Litoral

Funcionários de ônibus municipais de São Vicente retomam greve e operam com frota reduzida


Trabalhadores cumprem decisão judicial, que determina operação com 50% dos ônibus circulando durante o dia, e 70% nos horários de pico. Após assembleia, funcionários da Otrantur retomam a greve por causa de atraso no pagamento de salários e benefícios
Sindrod/Divulgação
Os motoristas do transporte público de São Vicente, no litoral de São Paulo, iniciaram uma nova greve nesta terça-feira (1) por causa de salário e benefícios atrasados. Com isso, os funcionários operam com apenas 50% da frota durante o dia e 70% nos horários de pico, seguindo a determinação judicial. A última paralisação no serviço foi encerrada em 9 de fevereiro após o pagamento de valores que estavam atrasados.
Ao g1, o diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Santos e Região (Sindrod), Valter Gomes da Silva, conhecido como Mineiro, afirmou que os funcionários retomaram a greve devido o atraso do pagamento, do vale-refeição e da cesta básica referente ao mês de fevereiro, que deveriam ser pagos na última segunda-feira (28). A decisão da greve foi discutida em uma assembleia em frente à empresa.
Além do pagamento e benefícios atrasados, que motivaram a greve, Mineiro afirma que a Otrantur concedeu férias para 18 motoristas no início de fevereiro, mas não pagou os funcionários. “Conforme diz a lei, o pagamento deve ser em até 2 dias antes do período de gozo, eles saíram em 1º de fevereiro e não houve pagamento e nem previsão de quando seja feito”, disse.
Segundo ele, a Otrantur também não está realizando o pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Por esse motivo, os trabalhadores estão com dificuldade para realizar o saque do abono salarial do Programa de Integração Social (PIS). “Eles não estão conseguindo porque a empresa não regularizou, está tudo ilegal”.
O Sindicato questiona ainda o pagamento de um acordo judicial relacionado aos atrasos de horas extras, férias e PLR, que foi realizado em 6 parcelas. Segundo Mineiro, o valor foi pago em 25 de fevereiro, conforme o combinado, mas a empresa não descriminou o que estava sendo pago. “Cobramos a empresa e estamos aguardando uma resposta”.
Ônibus saindo da garagem da Otrantur para atender à determinação judicial durante greve
Carlos Abelha/g1
Otrantur
Em nota, a Otrantur, concessionária de Transporte Urbano de São Vicente, informou que na madrugada de terça-feira (1º) formou-se um movimento grevista, com base em um estado de greve permanente imposto pelo sindicato, junto a uma parte dos funcionários, visando manter a concessionária em estado de tensão permanente.
Segundo a empresa, o pleito dos colaboradores pauta-se no pagamento de salários vencidos na última segunda-feira (28), embora a concessionária tenha buscado outras formas de financiar. O processo junto aos agentes financeiros é moroso e o feriado de carnaval atrasou o cronograma previsto.
A concessionária afirmou que segue cumprindo a última liminar e acredita que na volta do expediente bancário as questões serão solucionadas e, assim, ocorra a normalização do serviço e que não há outros valores em aberto junto aos colaboradores, apenas os inerentes ao mês de fevereiro de 2022, já que as demais verbas reivindicadas em greves passadas foram objeto de acordos que estão sendo cumpridos.
O g1 questionou a empresa sobre as reclamações relacionadas ao FGTS/PIS, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Prefeitura
A prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Defesa e Ordem Social (Sedos), informou que está em contato com as partes envolvidas para apurar a motivação desta nova paralisação.
Em nota, a administração municipal esclareceu que não mede esforços para garantir o serviço em funcionamento e ressaltou que em 9 de fevereiro depositou um subsídio emergencial de R$ 400 mil para que a Otrantur pagasse os salários atrasados dos funcionários, o que foi feito. Ao todo, serão 11 repasses mensais no mesmo valor para que a empresa honre com o pagamento de todos os trabalhadores e equacione o equilíbrio econômico-financeiro.
O município enviará, por meio da Secretaria de Assuntos Jurídicos (Sejur) e da Subsecretaria de Trânsito e Transportes, notificações à empresa exigindo esclarecimentos acerca da paralisação, uma vez que os subsídios servem para suprir essas necessidades. Caso a empresa não tenha capacidade de cumprir o acordo, o vínculo deverá ser encerrado.
Greve
O serviço foi paralisado parcialmente em 10 de janeiro quando os motoristas se recusaram a sair da garagem no início da manhã. No entanto, o trabalho foi retomado após a promessa da empresa de cumprir com as reinvindicações dos trabalhadores.
Já no dia 19, os motoristas e funcionários da empresa iniciaram uma paralisação parcial por conta de salários e benefícios atrasados desde dezembro. Por determinação judicial, 60% dos ônibus circularam durante o dia, e 100% nos horários de pico sob pena de multa.
Em uma audiência realizada em 21 de janeiro, representantes da empresa, da prefeitura e do sindicato definiram que as partes deveriam se reunir para discussão e elaboração do pagamento dos benefícios e salários atrasados. Além disso, foi decidido, também, que o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Santos e Região (Sindrod) ficasse em estado de greve até 31 de janeiro. Em caso de descumprimento de todos os pontos apresentados para resolver a situação dos motoristas, o sindicato podia requerer esses direitos após a data limite determinada.
Na data, a Otrantur confirmou ao g1 a suspensão da greve, e que o estado de greve permaneceria, podendo ser deflagrada a qualquer momento, caso a empresa não cumprisse com os pagamentos até 31 de janeiro. Como o pagamento não foi realizado, a paralisação dos motoristas foi retomada em 1º de fevereiro.
Os motoristas suspenderam a greve após o pagamento do salário e benefícios que estavam atrasados em 9 de fevereiro. O pagamento foi realizado após o prefeito Kayo Amado (PODE) sancionar uma lei para o subsídio de R$ 400 mil por mês, durante 11 meses, para que a Otrantur realize o pagamento dos funcionários.
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