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Garrafa de soda cáustica ingerida por adolescente que morreu não seguia as normas da Anvisa; entenda


Jovem foi visto tomando o líquido por duas vezes. Na primeira teria cuspido, enquanto na segunda disse que estava queimando. Caso aconteceu em Guarujá, no litoral de SP. Garrafinha usada para vender água de coco não poderia armazenar soda cáustica, conforme as normas da Anvisa
Arquivo A Tribuna/ Arquivo Pessoal
O adolescente de 16 anos que morreu ao ingerir soda cáustica como se fosse água, em um comércio em Guarujá, no litoral de São Paulo, tomou o líquido de uma garrafinha semelhante àquelas em que servem sucos e água de coco, contou uma testemunha à polícia. De acordo com a Anvisa, a Resolução RDC nº 697, de 13 de maio de 2022, estabelece que a soda cáustica deve estar em embalagem plástica rígida, reforçada e resistente à ruptura.
A testemunha do caso disse o menino deu um gole e cuspiu o líquido, mas voltou a beber e reclamou que estava queimando. A mesma testemunha socorreu o jovem Heitor Santos Poncidônio ao Pronto-Socorro Municipal de Vicente de Carvalho. O delegado responsável pelo caso, Flavio Magario, do 2ºDP, disse que “é certo que a vítima bebeu um líquido no local dos fatos e que este líquido provocou a internação dele”.
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A Anvisa explica que produtos corrosivos à pele ou que causam lesões graves, que é o caso da soda cáustica, precisam estar em embalagens resistentes e estruturadas, mesmo depois de abertas.
O órgão esclarece que a empresa que vender o líquido deve apresentar um registro na Anvisa que comprove a eficiência da tampa e do recipiente que será armazenado o produto, conforme a norma ISO 8317 [exigências e os métodos para embalagens resistentes à abertura por crianças].
Veja quais observações que devem constar no rótulo das embalagens:
Perigo de queimaduras graves
Produto corrosivo sobre os tecidos da pele, olhos e mucosas
Produto deve ser mantido fora do alcance de crianças e animais domésticos.
Fazer o uso da proteção individual como; óculos, roupas e luvas de calçados de proteção
Conservar unicamente no recipiente de origem
Lavar a pele cuidadosamente após manuseamento
Em caso de ingestão, tomar muita água ou leite imediatamente
Investigação
Segundo Magario, como houve um intervalo de tempo significativo entre a ingestão do líquido, em 1º de dezembro, e a morte do jovem, em 9 de janeiro, a Polícia Civil aguarda o laudo do Instituto Médico Legal para confirmar a relação da ingestão do produto químico com as lesões que ocasionaram o óbito.
A autoridade policial disse, ainda, buscar mais testemunhas que possam contribuir para investigação. O delegado quer saber se alguém ofereceu a soda cáustica à vítima. “Depois disso vamos avaliar se foi doloso ou culposo [sem intenção ou com intenção de matar], por imprudência ou negligência”.
O caso
De acordo com o boletim de ocorrência, Heitor saiu de casa para comprar cloro e desinfetante para a avó, no dia 1º de dezembro, em um comércio em Vicente de Carvalho.
Segundo o documento, a família alega que Heitor teria pedido um pouco de água e recebido uma garrafa com o produto químico. Ele tomou soda cáustica por engano como se fosse água. O dono do comércio e um funcionário estiveram na delegacia e negaram a história.
O comércio disse, em nota, que Heitor pediu desinfetante e, enquanto aguardava para ser atendido, outro cliente pediu um frasco de soda cáustica. O adolescente, ainda de acordo com o estabelecimento, teria pegado a garrafa, aberto e a colocado debaixo do braço, vindo a derramar parte o produto no chão.
Naquele momento, segundo o comércio, um funcionário o alertou: “Cara isso é soda”. Mesmo assim, de acordo com o estabelecimento, o menino teria levado a garrafa à boca e, depois, vomitou.
A morte
Heitor morreu em 9 de janeiro, dois dias após começar a sentir dores abdominais. A prima do adolescente disse que ele foi levado à Casa de Saúde de Guarujá, passou por consulta médica e, como o coração estava acelerado, foi colocado no soro. Eduarda explicou que coletaram o sangue do garoto e o resultado revelou uma “inflamação no estômago e que as plaquetas estavam altas”.
No dia em que morreu, Heitor havia sido encaminhado para fazer uma endoscopia e, segundo a prima, saiu da sala precisando de reanimação. “Foi imediatamente para sala de emergência, onde vários médicos tentarem reanimá-lo, porém sem êxito”.
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