Litoral

Mulher aluga casa para fim de semana com a família e descobre que caiu em golpe: ‘me chamou de trouxa e imbecil’


Vítima pagou R$ 350 antecipados para passar o fim de semana em uma casa de veraneio em Bertioga, no litoral de São Paulo. Mulher alugou casa com piscina em Bertioga, SP, para fim de semana com a família e descobriu que caiu em golpe
Reprodução/Facebook
Uma vendedora de 36 anos, moradora da Zona Leste de São Paulo, afirma que caiu em um golpe ao alugar uma casa de veraneio em Bertioga, no litoral paulista, e que agora passa por crises de ansiedade, após ser ameaçada pelo golpista. Após tentar reclamar com o suposto dono da casa, ele ainda a chamou de “trouxa”, e disse que não alugaria a casa para “favelados”.
Em entrevista ao g1, a vendedora, que prefere não se identificar, contou que o caso ocorreu no último dia 12, porém, por dificuldades para fazer o boletim de ocorrência, o caso só foi registrado na última sexta-feira (18), pela Delegacia Eletrônica.
Segundo ela, é comum para a família alugar casas e ficar em pousadas durante os fins de semana em Bertioga, porém, desta vez, os parentes queriam alugar um imóvel que tivesse piscina. “Logo vi o anúncio e chamei ele pelo Facebook. Ele me passou o contato do WhatsApp, e começamos a conversar por lá”.
Segundo o golpista, a negociação envolveria um contrato para atestar a segurança de ambos os lados. “Ele me avisou que pegava 50% de sinal, me mandou o contrato, pediu meus dados e enviou um documento ‘meia boca’ no Word”, disse.
A vendedora chegou a pagar R$ 350, sete dias antes da data marcada, porém, continuou em contato com o homem durante a semana. “Comecei a desconfiar durante a nossa conversa pelo WhatsApp, quando vi que tinha vários erros de português, mas já tinha feito o PIX, então, não tinha como voltar atrás”.
A mulher afirma que, no contato, ele dizia se chamar “Michel”, mas no contrato, estava com um nome diferente. “Ele ainda teve a cara de pau de dizer que tinha fé em Deus, e que tudo o que fazia era correto”.
A vítima e a família desceram a serra na manhã de sábado (12). Eram cerca de dez pessoas, cinco delas crianças, e uma cachorra paraplégica. “No caminho, ainda fui conversando com ele. Quando cheguei na casa, mandei mensagem pedindo para ele me encontrar, já que ele havia dito que morava na casa ao lado do imóvel alugado”.
A vendedora afirma que começou a enviar mensagens ao “Michel”, mas que ele a bloqueou no WhatsApp. Ela, então, tocou a campainha da casa, e uma mulher que estava no local lhe deu a notícia. “Me disse que eu havia caído em um golpe, e que, só naquela manhã, umas cinco pessoas haviam estado no local dizendo que alugaram a casa”.
‘Ele me chamou de trouxa e me bloqueou’, afirma mulher que caiu em golpe ao tentar alugar casa de veraneio no litoral de SP
Arquivo Pessoal
Inconformada, a vendedora começou a enviar mensagens pelo Facebook e por outro número de WhatsApp. “Ele começou a me ameaçar pelo Messenger, disse que, se eu fosse denunciar ele para a polícia, ele viria até a minha casa”.
Enquanto as crianças choravam por terem perdido o fim de semana de lazer, a vendedora ainda tentou discutir com o golpista, mas, segundo ela, o suporto Michel a tratou com deboche.
Ela afirma que o golpista ainda disse que não alugaria a casa para ela e a família dela, já que eram apenas “favelados”. “Ele mandou mensagens tirando uma onda com a minha cara, e disse que eu deveria trabalhar mais para conseguir alugar uma casa de verdade. O cara me disse que era para eu mandar meu marido trabalhar bastante, assim, poderia enviar mais dinheiro para ele. Ainda por cima, me chamou de imbecil”, conta.
A vítima relata que chegou a tentar contato com a instituição financeira com a qual realizou a transação, mas eles afirmaram que só poderiam ajudar se a polícia entrasse em contato com eles.
A mulher ainda teve dificuldades para fazer o boletim de ocorrência na Delegacia Eletrônica, já que o distrito policial da área onde ela reside passa por reformas. Ela conseguiu registrar o caso na última sexta-feira como estelionato, e a investigação deve ser direcionada à delegacia da cidade onde ocorreu o crime. “Só nesses dias, tive crises de ansiedade e picos de pressão alta, parece que eu vou morrer”, finaliza.
Outras vítimas
Segundo a vendedora, após o caso, ela decidiu criar uma conta alternativa no Facebook para divulgar o golpe que levou, e alertar as pessoas. “Já publiquei em várias páginas, e acabei encontrando pessoas que também caíram no golpe. Ele já aplicou diversos golpes, e não muda nem o número do PIX. A única coisa que muda são os perfis fakes que ele utiliza para divulgar a casa”.
Ela afirma que as vítimas com quem conversou seguem um padrão, são sempre mulheres que trabalham o dia inteiro e que querem tirar um dia de lazer com a família. “Faz dias que não saio de casa, fico apenas de cama. Sei que foram somente R$ 350, mas foi um desespero, minhas crianças chorando, e o meu trabalho do mês inteiro para alugar essa casa foi para o ralo”, lamenta.
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