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Crise entre Venezuela e Guiana coloca ‘em risco’ interesses do Brasil e pode ser ‘ameaça’ à paz no continente, diz Marinha


Comandante da instituição, almirante Olsen comentou escalada de tensão entre os países vizinhos do Brasil pelo controle de Essequibo. Maduro quer anexar área rica em recursos naturais. Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, comandante da Marinha do Brasil
Divulgação
O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, afirmou à GloboNews nesta sexta-feira (8) que a crise entre Guiana e Venezuela pelo controle do território de Essequibo coloca “em risco” interesses do Brasil e pode ser uma “ameaça” à paz e à cooperação entre os países da América do Sul.
No último domingo (3), a Venezuela realizou referendo no qual 95% dos eleitores que votaram a favor da incorporação pelo país de Essequibo – uma área de 159 mil km² rica em recursos naturais que hoje pertence à Guiana. Somente metade dos venezuelanos votou no referendo.
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, destacou que seu governo está trabalhando continuamente para garantir que as fronteiras do país “permaneçam intactas” e afirmou que os guianenses “não têm nada a temer nas próximas horas, dias e meses”.
“A situação de crise nos países vizinhos coloca em potencial risco os Interesses Nacionais e deve ser encarada como possível ameaça à manutenção da paz e cooperação no entorno estratégico do Estado brasileiro”, afirmou o comandante da Marinha do Brasil.
O almirante Olsen também disse que a Marinha “permanece em condições de emprego” e está “pronta” para apoiar a política externa brasileira. O militar informou que a instituição também monitora e protege “infraestruturas críticas” e recursos que estão em águas sob a jurisdição do Brasil.
Região de Essequibo, em disputa pela Venezuela e Guiana, e a fronteira do Brasil no estado de Roraima
Arte g1
Mercosul não pode ficar ‘alheio’, diz Lula
Nesta quinta (7), o presidente Lula comentou a crise entre Venezuela e Guiana durante a abertura da 63ª edição da reunião de cúpula de chefes de Estado dos países do Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela –, no Rio de Janeiro.
O petista afirmou que acompanha com “crescente preocupação” a escalada de tensão. Para ele, o Mercosul não pode ficar “alheio” à situação.
“Uma coisa que não queremos aqui na América do Sul é guerra. Não precisamos de guerra, não precisamos de conflito. O que nós precisamos é construir a paz, porque somente com muita paz a gente pode desenvolver os nossos países”, afirmou o presidente Lula na ocasião.
A tensão na fronteira norte do Brasil é um desafio à política externa de Lula, que é aliado do presidente Nicolás Maduro na Venezuela. Lula já declarou que espera que o “bom senso prevaleça” na disputa territorial.
Nesta sexta, Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para debater a situação.
Venezuela x Guiana: Entenda em 5 pontos disputa por Essequibo

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