Litoral

Suspeito de matar namorada e fugir tem herança bloqueada pela Justiça em SP


Suspeito segue foragido após o crime, que ocorreu em dezembro do ano passado, em São Vicente (SP). Sandra foi morta na própria residência, e namorado é principal suspeito de matá-la em São Vicente, SP
Reprodução/Facebook
O homem suspeito de matar a companheira em São Vicente, no litoral de São Paulo, teve confiscada a parte da herança de seu pai que lhe pertence. Carlos Alberto de Abreu, de 50 anos, está foragido desde o feminicídio, e a Justiça concedeu liminar para garantir o pagamento de possível indenização por dano moral aos três filhos da vítima.
Conforme apurado pelo g1, após o crime, os filhos da vítima, Sandra Ribeiro, de 53 anos, pesquisaram o nome do suspeito pelo Tribunal de Justiça e encontraram um inventário que mostra que ele estava para receber um dinheiro vindo de herança do pai. Então, os familiares entraram com uma ação por dano moral.
A ação de indenização por danos morais foi feita pela advogada Brunna Oliveira Pavanelli dos Anjos, representando a família. Em liminar, o juiz Mário Roberto Negreiros Velloso, da 2ª Vara Cível do Foro de São Vicente, deferiu que fosse bloqueada a parte da herança que seria do suspeito, até que seja julgado o processo criminal.
“A probabilidade do direito está demonstrada pelos documentos que escoltaram a inicial – inquérito policial, laudo com fotos de câmeras do dia do crime, depoimentos, reportagens, etc”, destacou o magistrado. Os filhos da vítima, que têm 24, 36 e 39 anos, pedem o pagamento de indenização de R$ 10 mil para cada um, valor a ser atualizado desde o homicídio.
Na ação, a advogada argumentou que a lei garante a obrigatoriedade do acusado de reparar o sofrimento da família da vítima que é morta em uma conduta ilícita. Ela também afirmou que, apesar de o dinheiro não substituir o sofrimento que os filhos estão tendo, o objetivo é compensar o mal que sofreram. Conforme apurado pelo g1 com a família, os filhos seguem muito abalados com o ocorrido, e eram muito unidos e próximos à mãe.
Flagrado por câmeras e denúncia de ex-namorada
O investigado foi flagrado por câmeras de monitoramento chegando à residência com a vítima, e cerca de uma hora depois, saindo da casa sozinho, de bicicleta e com uma mochila. A Polícia Civil registrou o caso como feminicídio, e após solicitação da autoridade policial, a Justiça decretou a prisão temporária dele, mas ele segue foragido.
O g1 apurou que o suspeito também já possuía um boletim de ocorrência registrado contra ele, por parte de uma ex-namorada, que o acusou de tentar matá-la em 2018, segundo confirmado pela Polícia Civil. À época, a ex-companheira, apesar de ter feito o registro, não prosseguiu com a representação criminal.
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Conforme apurado pelo g1, Carlos e Sandra já estavam juntos há pouco mais de um ano e, segundo informado por testemunhas à Polícia Civil, ele já havia a agredido anteriormente, mas os filhos não sabiam disso.
Investigações
Em entrevista ao g1, o delegado explicou que analisou imagens de câmeras de monitoramento. “Conseguimos imagens do condomínio onde a vítima morava, e conseguimos ver que, por volta da 1h10 da madrugada [da data do crime], eles [ela e o namorado] chegaram juntos de carro. Ele desceu e abriu o portão da casa, aí ela entrou com o carro e ele entrou a pé em seguida”, disse a autoridade policial.
Sandra foi morta na própria residência, e namorado é principal suspeito de matá-la em São Vicente, SP
Reprodução/Facebook
Depois, segundo o delegado, por volta das 2h36, o suspeito saiu da casa sozinho, com uma bicicleta e uma mochila. “Depois, acompanhando as imagens, vemos que o filho entra na casa por volta das 16h do dia seguinte, que foi o horário em que ele encontrou a mãe já morta e acionou a polícia”, explicou.
Filhos não sabiam de agressões
Uma parente de Sandra, que preferiu não se identificar, relatou ao g1 que uma vizinha da vítima contou à família que a mulher havia sido agredida pelo namorado antes, mas pediu que ela não contasse a ninguém. “Essas informações sobre as agressões os filhos não tinham, todos souberam pelos vizinhos. Ninguém nunca havia comentado com os filhos sobre isso. Mas, foi confirmado pelos vizinhos, sim, tanto que uma delas ouviu [barulho] no dia do acontecido, e não chamou a polícia. As pessoas, infelizmente, acabam se omitindo quando se trata de violência doméstica”, afirmou a familiar.
No fim de semana, segundo apurado pelo g1, os dois filhos de Sandra que moravam com ela não estavam em casa. Um deles estava viajando, e o outro só retornou à residência na data em que o corpo dela foi encontrado, e acionou o Samu e a polícia.
“Ela era uma pessoa incrível, atenciosa, muito presente. Espetacular. Só queremos que a justiça seja feita”, destacou a familiar.
Encontro do corpo
Conforme apurado pelo g1, a PM foi acionada à época do crime e se dirigiu ao condomínio onde a vítima morava, localizado na Avenida Minas Gerais, no bairro Vila Voturuá, após ela ser localizada pelo filho.
Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, a cabo Marília, uma das policiais que atenderam à ocorrência, explicou que a equipe foi acionada via Copom para um encontro de cadáver.
Vítima foi encontrada morta em sua residência, na Avenida Minas Gerais, em São Vicente, SP
Reprodução
“Chegando ao local, encontramos o filho da vítima, que estava tentando contato com a mãe desde sábado, mas não teve resposta. Ele chegou hoje à tarde, sentiu falta da mãe, o quarto estava trancado, e quando ele olhou pela fresta da fechadura, viu o pé da mãe”, diz.
Segundo a policial, o filho da vítima, então, arrombou a porta e encontrou a mãe. “Ela já estava sem vida. Ela tinha marcas no pescoço”, diz a cabo.
Em nota, a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atendeu ao chamado de uma mulher em parada cardiorrespiratória, mas, chegando ao local, foi constatado que a paciente já estava em óbito evidente. O Samu acionou a PM, que por sua vez mobilizou a Polícia Civil para prosseguir com a ocorrência.
O caso foi registrado como feminicídio na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente e segue sob investigação.
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Vinícius Rangel/g1
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