Economia

Argentina chega a acordo com FMI para acesso a US$ 4,7 bilhões


Acerto de ‘nível técnico’ será apresentado para aprovação do conselho executivo do Fundo. Negociação faz parte do programa de dívida de US$ 44 bilhões do país com a organização internacional. Casa Rosada, sede da presidência argentina, em março de 2019
Reuters/Agustin Marcarian
A Argentina chegou a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira (10) para renegociar a dívida do país com a organização.
Segundo comunicado do FMI, o acerto de “nível técnico” será apresentado para aprovação de seu conselho executivo nas próximas semanas. Caso seja aceito, o país sul-americano terá acesso a US$ 4,7 bilhões adicionais ao programa de dívida com o Fundo.
O acordo é um novo capítulo de discussões antigas, que começaram com empréstimos tomados pela Argentina durante o governo de Mauricio Macri, em 2018.
Mais de três anos depois, o governo de Alberto Fernández reajustou termos para reestruturar a dívida de US$ 44 bilhões. Em 2023, no entanto, o governo argentino ainda não havia conseguido cumprir com as novas metas dentro do pacote de ajuda.
Agora, as negociações seguem com a equipe de Javier Milei, que tomou posse como presidente do país no mês passado.
Ao justificar o acordo, o FMI disse ter chegado a um entendimento com as autoridades argentinas sobre um “conjunto reforçado de políticas para restaurar a estabilidade macroeconômica do país e colocar o programa [de dívida com o FMI] de volta ao caminho certo”.
“Este acordo, sujeito a implementação política contínua e duradoura, será apresentado para aprovação pelo conselho executivo do FMI nas próximas semanas. Após a conclusão da revisão, a Argentina teria acesso a cerca de US$ 4,7 bilhões”, publicou o Fundo.
De acordo com o FMI, o valor adicional tem o objetivo de “apoiar os fortes esforços políticos das novas autoridades para restaurar a estabilidade macroeconômica e ajudar a Argentina a satisfazer as necessidades da sua balança de pagamentos”.
No documento, a organização também atribuiu as recentes falhas do programa aos “graves reveses políticos do governo anterior”.
“A nova administração já está implementando um ambicioso plano de estabilização, ancorado em uma grande consolidação fiscal inicial, juntamente com ações para reconstruir reservas, corrigir desalinhamentos de preços relativos, fortalecer o balanço do banco central e criar um sistema mais simples”, escreveu o FMI.
Discussões
Nesta semana, integrantes do FMI estavam em Buenos Aires para debater os termos do acordo. As duas partes, segundo o porta-voz do governo argentina, Manuel Ardoni, finalizavam detalhes antes de um anúncio oficial, previsto para esta quarta-feira (10).
Segundo Ardoni, o atual governo pediu revisão das metas e dos termos para a devolução do dinheiro. O porta-voz disse que o país só poderá devolver o empréstimo caso a chamada Lei Omnibus, um pacote de medidas e reformas que o governo tenta aprovar no Congresso, entre em vigor.
Em 2023, o governo de Alberto Fernández lançou um plano econômico eleitoral que foi contra boa parte do acordo firmado anteriormente com o Fundo.
Segundo o jornal argentino “Clarín”, a intenção do Governo Milei agora é estabelecer novas metas de déficit e acumulação de reservas, obter isenções do conselho do FMI para objetivos não alcançados no final de 2023, e desbloquear pelo menos um desembolso pendente de US$ 3,3 bilhões para reforçar o Banco Central.

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