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Decreto achado na casa de Torres é ‘elo perdido’ entre atos pós-derrota de Bolsonaro e terrorismo em Brasília, diz Dino

Ministro da Justiça ressalvou que investigações ainda vão apontar quem escreveu o texto. Rascunho propõe ‘estado de Defesa’ e levanta dúvida sobre eleições; juristas apontam inconstitucionalidade. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou nesta sexta-feira (13) que a minuta de decreto encontrada pela Polícia Federal na casa do ex-ministro Anderson Torres pode ser um “elo perdido” entre o resultado das eleições presidenciais – contestado, sem provas, por bolsonaristas – e os atos terroristas do último domingo (8) em Brasília.
Segundo Dino, o material aponta uma relação de “causa e efeito” entre o discurso de contestação das eleições e a radicalização dos atos.
Leia a ÍNTEGRA do decreto
“O documento configura um elemento fundamental para a compreensão da causa e efeito. O documento é um nexo de uma relação de eventos que se inaugura no dia 30 de outubro, dia do segundo turno, e chega ao dia 8 de janeiro”, disse Dino.
“O documento é uma espécie de elo perdido entre uma sucessão de eventos, mostrando que não eram casos isolados. E sim, que havia um engendramento, um planejamento. O documento materializa isso”, prosseguiu.
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Cronologia
Em outubro do ano passado, após a vitória de Lula nas urnas, apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro passaram a fazer bloqueios ilegais em rodovias – os bloqueios foram desfeitos posteriormente após determinação judicial.
No último dia 8, vândalos bolsonaristas radicais invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Os terroristas depredaram os prédios, destruíram obras de artes e danificaram móveis e equipamentos.
Nesta quinta (12), foi revelado que a Polícia Federal (PF) encontrou na casa de Anderson Torres uma minuta de um decreto para instaurar estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mudar o resultado das eleições de 2022.
Autoria do documento é dúvida
Flávio Dino fez a ressalva, na entrevista, de que a autoria da minuta de decreto encontrada na casa de Anderson Torres ainda será investigada.
“Claro que ele materializa, mas não temos – e não podemos ter agora – certeza de autoria. Quem diz a autoria é o delegado que preside o inquérito, e o Poder Judiciário. Mas não há dúvida de que o documento é relevantíssimo, na medida em que configura melhor a compreensão da totalidade dos acontecimentos”, acrescentou o ministro da Justiça.
Após a revelação de que o documento havia sido encontrado, Torres afirmou em uma rede social que o documento “foi vazado fora do contexto ajudando a alimentar narrativas falaciosas” contra ele.
Anderson Torres está nos Estados Unidos e teve a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes tomou a decisão ao atender a um pedido da PF.

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