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Saiba como evitar o gaslighting médico


Comportamento tóxico de minimizar as queixas dos pacientes, ou atribuir sintomas ao estado emocional da pessoa, não pode ser tolerado O assunto de hoje é um prolongamento natural da primeira coluna do ano, sobre a necessidade de atualização do currículo dos cursos de medicina. Eu me refiro ao gaslighting, termo normalmente empregado para descrever o abuso psicológico no qual o homem desqualifica a fala da mulher – e até a tacha de louca – mas que pode ocorrer nos consultórios. Médicos que ignoram ou minimizam as queixas dos pacientes, deixam de pedir exames ou atribuem sintomas ao estado emocional da pessoa, também estão fazendo gasligthing. Mulheres, integrantes de comunidades marginalizadas – nas quais incluo os idosos – e LGBTIQA+ são as vítimas mais frequentes. De acordo com o psicólogo Matthew Boland, colaborador da plataforma HealthLine, há algumas pistas para detectar se você é vítima desse tipo de comportamento tóxico:
Médico e paciente: relação tóxica na qual o profissional de saúde minimiza as queixas ou atribui sintomas ao estado emocional da pessoa é conhecida como gastlighting
Max para Pixabay
Seu médico lhe dedica pouco tempo e não faz perguntas detalhadas para o acompanhamento do seu caso.
Sintomas relatados, principalmente os relacionados com alguma dor, não são valorizados e é comum escutar o comentário: “isso não é nada”.
O médico atribui suas queixas a questões psicológicas, mas não explica o motivo de ter chegado a tal conclusão.
Não se conforme com a situação e tome providências para virar o jogo. Aqui vão algumas sugestões para enfrentar o gaslighting:
Pesquise sobre seus sintomas e doenças. Ignore ironias ou reclamações por estar consultando o “doutor Google”, mas utilize fontes confiáveis. Médicos não são infalíveis e nem todos se preocupam em estar atualizados com as últimas descobertas na área da ciência.
Tome notas dos sintomas, porque a informação pode ser útil para identificar um padrão relacionado a alguma enfermidade. Enfatize a severidade do que sente e detalhe as características da dor ou do desconforto, explicando o impacto que provoca no dia a dia. É incrível como médicos acham que, na velhice, é obrigatório sentir dor.
Leve uma lista de perguntas e comece a consulta expondo suas dúvidas e preocupações. Assim você já diminui a ansiedade e não corre o risco de esquecer temas importantes.
Peça a um amigo ou familiar para ser seu acompanhante e servir de apoio. Ele pode tomar notas e funcionar como uma “cópia de segurança” da conversa.
Fique atento a comportamentos potencialmente preconceituosos, ainda mais se for mulher, trans, afrodescendente, idoso, tiver uma deficiência ou problema emocional, ou apresentar um físico fora dos padrões convencionais. Pessoas obesas ouvem, com frequência, que seus problemas vão desaparecer quando perderem peso. Não aceite rótulos de que está agindo de forma dramática ou é demasiadamente sensível. Nos EUA, pesquisas mostram que negras recebem menos atenção (e medicação) para a dor do que brancas e asiáticas.
Não deixe de procurar uma segunda opinião caso se sinta desconfortável. Se avaliar que houve falha grave na atuação do profissional, encaminhe uma reclamação por escrito: para a direção do hospital ou o conselho regional de medicina.

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