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Massa inverteu os papéis e desconstruiu Milei no debate argentino


O ministro da Economia, que representa um governo desgastado, pôs o candidato da oposição na defensiva, deixando-o sem resposta a suas controversas propostas Em último debate antes do 2º turno na Argentina, Massa pressiona Milei
Se um debate eleitoral fosse decisivo para o resultado das urnas, o peronista Sergio Massa sairia vencedor no segundo turno das eleições argentinas, no próximo domingo (19).
No último confronto televisivo desta campanha, o atual ministro da Economia pôs o outsider ultraliberal de direita Javier Milei na defensiva, com perguntas incisivas sobre as suas propostas mais polêmicas
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Deu certo. O que se viu foi um candidato hesitante, que repetia frases feitas, à beira do descontrole. Exposto por Massa como se estivesse numa sabatina, Milei não conseguiu explicar como vai extinguir o Banco Central, dolarizar a economia argentina ou tarifar a educação pública.
O que se viu foi uma inversão de papéis.
Por representar um governo desgastado, com hiperinflação, pobreza e endividamento, cabia a Massa ficar na berlinda. Mas foi o candidato opositor que ocupou este lugar, revelando despreparo e amadorismo em diversos momentos do debate.
O ministro da Economia não precisou defender os péssimos indicadores econômicos da Argentina. Ao contrário, aproveitou-se do formato do debate para questionar as soluções mágicas propostas por seu adversário. Emparedado, restou a Milei chamar Massa de mentiroso e acusá-lo de fazer parte de um governo de criminosos.
“No campo das impressões, passando para as metáforas do boxe, foi um nocaute direto. Um falou como presidente e outro como um mero painelista televisivo, desarticulado e hesitante, a ponto de ficar sem palavras até na discussão sobre a segurança”, avaliou o jornalista Eduardo Aliverti, do jornal “Página 12”.
No bloco sobre segurança, sem conseguir explicar suas propostas, Milei devolveu, de bandeja, a bola para Massa. “O problema é que quando não se sabe, não se tem nada a dizer”, constatou o candidato peronista.
O candidato ultraliberal parecia desconfortável na posição de quem precisa conquistar um eleitor mais moderado, tentando se distanciar de propostas como porte de armas gratuito e extinção de subsídios sociais.
Na hora de pedir voto, Milei pediu ao eleitor que não vote com medo, numa evidência de que a estratégia de Massa para desconstruí-lo no debate funcionou.
Mas isso não lhe dá clara vantagem no próximo round, no domingo. De acordo com uma compilação de 13 pesquisas feitas pelo jornal “Clarín”, o candidato opositor está à frente do peronista em pelo menos nove, por uma média de 3 pontos.
O candidato à presidência da Argentina Sérgio Massa (à direita) fala em debate com Javier Milei (à esquerda) antes do 2º turno das eleições no país, em 12 de outubro de 2023.
Luis Robayo/Pool via Reuters
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