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‘Cooperação ou conflito’: Blinken se reúne com Xi Jinping em Pequim em meio a tensões entre China e EUA; relembre casos recentes


Secretário de Estado dos EUA foi a Pequim em viagem para tentar aliviar tensões entre os dois países intensificada após Washington derrubar suposto balão de espionagem chinês. Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken (à esquerda), em encontro com o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim, em 19 de junho de 2023.
Leah Millis/ AP
Em um encontro não programado, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, se reuniu nesta segunda-feira (19) com o presidente chinês, Xi Jinping.
Este foi o primeiro encontro de alto escalões dos dois países desde o polêmico episódio de um suposto balão de espionagem chinês que sobrevoou os céus dos Estados Unidos em fevereiro e foi derrubado pelas Forças Armadas dos EUA.
A viagem de Blinken – o principal alto escalão do governo Biden – tinha como objetivo justamente aliviar as tensões que cresceram entre as duas principais potências econômicas mundiais nos últimos meses.
A relação entre Estados Unidos e China foi estremecida ao longo do último ano por questões como:
O balão “espião” – Em fevereiro, os Estados Unidos afirmaram que um balão de espionagem sobrevoava os céus da costa oeste do país, e acusou a China de enviar o equipamento. Pequim confirmou que o balão era chinês, mas negou a espionagem. Disse que o equipamento tem fins de pesquisa e se perdeu com os ventos. Quando foi levado para o mar, o balão foi então derrubado por militares norte-americanos, que recuperaram os destroços. O Pentágono, após analisar o material, afirmou que ele tinha capacidade de monitorar sinais de comunicação;
Taiwan – Washington apoia o governo autônomo de Taiwan, ilha que Pequim considera parte de seu país país. No ano passado, a então presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, fez uma visita surpresa a Taipei, o que a China considerou uma provocação. As semanas seguintes foram marcadas por fortes manobras militares de Pequim ao redor da ilha.
Rivalidade no setor de tecnologia – Biden vem incentivando a indústria doméstica de chips, baterias e carros elétricos para fazer frente à produção da China e já deu incentivos de US$ 52 bilhões (cerca de R$ 262 bilhões) ao setor para barrar a importação chinesa, o que vem irritando Pequim.
Disputas no Mar da China – Nos últimos meses, as Forças Armadas dos dois países têm protagonizado incidentes militares no Mar da China, em um trecho que Pequim reivindica como seu, mas a maioria dos países afirmam serem águas internacionais.
Helicópteros militares chineses sobrevoam a ilha de Pingtan, um dos pontos mais próximos da China continental de Taiwan, na província de Fujian
Héctor Retamal / AFP Photo
Apesar das tensões, Xi usou um tom ameno em discurso após uma reunião a portas fechadas. Disse que a China tem todo o interesse em melhorar e criar uma “relação estável” entre os dois países. Mas pediu uma “atitude racional e pragmática” de Washington em assuntos que envolvam Pequim.
Já Blinken disse que o presidente dos EUA, Joe Biden, acredita que os dois países “têm obrigação” de se dar bem, e que Washington está disposta a isso.
Antes de encontrar com Xi, o secretário norte-americano se reuniu com o chanceler chinês, Wang Yi, que afirmou que as duas potências devem escolher entre “cooperação ou conflito”.
“A viagem do senhor secretário de Estado a Pequim acontece em um momento crítico nas relações China-Estados Unidos. É necessário escolher entre o diálogo e o confronto, a cooperação ou o conflito”, afirmou Wang Yi a Blinken, de acordo com o canal estatal CCTV.
Suposto balão espião da China sobrevoa os Estados Unidos
O secretário de Estado norte-americano foi ainda recebido no domingo (18) pelo ministro chinês das Relações Exteriores, Qin Gang, que na hierarquia do governo chinês está abaixo de Wang Yi.
A portas fechadas, Qin disse a Blinken que as relações entre Estados Unidos e China “estão no ponto mais baixo desde que as relações diplomáticas foram estabelecidas” em 1979, de acordo com a CCTV.
O encontro durou sete horas e meia, mais do que o tempo inicialmente previsto, e as duas partes concordaram em manter as linhas de comunicação abertas para evitar futuros conflitos.
As conversas de domingo foram “sinceras, substantivas e construtivas”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller.
“Isto não está de acordo com os interesses fundamentais dos dois povos, nem atende às expectativas comuns da comunidade internacional”, acrescentou Qin.
Xi Jinping se mostrou conciliador na semana passada ao receber Bill Gates, o bilionário americano do setor de tecnologia que se tornou um filantropo.
“Você é o primeiro amigo americano que encontro em Pequim este ano. Nós sempre depositamos nossas esperanças no povo americano e esperamos que a amizade continue entre os povos dos dois países”, disse Xi Jinping na ocasião, segundo a imprensa estatal chinesa.

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