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Homem atingido por rojão no litoral de SP está traumatizado: ‘poderia ter explodido minha perna’


Vítima de 51 anos disse que artefato bateu na perna e explodiu. Ele disse ter visto uma outra mulher com um ‘buraco’ nas costas também causado por um rojão. Caso aconteceu durante a virada do ano em Bertioga (SP). Ferimento causado por rojão durante Réveillon (à esquerda). Local do acidente na faixa de areia de Bertioga (SP) (à direita)
Arquivo Pessoal
Um homem ficou ferido após ser atingido por fogos de artifício na orla da praia da Enseada, em Bertioga, no litoral de São Paulo, durante o Réveillon. Ao g1, neste domingo (8), o servidor público Guilherme Tavernezi, de 51 anos, disse que ficou traumatizado em imaginar que o pior poderia ter acontecido. Este é o terceiro acidente com rojões na virada 2022/2023 a se ter conhecimento. Em Praia Grande (SP), uma mulher morreu e três pessoas ficaram feridas.
O servidor público contou que não queria ir à praia justamente por não gostar de fogos de artifício, mas disse ter sido convencido pela família. Apesar de ter ficado atento aos artefatos, Guilherme foi surpreendido com um rojão rodando descontroladamente na faixa de areia, onde estava.
“Eu virei para proteger o rosto, e senti um calor na minha perna. Imaginei que a bermuda tinha pegado fogo, porque foi um calor muito grande. Quando eu olhei, a minha perna estava toda branca e achei que tinha arrancado a pele. Mas, depois, quando eu cheguei em casa e lavei com água e percebi que aquele branco era da pólvora do rojão”, explicou.
Segundo Guilherme, após atingir a perna, o rojão explodiu e “formou uma bola de fogo” entre ele e a esposa, que não se feriu, mas ficou sem escutar por alguns segundos. Após o ocorrido, moradores e turistas partiram para cima do homem que soltou o o rojão.
Homem mostra marcas de rojão que o atingiu durante a virada do ano em Bertioga (SP)
Arquivo Pessoal
“Depois dos meus segundos de susto eu vi uma mulher com um buraco nas costas que parecia um tiro. Ela também tinha sido atingida [pelo rojão]”, acrescentou.
Guilherme afirmou que nunca mais passará a virada do ano na praia. Ele também disse ser totalmente contra fogos de artifício, principalmente pelo barulho prejudicial aos animais. A vítima foi à praia, inclusive, porque a prefeitura não promoveu queima de fogos.
“Não saí da minha cabeça, principalmente pelo fato do falecimento dessa mulher na Praia Grande, que poderia ter sido comigo ou com a minha esposa. Na verdade, nós demos muita sorte. Essa queimadura na perna saiu barato. Poderia ter sido atingido nos olhos, e eu ficado cego, ou explodido na minha perna”.
O servidor público está bem, mas ainda sente dores devido à formação de bolhas na perna. Agora, Guilherme espera que as autoridades tomem providências para intensificar a fiscalização e proibir rojões na região.
Casos com vítima fatal e família ferida
Elisângela Tinem, de 38 anos, morreu após um rojão ficar preso no corpo dela e explodir logo após a virada do ano na faixa de areia do bairro Nova Mirim, em Praia Grande (SP). Um primo da vítima que não teve a identidade divulgada disse à polícia que, durante a queima de fogos, o rojão se prendeu no vestido dela e, antes que os familiares conseguissem retirá-lo, explodiu. Os fogos não eram da família.
Mulher morre ao ser atingida por fogos de artifício em Praia Grande
O outro caso foi com três pessoas da mesma família. Eles ficaram feridos após serem atingidos por fogos de artifício durante a festa de Réveillon na orla da praia da Guilhermina, também em Praia Grande. A pedagoga Érika Panca, de 26 anos, sofreu uma queimadura na mão e ficou com a barriga ferida. Além disso, a esposa dela teve um ferimento causado pelo rojão na coxa, e o tio um corte na perna.
Três pessoas da mesma família ficam feridas após serem atingidas por fogos de artifício, na praia da Guilhermina, em Praia Grande (SP)
Arquivo Pessoal
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que foram realizadas forças-tarefas na noite da virada do ano por equipes das Secretarias de Urbanismo, Segurança Pública, Trânsito e Meio Ambiente para coibir a comercialização e utilização de fogos de artifício na cidade, mas que não ocorreu autuação ou apreensão relacionada à atividade.
A administração ressaltou, ainda, que, de acordo com a Lei Municipal n° 744, de outubro de 1991, é proibido a venda e comercialização de fogos de artifício no município, e que conta com o apoio da população para que não utilize este tipo de produto, que coloca em risco a vida das pessoas.
O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Bertioga para questionar a fiscalização em relação aos rojões e fogos de artifício, mas não obteve resposta até a publicação da matéria.
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