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Mulher que enxerga vasos da retina sangrando devido à diabetes luta por cirurgia no olho e teme perder a visão


Moradora de São Vicente, no litoral de São Paulo, Andrezza Argento, de 45 anos, foi diagnosticada com retinopatia diabética. Mulher com retinopatia diabética espera por cirurgia há dois anos e corre o risco de ficar cega
Arquivo Pessoal/Reprodução
A auxiliar administrativa Andrezza Argento, de 45 anos, foi diagnosticada com retinopatia diabética, uma doença causada pela diabetes e que afeta os pequenos vasos da retina, região do olho que forma as imagens enviadas ao cérebro. Há dois anos, ela luta por uma cirurgia que lhe traga esperança de ter a sua visão e sua vida de volta. “Eu posso acordar amanhã totalmente cega”, afirmou.
Ao g1, a moradora de São Vicente, no litoral de São Paulo, contou que decidiu ir no oftalmologista pois acreditava que precisava trocar as lentes do óculos para tirar a carteira de motorista. Na consulta, o médico percebeu que havia algo errado e decidiu medir a diabetes. Andrezza não sabia que tinha a doença. O valor de normalidade é de 70 a 99 mg/dl, e ela estava com 426 mg/dl.
Segundo a auxiliar administrativa, não demorou muito para perder toda a visão do olho direito. Aos poucos, foi acordando com a visão cada vez mais embaçada. Atualmente, a retina está deslocada e, para Andrezza, todos os médicos já descartaram a opção de salvá-lo.
Já o olho esquerdo, no último mês, alguns vasos estouraram. Então, ela diz que a visão está embaçada e que vê manchas de sangue. No entanto, apenas ela enxerga porque está dentro da retina, onde não é possível ver a olho nu.
“Eu enxergo o sangue todinho, como se estivesse escorrendo uma cascata de sangue no meu olho”, disse.
A primeira opção foi fazer seis sessões de lasers, mas o resultado não foi o esperado. Desde então, a única saída tem sido a cirurgia. Ela decidiu tentar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Andrezza passou por dois médicos que, de acordo com ela, pediram o procedimento com urgência. Porém, antes da cirurgia, ela precisaria passar por um retinólogo.
Depois de mais de um ano, ela conseguiu a consulta com o especialista, que afirmou que a operação não era uma opção, pois poderia piorar o único olho que ainda enxergava. Então, recebeu alta médica. “Como sou eu que vou ficar cega, eu tenho que correr atrás”. Andrezza busca fazer a cirurgia particular, pois para tentar pelo SUS terá que começar desde a primeira etapa.
A auxiliar administrativa acredita que a cirurgia é a única opção de fazer a visão melhorar, mesmo que não tenha a garantia que dará certo. O procedimento, que segundo ela, custa R$ 30 mil, vai retirar os vasos estourados e aplicar um óleo de silicone, que deverá ser retirado após três a quatro meses, para ser substituído pelo líquido do olho.
Por enquanto, o único tratamento é controlar a diabetes para que a situação dela não piore. “Se voltar como estava antes de estourar ainda estava bom, porque eu conseguia até trabalhar”, afirmou Andrezza, que está afastada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
“Eu tenho dificuldade de andar na rua, porque eu não tenho confiança. Eu não enxergo a diferença do degrau com a calçada. Se tiver muito claro, a claridade me incomoda. Muito escuro, também. Tem que estar em um ambiente meia luz para cozinhar, para tudo. Eu não tenho certeza do que estou enxergando. É tão embaçado que se cair um negócio no chão, eu tenho que ficar pedindo para alguém olhar para mim, porque eu não consigo ver”, finalizou.
O g1 entrou em contato com a Prefeitura de São Vicente, mas a administração municipal não se posicionou sobre o caso até a última atualização desta reportagem.
Especialista
O médico oftalmologista Guilherme Colombo Barboza explicou que a diabetes é a alteração da glicemia, que provoca diversas manifestações no corpo. Nos olhos, ela prejudica principalmente a retina, ocasionando à retinopatia diabética.
“Acomete os vasos da retina, alterando a permeabilidade provocando edemas, hemorragias e podendo levar à cegueira”, explicou.
De acordo com o especialista, os principais sintomas são a visão embaçada, manchas, perda central e distorção na imagem. Ele acrescenta que por ser uma doença complexa o tratamento consiste em controle da glicemia, exames periódicos para avaliação, tomografia e angiofluoresceinografia [exame para analisar as condições dos vasos sanguíneos da retina e da coroide], além de laser e cirurgias.
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