Guarujá

Mulher que denunciou vereador por assédio sexual diz ter sido importunada por mais de 6 meses: ‘desejei a morte’


Juraci Cardoso de Aguiar (PSDB) foi afastado do cargo por 10 dias durante sessão extraordinária da Câmara Municipal de Iporanga, no interior de São Paulo. Mulher que denunciou o vereador de Iporanga por assédio sexual, moral e psicológico contou que foi importunada durante mais de seis meses
Reprodução/TV Tribuna
A mulher que denunciou o vereador de Iporanga, no interior de São Paulo, por assédio sexual, moral e psicológico contou que foi importunada durante mais de seis meses e que ele a elogiava além do normal. Juraci Cardoso de Aguiar (PSDB) foi afastado do cargo por 10 dias durante sessão extraordinária da Câmara Municipal.
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Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, a vítima, que preferiu não se identificar, disse que trabalhava com o vereador no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), e que ele a tratava com segundas intenções.
“Muitas vezes vinha com algumas investidas bem desagradáveis, [eu] ficava sem graça, eu me afastava. Ele falava que me achava bonita, que gostava do meu jeito pelo fato de que eu não usava maquiagem, que era o tipo de mulher que ele gostava”, disse.
Ela contou que a situação a deixava constrangida, sem graça e piorou a partir de dezembro do ano passado. “Chegou um ponto da minha vida que eu desejei a morte ao invés de continuar naquela situação que estava passando”.
Ela contou que tentou falar com o supervisor e com a gestão do Petar, mas nada foi feito. “Era claro e evidente. Eu sabia de todas as ameaças que ele fazia para todo mundo”.
Denúncia
A mulher foi transferida para outro local a 60 km de distância após as denúncias, mas com a dificuldade de locomoção, teve que deixar o trabalho. Ela então procurou a Promotoria de Eldorado, cidade vizinha, e fez a denúncia. Em seguida, denunciou na Câmara Municipal.
“Eu não aguentava mais aquilo. Não era justo eu estar desempregada e ele com dois salários e debochando da minha cara”, disse ela.
A denúncia foi acatada pela Comissão de Justiça e Redação no final do mês passado e votada pelos vereadores durante uma sessão extraordinária, na última sexta-feira (10), com presença dos nove parlamentares, incluindo o denunciado.
O vereador afirmou que é necessário ouvir os dois lados e que não irá fugir, pois está com a consciência tranquila. “Com relação ao processo, não tenho como falar, como já falei anteriormente, por estar em segredo de Justiça”.
Além da leitura do parecer, foi formada uma Comissão Processante por meio de um sorteio, que conta com três vereadores. Também ficou decidido pelo afastamento do parlamentar por 10 dias.
O advogado da vítima, Reginaldo Favareto, disse que é fundamental que Justiça seja feita, e que as vítimas sejam ouvidas, respeitas e amparadas. “A coragem dessas mulheres e a busca pela justiça alimentam minha determinação”.
A vítima afirmou, ainda, que não busca justiça apenas por ela, e que a vida dela virou um caos após essa situação. “Eu sei que não fui a única”.
Relembre o caso
Juraci Cardoso de Aguiar
Reprodução
O processo contra Juraci corre em segredo de justiça. No entanto, na representação enviada à Câmara consta que o vereador cometeu os crimes contra a funcionária da empresa.
Ele é acusado de aproveitar da influência interna para praticar abusos e assédios sexuais contra a vítima, pois sabia que ela dependia do trabalho.
Segundo a denúncia, Juraci entrava no quarto [não citado], onde a mulher trabalhava, e praticava tanto atos libidinosos quanto conjunções carnais. A vítima não conseguia reagir e, para evitar os crimes, passou a dormir em outro local quando precisava passar a noite próxima do trabalho.
Mesmo assim, os episódios não pararam, pois ela contou que o vereador a procurava durante o dia. Em julho de 2022, a denunciante foi transferida de posto de trabalho, mas informou que o parlamentar passou a procurá-la em casa.
Além dos crimes sexuais, a vítima disse que foi ameaçada por Juraci, pois ele dizia que tinha um “primo matador” e ela teria que “ter cuidado com quem recebe”, pois ele sabia cada passo da mulher.
Medida protetiva
De acordo com o documento enviado à Câmara, em setembro deste ano a mulher chegou a confrontar o acusado dizendo que ele era “sujo e sórdido”. Ela ficou com medo de perder o emprego e do que ele poderia fazer contra ela e seus familiares. Por isso, solicitou medida protetiva.
Ainda segundo consta na representação enviada à Câmara, a Justiça de Eldorado concedeu medida protetiva em favor da vítima. Desta forma, Juraci deve manter distância mínima de 100 metros dela e de seus familiares, bem como se abster de contato direto ou indireto por qualquer meio de comunicação.
O vereador também foi proibido de frequentar a residência e o local de trabalho da mulher. “Tudo sob pena de prisão preventiva”, diz o documento.
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