Guarujá

Bala que matou PM da Rota atingiu região de tatuagem com oração: ‘armas de fogo o meu corpo não alcançarão’


Patrick Bastos Reis, de 30 anos, morreu após ser baleado durante patrulhamento na comunidade Vila Julia, em Guarujá, no litoral de São Paulo. O g1 teve acesso ao exame de necrópsia da vítima, que apontou que ela tinha tatuagens com frases de ‘proteção’ pelo corpo. Exame de necrópsia em Patrick Bastos Reis aponta tatuagens de ‘proteção’ pelo corpo do PM morto
Reprodução
O tiro que matou o PM Patrick Bastos Reis, da Rota, perfurou a região torácica dele, onde tinha tatuada a frase “armas de fogo o meu corpo não alcançarão”. O g1 apurou, nesta quinta-feira (10), que o agente tinha marcado pelo corpo trechos da oração de São Jorge, que também são versos de uma música de Jorge Ben Jor.
As informações foram registradas no exame de necrópsia do PM, que foi atingido por um tiro de uma pistola nove milímetros enquanto patrulhava as proximidades da comunidade Vila Julia, em Guarujá, no litoral de São Paulo. A ‘Operação Escudo’ foi instaurada na região após a morte dele.
Segundo o exame de necrópsia de Reis, obtido pelo g1, o policial tinha aproximadamente 13 tatuagens. Duas delas eram trechos da oração e versos da música “Jorge da Capadócia”.
“Armas de fogo o meu corpo não alcançarão” e “facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar” eram as frases tatuadas no lado esquerdo do tórax do soldado da Rota, segundo o exame.
Arma usada por ‘sniper’ suspeito de matar PM da Rota é apreendida em Guarujá (SP)
Reprodução
Outras tatuagens
De acordo com o exame, Reis também tinha outras frases e símbolos tatuados pelo corpo. Veja abaixo:
Frase ‘Only the Strongest will survive’, que em português significa ‘Apenas o mais forte sobreviverá’, na região da clavícula direita
Frase ‘Together forever’, que em português significa ‘Juntos para sempre’, na mesma área do corpo
Um nome na região torácica direita
Um número na região torácica inferior, à direita
Frase ‘Mens Sana in Corpore Sano’, que em português significa ‘Mente sã em um corpo são’
Desenhos tribais no braço direito
Ideograma oriental na região do ombro direito
Desenho de uma caveira no ombro esquerdo
Desenho de um elmo romano no antebraço esquerdo
Desenho de linhas irregulares na área posterior do braço esquerdo
Símbolo na região ilíaca esquerda (bacia)
Exame de necrópsia detalha tatuagens de PM da Rota morto em Guarujá (SP)
Reprodução
Causa da morte
Ainda segundo o documento, o soldado morreu por conta de uma “hemorragia interna aguda” causada pelo projétil de arma de fogo que o atingiu na região do tórax.
O ferimento teve o trajeto interno estimado da esquerda para a direita, discretamente de trás para frente e de cima para baixo, conforme registrado no exame.
Entenda o caso
O que se sabe sobre a morte de um policial da Rota em Guarujá e da Operação Escudo
O soldado Patrick Bastos Reis foi baleado enquanto fazia um patrulhamento na comunidade da Vila Julia, em Guarujá, na quinta-feira (27). A morte dele foi confirmada no mesmo dia. Além dele, um outro policial foi baleado na mão esquerda, encaminhado para o Hospital Santo Amaro e liberado.
Após o caso, a Polícia Militar iniciou a Operação Escudo, com o objetivo de capturar os criminosos responsáveis pela ação contra os agentes.
Erickson, também conhecido como ‘Deivinho’, foi capturado na Zona Sul de São Paulo, durante a noite do último domingo (30). Segundo informações da polícia, Erickson tem 28 anos, é solteiro e teria atirado em direção ao soldado da Rota de uma distância de mais de 50 metros.
O irmão de Erickson David da Silva, Kauã, também é suspeito de atirar e matar um PM das Rondas Ostensivas Tobias Aquiar (Rota). Ele foi preso por envolvimento no crime em Guarujá, no mesmo dia em que completou 20 anos. O g1 apurou, que Kauã usava as redes sociais para mostrar a ‘rotina’ no tráfico, com armas apontadas para viaturas e funk ‘proibidão’.
As informações foram divulgadas pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite. Segundo ele, Kauã tinha a ‘função’ de ficar posicionado na comunidade Vila Júlia, armado e com um comunicador, pronto para avisar os comparsas sobre a chegada de viaturas policiais ao local.
Mortes
Suspeito de matar policial do ROTA pede para Tarcísio ‘parar de matar inocentes’
Em vídeo gravado antes de ser preso, o suspeito afirma, em relato direcionado ao governador de SP e ao secretário de Segurança Pública, que estão “matando uma ‘pá’ de gente inocente”. Ele diz não ter nada a ver com o caso, mas que vai se entregar. Erickson diz ainda que estão “querendo pegar” sua família (veja o vídeo acima).
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou nesta segunda-feira (31) que o vídeo gravado pelo suspeito foi “uma estratégia do crime organizado”.
“A verdade é que esse vídeo que ele fez, orientado pelos seus defensores, inclusive tem áudio do advogado o orientando a fazer esse vídeo, se os senhores ainda não possuem, ao longo das investigações vão tomar conhecimento disso, é uma estratégia do crime organizado, inclusive de cooptar moradores, de cooptar pessoas das comunidades que também são vítimas do tráfico organizado apresentando versões”, afirmou.
A Ouvidoria das Polícias informou investigar denúncias de tortura e ameaças de morte relatadas por moradores durante a Operação Escudo.
Reforço
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o secretário de segurança do estado, Guilherme Derrite, anunciaram aumento do efetivo policial e uma nova unidade em Guarujá, no litoral de São Paulo, após a morte do PM da Rota Patrick Bastos Reis. Segundo o governador, as ações se fazem necessárias pois “o tráfico ocupou a Baixada Santista”.
De acordo com Tarcísio, a Operação Escudo vai continuar na Baixada Santista por pelo menos 30 dias. Além disso, o governador ainda prometeu novas ações na região.
“Nós vamos levar para a Baixada Santista o aumento de efetivo, unidade da Polícia Militar. Nós devemos ter mais uma unidade da Polícia na Baixada para aumentar o efetivo e responder o anseio da Baixada”, disse Tarcísio.
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