Guarujá

Repórter e pré-candidato a prefeito executado era conhecido por denúncias e sofria ameaças


Thiago Rodrigues chegou a relatar nas redes sociais que chegou a mudar de casa, comprar carro blindado e ficar fora do país por um tempo. Thiago Rodrigues fazia denúncias sobre irregularidades em Guarujá
Reprodução
Thiago Rodrigues, o jornalista assassinado a tiros durante uma festa em Guarujá, no litoral de São Paulo, já tinha sofrido ameaças de morte. Pré-candidato a prefeito, ele era conhecido nas redes sociais por denunciar irregularidades da cidade ao Ministério Público (MP).
✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp.
O repórter foi alvo de diversos disparos de arma de fogo na Rua Caraguatatuba, no bairro Paecara, no distrito de Vicente de Carvalho. Ele estava em uma confraternização em uma casa de eventos, na madrugada desta quinta-feira (28), quando foi chamado para a rua e atingido por vários tiros. Thiago morreu no local.
Em um texto, publicado para anunciar a pré-candidatura, Thiago afirmou que encaminhou diversos relatos de moradores ao Ministério Público. Ele participou da denúncia sobre irregularidades na área de saúde antes da ‘Operação Nácar’, que apurou um esquema de desvio de dinheiro. O prefeito de Guarujá Válter Suman (PSDB) e o secretário de Educação, Marcelo Nicolau, chegaram a ser presos nas investigações.
Ainda na publicação, o jornalista informou que chegou a ir até a sede da Polícia Federal (PF), por várias vezes, para colaborar com provas e foi testemunha durante as investigações.
Thiago Rodrigues compartilhava, em suas redes sociais, denúncias não somente contra a prefeitura, mas também contra empresas e diversos políticos. Em um texto, ele disse que sofreu represálias.
“Fui diversas vezes ameaçado de morte, tive que sair do país por alguns meses, mudar de casa, comprar carro blindado, pois a PF [Polícia Federal] disse que não poderia me proteger”, escreveu.
Além disso, Thiago revelou ainda que já tinha sofrido agressões, além das ameaças. “Não me arrependo de nada, aprendi com os erros e acertos e continuo na luta por Justiça”.
Procurada pelo g1, a Prefeitura de Guarujá informou que as investigações sobre o caso são de competência das autoridades policiais. A Polícia Federal (PF) não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Entenda o caso
Segundo o boletim de ocorrência, Thiago estava em uma festa quando foi chamado para ir até a rua. Ele deixou a casa de eventos acompanhado de um amigo, ainda não identificado. Assim que chegou na via, um ciclista se aproximou dele e efetuou disparos.
Assassinato de Thiago aconteceu na Rua Caraguatatuba, em Guarujá
Reprodução
O jornalista correu em direção à Rua Solemar, mas caiu durante o trajeto e o atirador foi até ele para atirar mais vezes. Em seguida, o criminoso fugiu em direção à Rua Luís Gama. Ele vestia uma máscara branca, um boné, camiseta e calça.
De acordo com o boletim de ocorrência, Thiago tinha nove ferimentos de bala. No local do crime, foram localizados 13 estojos de munição calibre 9mm e dois projéteis deflagrados. Na mesma rua, os policiais encontraram o carro de Thiago com um pneu traseiro esvaziado. A chave do veículo foi localizada no bolso da calça do jornalista.
O carro passou por exames periciais. No porta-malas foi encontrado material da pré-campanha de Thiago, mas nada de ilícito foi constatado. O carro e dois celulares da vítima foram apreendidos. O caso foi registrado como homicídio na Delegacia Sede de Guarujá, mas será investigado pelo 2º DP de Guarujá.
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

Facebook Comments Box

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo
Translate »