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Quase um mês após crime, corpo de brasileiro morto a tiros nos EUA por brincar com cachorro não foi liberado para translado: ‘Desumano’, diz mãe


Matheus Gaidos era da Zona Leste de São Paulo e morava havia 5 anos nos Estados Unidos, onde trabalhava como entregador de flores. Jovem foi assassinado após brincar com o cachorro de um homem em Oakland, Califórnia; polícia procura suspeito. Matheus Gaidos, de 27 anos, era entregador de flores
Arquivo Pessoal
Quase um mês após o brasileiro Matheus Gaidos ter sido assassinado a tiros por brincar com o cachorro de um homem, em Oakland, Califórnia, Estados Unidos, o corpo do jovem ainda não foi liberado para translado até São Paulo, onde mora a família.
“Vai fazer um mês e ainda não consegui realizar o translado para o sepultamento do meu filho. Todos os dias eu ligo para saber, porém eles falam que eu tenho que aguardar. Muito difícil isso. Eu não consigo entender o motivo de tanta demora. Desumano o que estão fazendo. O Consulado diz que não pode ajudar porque é a burocracia do país”, desabafa a mãe de Matheus, Isabel Martines.
O crime foi registrado no dia 21 de junho. Matheus trabalhava como entregador de flores, quando encontrou um homem que passeava com animais de estimação acompanhado de uma mulher.
Houve uma discussão e o dono dos animais atirou. No dia 27 de junho, a polícia divulgou imagens dos suspeitos e passou a oferecer uma recompensa de até U$ 10 mil (R$ 48 mil) por informações. Até a manhã desta quarta-feira (19), o corpo de Matheus continuava em uma funerária de Oakland.
“Quando fiquei sabendo da morte do Matheus, eu comprei passagem no mesmo momento e fui para Oakland, onde foi o crime. Só que nem me deixaram ver o corpo, porque ele já tinha sido reconhecido e não precisavam que eu reconhecesse. Eu não o vi. Agora, eu só quero poder enterrar meu filho e que os responsáveis por essa crueldade sejam presos”, ressaltou a mãe.
A reportagem do g1 entrou em contato com o Itamaraty sobre a falta de liberação do corpo do brasileiro e aguarda posicionamento.
‘Meu filho era uma pessoa incrível’
Matheus Gaidos, de 27 anos, morreu na Califórnia
Arquivo Pessoal
Matheus morava nos Estados Unidos havia cinco anos e estava morando em São Francisco. Segundo a mãe, ele resolveu se mudar de São Paulo para conseguir uma melhor condição de vida.
“Sempre moramos na Zona Leste e ele queria poder ter uma condição de ganhar melhor. Então, ele foi primeiro para a Austrália. Depois, resolveu ir para os Estados Unidos. Trabalhou como motorista por aplicativo e havia cerca de um ano estava como entregador de flores. Todo ano eu o visitava, mas este ano eu não consegui. Mas ele estava programando vir para São Paulo em agosto. Não deu tempo”, contou.
Isabel Martines com o filho Matheus Gaidos, de 27 anos
Arquivo Pessoal
Conforme a mãe, amigos contaram que Matheus estava realizando uma entrega de flores na cidade vizinha, Oakland, no dia 21 de junho. Era a última entrega antes de retornar para a casa.
“Enquanto aguardava a pessoa para entregar, ele se conectou a um jogo online. Foi neste momento que houve o assassinato e os amigos ouviram. Disseram que ouviram Matheus elogiar o cachorro. Nisso, o homem atirou”, diz Isabel.
“O meu filho era uma pessoa incrível. Tirava a roupa do corpo para ajudar as pessoas. Tinha muito, mas muitos amigos. Era muito inteligente, sempre tinha uma palavra amiga para amenizar e ajudar a todos. Estou dilacerada com a crueldade que fizeram com ele. Se briga, morre, mas se elogia, também?”.
Isabela Martines com o filho Matheus Gaidos
Arquivo Pessoal
Uma câmera de segurança registrou o momento em que Matheus encontrou o homem que passeava com dois cachorros. O vídeo divulgado pela imprensa dos EUA mostra uma breve discussão entre os dois momentos antes do dono dos animais atirar.
“O homem também estava acompanhado de uma mulher, que não fez nada. Nem socorreram meu filho. Ela foi cúmplice do crime”, diz a mãe.
Matheus foi levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. “A polícia disse que está analisando o vídeo e divulgou a foto do homem. Estão oferecendo recompensa para quem denunciar o local. Eu vou acompanhar todo o processo para que a Justiça seja feita e prendam os responsáveis”.
Isabel conta que terá apoio do governo da Califórnia e da empresa que trabalha para o translado.
“Fizemos missa de sétimo dia, mas é tão estranho não ter velado e enterrado o corpo ainda. Ele era meu parceiro. Tínhamos um ao outro. Minha vida era para o Matheus”.

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