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Guerra na Ucrânia entra no 12º dia com expectativa de novo encontro


Nesta segunda (7), delegações da Rússia e Ucrânia podem voltar a discutir. Veja principais acontecimentos do domingo (6). Homem ajuda senhora a se proteger após intenso tiroteio em rota de fuga usada por moradores locais em Irpin
Carlos Barria/Reuters
Nesta segunda (7), a ofensiva russa na Ucrânia chega ao seu décimo segundo dia. Os dois países em conflito podem voltar a discutir hoje.
No sábado (5), o negociador ucraniano David Arakhamia disse que as negociações aconteceriam hoje, sem fornecer mais detalhes. Já os russos, foram menos assertivos.
“A terceira rodada pode de fato acontecer nos próximos dias, é possível que seja na segunda-feira”, disse o negociador russo Leonid Slutsky, segundo a agência Interfax.
As delegações ucranianas e russas já tiveram duas rodadas de negociações desde o início da ofensiva, no dia 24 de fevereiro. No último encontro, os países concordaram com a criação de corredores humanitários para a retirada de civis, que não foi respeitada pelo 2º dia consecutivo.
Veja, abaixo, um resumo dos últimos acontecimentos.
2 cessar-fogos frustrados
Após uma fracassada tentativa de formar um corredor humanitário no sábado, uma nova promessa de cessar-fogo para retirada de civis de Mariupol e Volnovakha foi frustrada pela continuidade dos ataques.
Separatistas pró-Rússia e a Guarda Nacional da Ucrânia trocaram acusações sobre essa 2ª promessa frustrada.
A televisão ucraniana mostrou um soldado do Regimento Azov da Guarda Nacional que disse que as forças russas e pró-russas que cercaram Mariupol continuaram bombardeando áreas que deveriam ser seguras.
Já a agência de notícias Interfax citou um funcionário da administração separatista de Donetsk que acusou as forças ucranianas de não observar o cessar-fogo.
O oficial separatista disse que apenas cerca de 300 pessoas deixaram a cidade. As autoridades ucranianas disseram anteriormente que planejavam evacuar mais de 200.000 pessoas de Mariupol.
Mulher e crianças mortas em bombardeio
Uma mulher e duas crianças morreram no domingo (6) em um ataque de morteiro russo à rota de fuga que os moradores de Irpin, a noroeste de Kiev, estão usando para escapar do avanço das tropas invasoras.
Irpin é um subúrbio da capital e está sob forte ataque russo. Muitos moradores têm tentado fugir para Kiev por uma estrada que passa por uma ponte derrubada.
A explosão ocorreu num trecho da estrada logo após a passagem da ponte. O exato momento do ataque foi registrado no vídeo abaixo.
Três pessoas morrem em ataque a rota de fuga de civis perto de Kiev
Protestos em Kherson e em outras cidades; Zelensky pede resistência
Em um vídeo postado nas redes sociais no domingo, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em disse que não irá perdoar os ataques russos.
“Não perdoaremos o fuzilamento de pessoas desarmadas, destruição de nossa infraestrutura. Não vamos perdoar. Centenas e centenas de vítimas. Milhares e milhares sofrendo. E Deus não perdoará. Nem hoje, nem amanhã, nunca. E, em vez de perdão, haverá um dia de julgamento”, disse Zelensky.
O presidente ainda disse que os ucranianos mantêm o controle das cidades estratégicas no centro e no sudeste do país, e pede que eles resistam. Nas cidades tomadas pelas tropas russas, Zelensky pede que os cidadãos revidem.
No sábado (5), um manifestante pró-Ucrânia subiu em um veículo blindado durante um protesto em Kherson (veja vídeo abaixo). O vídeo foi gravado pelo jogador de futsal de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, que está na Ucrânia, Ewerton Florêncio. De acordo com ele, o veículo é um tanque de guerra russo, contudo, não foi possível saber quem estava no controle dele.
Jogador de Caruaru registra tanque russo e protesto nas ruas de Kherson, na Ucrânia
Na cidade de Nova Kakhovka, Ucranianos também protestaram contra invasão na cidade (veja vídeo abaixo).
Ucranianos protestam contra invasão na cidade de Nova Kakhovka, no sul
Refugiados chegam a 1,5 milhão, maior número na Europa desde a 2ª Guerra
O número de pessoas que fugiram do conflito na Ucrânia superou neste domingo (6) a barreira de 1,5 milhão, o que constitui a crise de refugiados mais acelerada desde a Segunda Guerra Mundial, anunciou a ONU.
Rússia assume gestão de usina nuclear na Ucrânia
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), disse neste domingo (6) que a Rússia assumiu a gestão usina de Zaporizhzhia, na Ucrânia, a maior usina nuclear da Europa. O local havia sido tomado por forças russas na sexta-feira (4).
Em comunicado, a AIEA afirmou que está “extremamente preocupada” com a situação na usina. “A Ucrânia relata que qualquer ação de gerenciamento da usina requer aprovação prévia do comandante russo”, publicou a agência.
A Rússia também teria restringido a comunicação externa ao desligar redes móveis e a internet para evitar que informações confiáveis sobre a situação no local fosse obtida por canais de comunicação convencionais.
Imagem por satélite da região de Zaporizhzhia
Reprodução/Google
Amex, Visa e Master deixam Rússia, que recorre à Union Pay
A American Express informou no domingo (6) que suspendeu as operações na Rússia e em Belarus por conta da invasão à Ucrânia.
A empresa disse que seus cartões emitidos em todo o mundo deixarão de funcionar em lojas e caixas eletrônicos na Rússia. Já cartões emitidos no país não funcionarão mais fora do país.
O anúncio foi feito um dia depois de Visa e Mastercard informarem que suspenderam suas operações na Rússia. Por conta das medidas, bancos russos passarão a emitir novos cartões com o sistema chinês UnionPay acoplado à rede russa Mir.
Putin equipara sanções a declaração de guerra; Ucrânia pede novas
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu no sábado (5) que os Estados Unidos ampliem as sanções contra a Rússia. Zelensky pediu que o governo dos EUA pare de importar petróleo da Rússia.
No mesmo tom pelo aumento de sanções, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, cobrou mais ajuda dos EUA. Kuleba pediu ao secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, o envio de aviões e sistemas de defensa antiaérea ao seu país.
Mais cedo, Putin disse que as sanções ocidentais contra a Rússia são semelhantes a uma declaração de guerra e alertou que qualquer tentativa de impor uma zona de exclusão aérea na Ucrânia equivaleria a entrar no conflito.
Mais de 4.600 pessoas são presas na Rússia em protestos
Pelo menos 4.640 pessoas foram detidas no domingo (6) em 65 cidades russas por participação em protestos contra a invasão à Ucrânia, informou a agência France Presse a partir de dados da ONG OVD-Info, que monitora as manifestações no país.
Com isso, subiu para cerca de 13.000 o número total de manifestantes presos na Rússia desde 24 de fevereiro, quando a Ucrânia foi invadida.
Resumo dos últimos acontecimentos:
Tentativa de retirada de civis de Mariupol falha pelo 2º dia seguido
Rússia faz novo bombardeio perto de Kiev; Mulher e duas crianças morrem em ataque russo
Protestos em Kherson; Zelensky pede resistência
Número de refugiados passa de 1,5 milhão, diz ONU
Rússia assume gestão de usina nuclear na Ucrânia
Amex, Visa e Master deixam Rússia, que recorre à Union Pay
Putin equipara sanções a declaração de guerra; Ucrânia pede novas
Mais de 4.600 pessoas são presas na Rússia em protestos

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