Brasil

Última reunião do Copom do ano deve levar taxa de juros a menos de 12%, menor patamar dos últimos 21 meses

Na próxima terça-feira, 12, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia sua última reunião do ano para determinar o rumo da taxa de juros do Brasil. No encontro anterior, o colegiado decidiu reduzir a Selic para 12,25% ao ano, o que a levou para o menor patamar desde março de 2022. O corte de 0,50 ponto percentual foi a terceira redução consecutiva após um período de sete manutenções em sequência. Desde então, indicadores da economia apontam para uma melhora do cenário econômico e redução de riscos inflacionários. Um exemplo é a aprovação do texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária pelo Senado Federal. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou que os dados mais recentes da inflação no Brasil foram bons e que o país deve ficar dentro da meta em 2023 e 2024. Ele também avaliou como apropriado o ritmo de cortes nos juros que a autoridade monetária tem promovido. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,1% no terceiro trimestre do ano, superando as expectativas do mercado, que previa uma queda de 0,3%. Analistas do mercado financeiro ouvidos pelo site da Jovem Pan projetam um novo corte de 0,50 ponto percentual, levando a Selic a 11,75%. A expectativa é a mesma do último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central. Caso a projeção seja confirmada, a taxa de juros se igualará ao mesmo patamar que estava em 16 de março de 2022. Os especialistas ainda avaliam que as reduções na Selic devem seguir até a quinta reunião de 2024, que será realizada em julho.

André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, afirma que cerca de 99,9% do mercado espera que o Copom promova cortes no mesmo patamar das reuniões anteriores, por conta de trechos de comunicados anteriores em que o grupo reforça que avalia como apropriado o ritmo atual de reduções. Ele ainda acredita que o comunicado deva sinalizar mais cortes de mesma magnitude para as próximas reuniões. “Temos pelo menos mais duas reuniões de certa forma garantidas de que haverá cortes de 0,50 ponto percentual. Devemos ver, ao longo dos três primeiros meses de 2024, a Selic ser reduzida para perto de 10,75%. E o Copom deve fazer isso com muita tranquilidade porque, na semana passada, o Roberto Campos Neto disse que o ciclo de cortes terminaria com a Selic ainda em campo restritivo, o que mostra uma cautela excessiva do Banco Central em relação ao ritmo de inflação e o nível de atividade econômica. Acredito que o Copom deve estender o ciclo de cortes pelo menos até que a taxa de juros alcance 9,75% ao ano. Isso ainda está em aberto porque depende muito do comportamento das taxas de juros dos Estados Unidos e da inflação norte-americana”, indica. O economista avalia que as reduções devem seguir até a quinta reunião de política monetária de 2024, em julho, com a Selic a 9,75% ao ano.

O economista Carlos Caixeta também é um dos que acredita que o Banco Central deve manter o ritmo de redução da Selic. “A inflação continua sob controle. Não há nenhum motivo para que o Banco Central fique alarmado ou preocupado exatamente por isso. Os fatores externos que aconteceram, como a guerra entre Israel e o Hamas, geraram uma preocupação com relação ao preço do barril de petróleo tipo Brent, mas isso foi pontual e não se refletiu ao longo do tempo. Então, não há nenhum fator de risco ou de pressão inflacionária permanente que possa alertar o Copom com relação a um impacto na inflação e que pudesse fazer com que o colegiado mudasse o ritmo de redução na Selic”, avalia. Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, também prevê que a Selic caia para 11,75% nesta reunião e sofra uma redução na mesma proporção em janeiro. Ele estima que o Copom siga promovendo cortes de 0,50 ponto percentual até a quinta reunião de 2024, que será realizada entre 30 e 31 de julho. A projeção é de que a taxa de juros encerre o próximo ano em 9,50% e chegue até 8,50% no fim de 2025.

Economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung também faz uma análise similar sobre o que deve ocorrer no próximo encontro. “Em relação à reunião de novembro, não esperamos grandes alterações no comunicado. Os últimos dados continuam indicando um cenário inflacionário benigno no Brasil, abrangendo tanto o índice cheio quanto os núcleos e os preços de serviços e bens industriais. A perspectiva é de que a inflação termine dentro do intervalo da meta. Além disso, a economia brasileira continua desacelerando, o que ajuda a diminuir as pressões inflacionárias. Outro ponto positivo é que o estresse dos últimos meses no cenário externo diminuiu, contribuindo para reduzir as incertezas. Contudo, o risco fiscal brasileiro permanece no radar da autoridade monetária, pois pode afetar variáveis macroeconômicas, como o câmbio e as expectativas de inflação”, analisou. Ele ainda complementa que o grupo deve sinalizar um corte de mesma magnitude para a reunião de janeiro no comunicado. Assim como os colegas, o economista acredita que a taxa básica de juros termine 2024 em 9,75% ao ano.

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