Litoral

Audiência de PM acusado de atirar e matar menino em baile funk é adiada pela 2ª vez e mãe fala em ‘pesadelo’


Caso ocorreu em 2018, em Peruíbe (SP). Tiro atingiu a cabeça da vítima. Rodrigo Marques, de 15 anos, foi morto enquanto participava de um baile funk em Peruíbe, SP
Arquivo Pessoal
A audiência do sargento da Polícia Militar acusado de ser o responsável pelo disparo que matou o adolescente Rodrigo Marques, de 15 anos, que participava de um baile funk na orla de Peruíbe, no litoral de São Paulo, foi adiada pelo segundo dia consecutivo, com nova data ainda a ser definida. Ao g1, a mãe da vítima, que prefere não se identificar, afirma que aguarda por justiça.
“O que mais me deixa triste é não ter nenhuma resposta ainda do estado sobre a morte do meu filho. Ainda não foi marcada uma nova data para a audiência, e é muito triste viver sem um filho, sem saber o que aconteceu. Não conseguimos mais ter um Natal feliz. Eu me tornei uma pessoa triste, amarga, meu filho era tudo para mim, um menino feliz, que gostava de estudar e brincar”, afirma a mãe.
A primeira de duas sessões da audiência aconteceria nesta quarta-feira (9), mas foi adiada. Por sua vez, a segunda audiência, que ocorreria nesta quinta, também foi adiada. Ambas terão que ocorrer em novas datas, ainda não definidas, devido a algumas testemunhas não terem sido encontradas.
De acordo com a mãe, ela estava muito ansiosa para participar das audiências, mas foi surpreendida com os dois adiamentos. “Desde que ele morreu, tiraram uma parte de mim, a vontade de viver, de acordar e ver ele me pedindo café da manhã para ir à escola. Eu quero muito que seja remarcada logo essa audiência, preciso retomar minha vida e ter um pouco de paz. Estou vivendo um pesadelo”, desabafa.
Ainda segundo a mulher, no ano da morte do adolescente, ele havia tirado notas boas na escola, e pediu para sair com os amigos para comemorar. Foi quando aconteceu o crime. “Meu filho tinha sonhos, planos na vida. O sonho dele era estudar e se formar em engenharia, ele sempre me dizia isso. E naquele ano, ele tirou notas tão boas na escola, ficou tão feliz, e pediu para ir curtir com os amigos, mas aconteceu essa tragédia nas nossas vidas”, lamenta.
Familiares e amigos já fizeram protestos pedindo justiça para a morte de adolescente
Arquivo Pessoal
Entenda o crime
O crime ocorreu em 2018. À época, segundo o registro da ocorrência, a vítima foi localizada instantes depois de um grupo de 80 pessoas ser dispersado por uma ação da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Segundo a prefeitura, esse tipo de evento é proibido pelo código de posturas da cidade.
As equipes, segundo a polícia relatou naquele ano, foram recebidas com hostilidade. Os policiais afirmaram que os participantes do baile lançaram pedaços de madeira, garrafas de vidro e pedras contra as viaturas.
Para a Polícia Civil, o sargento da PM – que atuava na Operação Verão e é de Osasco (SP) – contou que fez apenas um disparo para o alto, e em direção à praia, para dispersar a multidão. Ele disse em depoimento que disparou a arma depois que ouviu dois tiros, e que chegou ao local depois de um chamado via Copom sobre um roubo perto do baile funk. Testemunhas, entretanto, relaram que ouviram pelo menos três tiros.
De acordo com o advogado criminalista Enio Pestana, contratado pela família para atuar na assistência de acusação, o policial foi reconhecido por testemunhas como o autor do disparo. “Ele foi reconhecido pelo disparo ter sido deflagrado da arma dele. Os laudos também mostraram o percurso do projétil que partiu da arma. Ele foi denunciado pelo Ministério Público”, diz.
Advogado criminalista Enio Pestana foi contratado pela família para atuar na assistência de acusação
Reprodução
Conforme apurado pelo g1, na denúncia feita pelo MP, o órgão alega que o inquérito aponta que o denunciado, “de forma deliberada e consciente, não querendo, mas assumindo o risco de produzir o resultado morte da vítima, efetuou ao menos dois disparos de arma de fogo em direção à multidão, sendo que um desses tiros acertou a cabeça da vítima”.
Ainda de acordo com Enio Pestana, a primeira e a segunda audiência do caso foram adiadas porque algumas testemunhas importantes ao processo não foram localizadas. Segundo o advogado, ele e a família só tiveram a notícia deste segundo adiamento na tarde desta quinta-feira, após aguardarem cerca de uma hora para acompanhar a audiência.
“A mãe perdeu o sentido de sua vida, vive em tratamento. Os munícipes estão indignados, o clamor público pede que o caso seja levado adiante nos exatos rigores da lei. Isso porque, nessa época [do crime], ocorreram quatro fatos na região de Peruíbe com relação a policiais que atingiram civis que vieram a óbito”, diz Pestana.
Crime aconteceu na orla de Peruíbe, SP, durante baile funk
g1 Santos
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

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