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Comércio brasileiro projeta vendas mais fracas no fim do ano em meio a disputa com e-commercers internacionais

O Natal de 2023 deve ser marcado por uma desaceleração nas compras de presentes por parte dos consumidores, como demonstra uma pesquisa realizada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O levantamento descobriu que 42,8% dos entrevistados, que incluem pessoas de todo o Brasil, pretendem fazer compras nesta data, enquanto 35,9% não têm intenção de dar presentes. Além disso, 21,3% ainda estão indecisos. Segundo a instituição, os dados demonstram uma expressiva redução no percentual de pessoas que manifestaram intenção de compra e um leve aumento da porcentagem de consumidores que não estão dispostos a comprar este ano. Economista da ACSP, Ulisses Gamboa comenta que as perspectivas das vendas de Natal não são muito favoráveis, em virtude da desaceleração da economia, dos juros ainda elevados e do alto grau de endividamento das famílias, o que limita a renda destinado ao consumo. Além desses fatores, representantes do setor varejista também temem que as plataformas de e-commerce internacionais, como Shein e Shoppe, atraiam a maior parte das compras, aliando preços reduzidos à incentivos fiscais do governo.

Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), afirma que há meses a indústria brasileira sofre o impacto do que chamou de “concorrência desleal” das plataformas internacionais. Ele relembra que a chegada desses marketplaces no Brasil se beneficiou da importação de produtos em grandes quantidades, sem que fossem cobrados os devidos impostos, o que ocorreu por uma brecha na legislação que previa a isenção apenas para pessoas físicas. “Isso fez com que elas ganhassem espaço entre o consumidor brasileiro por oferecem produtos com o preço bastante abaixo do mercado, na medida que não havia o recolhimento do tributo. Para resolver isso, foi lançado o programa Remessa Conforme, mas a portaria publicada isentou esses e-commercers do pagamento do imposto. Isso representa uma concorrência desleal com o varejo nacional. Não defendemos um fechamento do mercado, apenas condições iguais de competição. Esperamos do governo uma solução ainda este ano. Caso contrário, podemos esperar o fechamento de empresas, principalmente as micro e pequenas que não conseguem concorrer com esse benefício, e o aumento do desemprego no setor”, indica.

O diretor da ABVTEX complementa que esse cenário faz com que companhias nacionais acabem entrando no marketplace para ter condições de concorrer, o que acaba transferindo a produção local para o exterior. Edmundo também ressalta que muitas vezes os produtos não seguem as normas de segurança e padronização exigidas pela legislação brasileira, o que pode causar danos ao consumidor. “Na medida que você tem um consumidor de baixa renda, com o orçamento apertado, ele sempre vai buscar preço de mercadorias que caibam no seu bolso. É natural que eles busquem valores mais baixos. Mas isso prejudica as empresas locais e pode levar a um aumento da exploração do trabalho ou do desemprego no varejo”, reforça. O dirigente da associação cita uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, com mais de duas mil pessoas, que revela que 69% dos entrevistados acreditam que teriam mais chance de não ter seus direitos como consumidor devidamente respeitados por e-commerces internacionais. Além disso, 68% consideram que as empresas brasileiras de vestuário pagarem mais impostos prejudica a garantia de que os produtos consumidos pelos brasileiros sejam produzidos respeitando normas de qualidade e segurança. O diretor da ABVTEX defende que o varejo nacional tem a vantagem de conhecer melhor as tendências do mercado e poder responder de forma mais rápida às demandas dos consumidores.

Contudo, a pesquisa da ACSP indica que 57,1% dos consumidores pretendem comprar os presentes de forma presencial e 41,1% devem buscar grandes redes do varejo. Com isso, o comércio brasileiro pode não sair perdendo para as plataformas internacionais. Especialista em comércio exterior e diretor da AGL Cargo, Jackson Campos avalia que as empresas brasileiras não devem ser prejudicadas no comércio de Natal, uma vez que as remessas internacionais demoram longos períodos para chegar ao destinatário. Para que o produto chegue antes do Natal, a compra deve ser feita com antecedência, cerca de 30 dias. Caso o comprador decida comprar agora e usar o frete expresso para que seja entregue antes do Natal, provavelmente ele pagará muito pelo frete, o que acabará inviabilizando a compra. Em relação às compras internacionais houve uma queda por conta da tributação o que está levando os consumidor a comprar em mercado nacional”, avalia.

 

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