clientes, também. Fiquei apavorada, inclusive, procurei alguns empregos novamente, mas minha mãe sempre me orientou a não desistir”, conta.
“Estava começando a nascer um amor pela área, não desisti, continuei divulgando meus trabalhos nas redes sociais. Estudei tanto que acabei criando uma forma muito única de fazer sobrancelha”, diz.
Aos 21 anos, Paola já conseguiu faturar cinco dígitos mensais com o próprio negócio em Santos, SP
Arquivo Pessoal
Estúdio dentro do quarto
As clientes, até então, sabiam que a profissional dividia a sala da casa para realizar os atendimentos, o que ninguém imaginava é que o local, na verdade, é o quarto dela. “Não dividi isso com elas, porque acredito que algumas lutas que a gente passa não é necessário falar. A gente só fala depois que a gente vence, e se torna até um testemunho”, relata.
“À noite, coloco as coisas mais para lá, e coloco meu colchão para poder dormir. De manhã, tiro o colchão e começo a trabalhar. A minha mãe, um dia, simplesmente tirou a minha cama, colocou no quarto dela, e a gente montou o estúdio dentro do quarto, para eu poder iniciar o meu sonho, atender às clientes com mais profissionalismo, mesmo que fosse em casa. Inclusive, minha família é o que mais me dá força”, explica.
Paolla enfatiza que a iniciativa de transformar o quarto em estúdio partiu da mãe. “Fiquei relutante no início, porque achava que não seria tão profissional, que minhas clientes não fossem gostar tanto assim. Abrir mão da nossa privacidade nunca é algo fácil, né? Porém, nunca chegou a ser um incômodo para a gente”, conta.
Sonhos
Com apenas 21 anos, já tendo conquistado os cinco dígitos mensais trabalhando em casa, e com os cursos que oferece, Paolla não tem desfrutado do que ganha, porque direciona para reinvestir no negócio. “Para [a empresa] crescer, e guardo para a minha tão sonhada clínica de beleza”, revela.
“Minha agenda está sempre cheia, atendo pessoas de toda a Baixada Santista. É muito legal impactar na vida de pessoas. Quando eu comecei, não esperava, mas acredito muito que a chave é o trabalho duro, que faz a gente chegar a lugares que não imaginava”, diz.
Ao conciliar o quarto com o estúdio, a jovem vem economizando, já pensando em juntar dinheiro para, no futuro, abrir um espaço comercial. “Minha família me ajudou muito, disponibilizando uma parte da nossa casa, às vezes, até abrindo mão da nossa privacidade, para eu conseguir juntar dinheiro para conquistar minha clínica. Me sinto muito orgulhosa, porque é fruto de um trabalho duro”, conclui.
Além do atendimento personalizado, Paolla também dá cursos com os conhecimentos que obteve
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