Economia

Ibovespa opera em alta, com inflação brasileira no radar


Na véspera, o principal índice da bolsa de valores recuou 0,05%, aos 118.350 pontos. Ibovespa opera em baixa, puxado pelo exterior.
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O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, opera em alta, após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em julho, o principal indicador da inflação brasileira subiu 0,12%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado veio acima das expectativas de mercado.
Às 10h25, o índice subia 0,52%, aos 118.965 pontos. Veja mais cotações.
Na véspera, o Ibovespa fechou em baixa de 0,05%, aos 118.350 pontos, na oitava queda consecutiva. Com o resultado, passou a acumular:
quedas de 0,97% na semana e de 2,95% no mês;
ganhos de 7,85% no ano.

O que está mexendo com os mercados?
A semana se encerra com a divulgação do IPCA no Brasil, que surpreendeu os analistas, vindo acima das expectativas. Em julho, a inflação subiu 0,12% na comparação anual e 3,99% em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto as projeções apontavam para altas de, no máximo, 0,08% e 3,95%.
Essa aceleração da inflação vem após uma queda nos preços registrada em junho: naquele mês, o país teve uma deflação de 0,08%.
Em julho, a principal contribuição para o avanço dos preços veio do grupo de transportes, com destaque para a alta de 4,75% no preço da gasolina. Gás veicular e etanol também subiram, enquanto o óleo diesel foi o único combustível a apresentar queda. Os preços das passagens aéreas e dos carros novos também avançaram.
Mas transportes não foi o único grupo a subir no mês. Artigos de residência, educação, saúde e cuidados pessoais e outras despesas pessoais também tiveram alta. Já os grupos de alimentação e bebidas, habitação e vestuário tiveram queda nos preços. Comunicação não variou.
Uma nova aceleração da inflação reforça o recado que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deu em sua última reunião: o ciclo de cortes nos juros – iniciado na semana passada com uma redução de 0,50 ponto na Taxa Selic, que foi a 13,25% ao ano – deve ser controlado e dificilmente contará com quedas mais fortes, de 0,75 ponto, nos próximos meses, enquanto a inflação não estiver totalmente alinhada com a meta.
A meta de inflação do BC para 2023 é de 3,25%, podendo oscilar entre 1,75% e 4,75%. No entanto, as projeções do mercado, reunidas no Boletim Focus, indicam que o IPCA deve encerrar o ano levemente acima do teto da meta, em 4,84%.
Ainda no Brasil, na agenda política o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia hoje o novo Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), que contemplará retomada de obras paradas, aceleração de obras em andamento e novos empreendimentos, com uma previsão de R$ 60 bilhões de investimentos por ano.
Já no exterior, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou que a inflação ao produtor no país subiu 0,03% em julho. Ontem, a inflação ao consumidor também foi divulgada, com alta de 0,02%, dentro das expectativas do mercado.
Em contrapartida, mesmo com os número em linha com as projeções, declarações de Mary Daly, uma das dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), pesam sobre os mercados.
“Daly disse que o Fed ainda tem ‘mais trabalho a fazer’ para combater o aumento dos preços, o que amenizou o efeito positivo da inflação ao consumidor”, destacam analistas do BTG Pactual.
Juros mais altos nos Estados Unidos são negativos para os ativos de risco, como os mercados de ações e as moedas de países emergentes, caso do Brasil.

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