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Mulher com câncer de mama precisa entrar na Justiça para convênio liberar tratamento: ‘vou acabar morrendo’


Thuanny Freire de Oliveira mora em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Advogada dela afirma que o caso da cliente é de risco de morte e alta complexidade. Thuanny Freire de Oliveira, de Praia Grande, entra na Justiça para convenio liberar tratamento contra o câncer de mama
Arquivo pessoal
Uma mulher de 30 anos, diagnosticada com câncer de mama invasivo e agressivo, entrou na Justiça para receber o tratamento pelo convênio médico. Thuanny Freire de Oliveira mora em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo informações passadas ao g1 neste domingo (20), por meio da advogada dele, Thuanny aguarda há mais de cinco meses para iniciar as quimioterapias e realizar uma cirurgia.
“Eles me mandam só esperar. O tempo está passando e eu sem tratamento e sem esperanças. Olho para o meu filho de 4 anos e só penso que vou acabar morrendo por negligência. Sempre paguei o plano de saúde em dia. Quando descobri essa doença meu mundo desabou. Para completar eu tenho uma mutação rara chamada brca1, que será necessário tirar as duas mamas e ovário”, desabafou Thuanny.
A advogada Paula Moreira Cezar, relatou que a cliente foi diagnosticada com o câncer em 2 de junho de 2022, porém, até o momento, não conseguiu iniciar o tratamento pelo plano de saúde Trasmontano.
“Após mais de 5 meses sem iniciar o tratamento, sendo que por lei o plano tem 60 dias de prazo para o início de tratamento de câncer, a Thuanny me procurou para entrar com as medidas judiciais cabíveis, no sentido de pedir uma liminar para que o plano de saúde forneça ou custeie o tratamento com máxima urgência, tendo em vista a gravidade do caso”, disse Paula.
A profissional afirmou que, a princípio, a empresa justificou a demora no início do tratamento porque, segundo ela, o único médico da especialidade disponível havia saído do convênio. Ela completou dizendo que neste mês um novo médico foi conveniado e, em consulta, forneceu os laudos e pedidos para Thuanny iniciar as quimioterapias e posteriormente cirurgias.
Segundo a advogada, ao solicitar a autorização junto ao plano de saúde, o atendimento foi negado sob a justificativa da falta de um exame chamado PDL1 imunocistoquimico, que demoraria 25 dias úteis para obter o resultado. Após este prazo, com o resultado do exame em mãos, ela teria que pedir novamente a autorização.
“Este exame não foi solicitado por nenhum dos médicos como condição para o tratamento. A administração do plano está utilizando esta artimanha para atrapalhar ainda mais o início do tratamento da paciente”, disse a advogada.
De acordo com Paula, o exame solicitado avalia a necessidade de um tratamento mais caro que os demais. “Tendo em vista a gravidade do caso, pode custar até R$ 33 mil cada aplicação [de quimioterapia]. Está claro que o plano de saúde tenta esquivar-se deste custeio e vislumbra somente o lucro financeiro, e não garantir a vida e a saúde de seus clientes/pacientes”.
Diante da situação, a advogada encaminhou o caso à Justiça. Ela informou que o processo judicial foi protocolizado no dia 16 de novembro e concluso para o despacho do juiz.
“O juiz não apreciou a liminar porque quer comprovantes para gratuidade de Justiça, mesmo sendo caso de risco de morte e de alta complexidade. Absurdo o Judiciário com tanta burocracia. Estou providenciando os documentos que ele pediu e irei juntar no processo e pedir novamente a liminar”.
A reportagem do g1 solicitou o posicionamento do plano de saúde, porém, até a última atualização desta reportagem não havia recebido uma resposta.
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