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‘Vou usar meu conhecimento da universidade pública a serviço da sociedade’, diz Ethel, nova secretária de saúde do governo federal


Ethel Maciel é doutora em epidemiologista e contou sobre os desafios que vai enfrentar ocupando o novo cargo. A cientista é natural de Baixo Guandu, Região Norte do Espírito Santo. Ethel Maciel, professora da Ufes
Reprodução/TV Gazeta
Ethel Maciel foi anunciada na tarde desta segunda-feira (2) como a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), no Ministério da Saúde. A cientista, natural de Baixo Guandu, Região Norte do Espírito Santo, tem uma vida dedicada à pesquisa e à popularização da ciência no Brasil e no mundo.
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Em entrevista ao g1, a cientista contou sobre o sentimento como epidemiologista formada pela rede pública em assumir o novo cargo.
“Assumir essa secretaria, eu como enfermeira epidemiologista, é uma possibilidade de colocar esse conhecimento que eu adquiri ao longo do tempo. Principalmente sendo formada pelas nossas instituições públicas do país, pelas nossas universidade, colocar esse conhecimento a serviço da sociedade. E é isso que eu estou preparada para fazer, e tenho esse compromisso com as nossas instituições e com a sociedade.
A doutora em Epidemiologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) disse que a tarefa é grande. ‘Eu tenho consciência desse desafio e dessa responsabilidade que a ministra e o governo Lula me convidaram para compor essa equipe’, disse.
Ethel também falou sobre os principais desafios e as mudanças na Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente.
“Essa terça é o meu primeiro dia oficial na secretaria e os desafios são enormes, a gente vai ter esse primeiro momento para fazer um diagnóstico de todos os departamentos, todas as coordenações, para poder entender melhor o momento que nós estamos. Muitos departamentos estão com protocolos, guias de vigilância desatualizados, temos o problema da própria imunização, que agora ganha uma centralidade”, explicou.
Ethel também falou sobre o PMI, que foi criado como o Programa Nacional de Imunização. ” O programa que remonta a ideia, a época do regime militar, que tinha essa ideia das campanhas de vacinação. Então era um programa como algo que tinha um caráter temporário de campanhas, pontuais, e que ganha agora uma centralidade virando um departamento de imunização e doenças imunopreviníveis”, explicou Ethel.
A cientista reforçou que a prioridade do novo governo e da pasta é a recuperação das altas coberturas vacinais no país.
“Tem toda uma nova estrutura que é prioridade do governo Lula e é prioridade da Ministra: a recuperação das altas coberturas no brasil. E diante de tudo que aconteceu no governo que se encerrou, todo o negacionismo científico, o movimento antivacina sendo fomentado por próprios agentes do governo”, explicou.
A cientista reforçou que o desafio é grande para recuperar essas altas coberturas vacinais e a primeira ação será a restituição de todos os comitês científicos, para todas as áreas, que foram finalizados com um decreto logo no início do governo Bolsonaro.
“A Primeira ação da Ministra é uma ação super importante porque esses comitês científicos também incluem movimentos sociais”, contou a cientista.
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Ethel comentou também sobre a mudança do nome da secretaria.
“E a SVSA que agora muda de nome, mas não só uma mudança de nome, mas de conceito. Porque a inclusão, essa mudança de secretaria de vigilância em saúde para vigilância em saúde e ambiente, ela tem essa ideia de saúde única. De que a saúde e, principalmente, a gente pegar como exemplo as últimas pandemias de Covid-19, monkeypox e o próprio zikavírus, a gente vê a estreita relação entre a espécie humana e animais. É muito importante que essa vigilância então inclua o ambiente na lógica da secretaria”, disse.
Ethel Maciel
Reprodução/Fernando Madeira
Currículo

Referência na pesquisa de doenças infecciosas, Ethel teve o primeiro contato com a pesquisa por meio de uma bolsa de Iniciação Científica disponibilizada para estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde se formou em Enfermagem.
Ethel fez mestrado, doutorado, pós- doutorado, tudo simultaneamente a criação dos seus filhos, que hoje têm 31, 23 e 17 anos.
Realizou o sonho de estudar na universidade referência em epidemiologia no mundo – Hopkins University -, ser bolsista por produtividade no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e de ser consultora em tuberculose da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Desde o início da pandemia, Ethel desempenhou um papel importante entre os pesquisadores no combate à covid-19. Entre as contribuições, a cienstista participou do grupo “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional Vacinação Covid-19”, criado pelo Ministério da Saúde, no qual pesquisadores e profissionais da saúde se encarregaram de definir os grupos prioritários da vacinação.
Enfermeira, doutora em Epidemiologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pós-doutora em Saúde Pública e Epidemiologia pela Johns Hopkins University (EUA) e professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel atualmente também é referência na pesquisa de doenças infeccionas, como a Covid-19, zika vírus, febre amarela, monkeypox e, em especial, a tuberculose.
Atuação
Atualmente, a cientista é membro do grupo assessor para eliminação da tuberculose nas Américas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), e também representa o Brasil na Rede Governamental de Pesquisa em Tuberculose dos países do BRICS, um agrupamento de países de mercado emergente em relação ao seu desenvolvimento econômico.
Ethel também é presidente da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (REDE-TB) e membro do Grupo Técnico Assessor de Tuberculose no Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na universidade onde leciona, a Ufes, Ethel foi vice-reitora no período de 2013 a 2020. Em 2019, foi eleita para o quadriênio 2020-2024 como a primeira mulher para comandar a universidade pela maioria dos professores, servidores, alunos da universidade e pelo Conselho Universitário. Mas a cientista teve o nome preterido na lista tríplice apresentada ao governo federal e não foi nomeada pelo presidente Jair Bolsonaro.
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