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Rússia formaliza incorporação de 15% de território da Ucrânia com cerimônia para dar legitimidade à anexação ilegal


Evento tem telão, outdoors, concerto na Praça Vermelha em Moscou e transmissão de discurso de Vladimir Putin, o presidente russo. Praça Vermelha em Moscou com uma faixa na qual se lê ‘Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia, Kherson – Russia!’
Evgenia Novozhenina/Reuters
Uma cerimônia nesta sexta-feira (30) marca a tentativa de anexação de quatro regiões da Ucrânia pela Rússia. O presidente Vladimir Putin deve assinar documentos que, para os russos, formalizam a incorporação dos territórios (cerca de 15% da área da Ucrânia) ao país deles.
A incorporação dos territórios é uma violação do direito internacional.
As quatro regiões são as seguintes:
Donetsk,
Luhansk,
Kherson e
Zaporizhzhia.
O exército russo e os separatistas dessas regiões conseguiram ocupar partes significativas dos quatro territórios, mas não a totalidade (veja mapa abaixo).
Mapa mostra regiões da Ucrânia dominadas pela Rússia
Arte g1
Nessas regiões houve um referendo organizado pela Rússia para que os moradores decidissem se são favoráveis à anexação —a Ucrânia, organizações multilaterais como a ONU e os países do Ocidente afirmam que a votação foi apenas uma encenação para justificar a incorporação dos territórios.
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O referendo é considerado ilegítimos pelos seguintes motivos:
A Rússia invadiu militarmente a Ucrânia em fevereiro;
Parte da população deixou a região por causa da guerra;
Os eleitores foram coagidos;
Não houve observadores independentes;
O governo da Ucrânia disse para seus cidadãos não participarem.
A Ucrânia afirma que ainda vai lutar para retomar todos os seus territórios, e conta com os países do Ocidente para receber armas.
Os líderes que a Rússia colocou para governar as regiões ocupadas na Ucrânia foram para Moscou para participar da cerimônia de incorporação dos territórios. A Justiça e o Legislativo devem aprovar os tratados assinados.
A TV estatal fez uma contagem regressiva para o momento em que Putin anunciar a anexação, às 15h em Moscou, (9h de Brasília). Putin deve fazer um discurso no momento.
O governo russo anunciou que vai fazer um concerto na Praça Vermelha na sexta-feira após a assinatura dos tratados.
Uma telona foi colocada na Praça Vermelha para exibir os eventos e também outdoors nos quais se lê “Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia, Kherson — Russia!”.
A cerimônia é semelhante à de 2014, quando Putin tomou uma outra região da Ucrânia, a Crimeia.
A ideia é fazer uma cerimônia grande para dar um verniz de legitimidade à tomada de território de outro país.
Críticas à anexação
Na quarta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a Rússia viola o direito internacional e que esse é um momento de perigo. “Qualquer anexação do território de um Estado por outro Estado resultante da ameaça ou uso da força é uma violação dos Princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou ele.
Ele afirmou que prosseguir com a anexação das regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia na Ucrânia é uma medida sem valor legal.
Os Estados Unidos e seus aliados prometeram adotar ainda mais sanções do que já impuseram contra a Rússia e oferecer milhões de dólares em apoio extra à Ucrânia.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu nesta quinta-feira (29) que “nunca, nunca, nunca” reconhecerá os resultados dos referendos “orquestrados pela Rússia” na Ucrânia, que descreveu como uma “violação flagrante” dos princípios internacionais.
“Quero ser muito claro sobre isso. Os Estados Unidos nunca, nunca, nunca vão reconhecer as reivindicações da Rússia sobre o território soberano da Ucrânia”, afirmou Biden.
Reação da Ucrânia
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, convocou uma reunião de emergência na sexta-feira do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia.
A Ucrânia tem repetido que pretende recapturar as quatro regiões, assim como a Crimeia.
De sua parte, a Rússia se compromete a defender todo o seu território – incluindo regiões recém-anexadas – por todos os meios disponíveis, incluindo armas nucleares.
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Os avanços da Ucrânia
A Ucrânia conseguiu recapturar parte das regiões que as forças russas haviam ocupado e que fazem parte do território que a Rússia diz estar anexando.
Depois de recuperar grande parte do nordeste de seu território, a Ucrânia parece preparar uma operação para tentar reconquistar Lyman, uma cidade da região de Donetsk que é um importante centro ferroviário que o exército russo controla desde maio.
As forças ucranianas recuperaram o controle da cidade de Kupiansk, no nordeste, e expulsaram tropas russas da margem oriental do rio Oskil.
As tropas ucranianas mantêm silêncio sobre as operações em curso, mas as autoridades separatistas na região já admitiram a dificuldade dos combates.
As ameaças da Rússia
Os russos continuam bombardeando várias cidades ucranianas.
O presidente Vladimir Putin ameaçou a Ucrânia ao dizer que poderia usar armas nucleares. Autoridades e analistas russos afirmaram que, quando estas áreas forem anexadas e consideradas por Moscou como parte de seu território, a Rússia poderá usar armas nucleares para “defendê-las”.
A Rússia anunciou uma convocação de 300 mil reservistas.
Vazamentos em dutos
Houve vazamentos em dois oleodutos que atravessam o fundo do Mar Báltico provocados por explosões misteriosas. Os dutos são da Nord Stream e ligam a Rússia à Alemanha, e são imporrtantes para o abastecimento europeu de gás russo.
Os dois lados trocam acusações sobre sabotagens às tubulações submarinas.
Operados por um consórcio controlado pela empresa russa Gazprom, os dois gasodutos não estavam em funcionamento, devido à guerra na Ucrânia, mas ainda estão repletos de gás.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmou na quinta-feira que os danos parecem ser resultado de “atos de sabotagem deliberados e irresponsáveis”.
Alvo de suspeitas ocidentais pela suposta sabotagem, a Rússia se defendeu e afirmou que suspeita “do envolvimento” de um Estado estrangeiro, além de ter convocado uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o tema para sexta-feira.
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