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8 dicas para incluir crianças com autismo no Carnaval

O Carnaval é uma das épocas do ano mais aguardadas para quem deseja curtir os bloquinhos de rua e os desfiles de escolas de samba. No entanto, para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), o momento pode ser desafiador, pois a folia é marcada por músicas altas, fantasias elaboradas e aglomerações, que podem causar desconforto.

“Isso ocorre porque algumas pessoas com autismo podem apresentar hipersensibilidade, sintoma de um tipo de Transtorno do Processamento Sensorial (TPS), uma condição que impacta como o sistema nervoso processa os estímulos sensoriais, sejam eles auditivos, táteis, visuais e vestibulares”, explica Mariana Tonetto, diretora clínica da Genial Care, rede de cuidado de saúde atípica.

“Quando uma pessoa possui essa condição sensorial, pode experimentar uma percepção exacerbada de estímulos ou necessitar de estímulos adicionais para perceber qualquer forma de sensação”, acrescenta. Por isso, a seguir, veja algumas dicas listadas por Mariana para tornar a folia mais confortável e divertida para crianças com autismo!

1. Converse com a criança sobre a mudança na rotina

Antes de planejar as atividades para desfrutar deste Carnaval, Mariana ressalta que é fundamental proporcionar previsibilidade para sua criança autista. “Isso se deve ao Carnaval ser um período sazonal que impacta a rotina diária, especialmente se a criança estiver em casa por um período prolongado, sem ir à escola”, explica.

A dica é apoiar a compreensão da criança por meio de uma narrativa de histórias, concretizando o que vai acontecer. “Recursos visuais, como fotos, vídeos e brinquedos, podem ser utilizados para introduzir as cores e a atmosfera do Carnaval para a criança”, destaca a especialista da Genial Care.

2. Evite multidões

Escolha blocos menos lotados ou espaços amplos para aproveitar com sua família em uma área mais tranquila. Algumas cidades oferecem eventos adaptados para pessoas no espectro autista.

3. Utilize abafadores de som

Tem pessoas que se incomodam com barulho, e outras não. Mesmo assim, como a folia é grande, levar abafadores de som como uma estratégia a ser apresentada se necessário pode evitar sobrecargas sensoriais. Lembre-se sempre de testar os abafadores de som antes e garantir que a pessoa saiba como usá-lo.

Testar a fantasia evita desconfortos sensoriais causados pelo autismo Imagem: Freepik | Freepik

4. Teste a fantasia

Fantasias também podem ser um problema para algumas pessoas com TEA, porque os tecidos podem ser mais duros e pinicantes, trazendo desconforto. Dessa maneira, testar as fantasias antes é essencial. Caso não seja tolerável esses tecidos diferentes, opte por roupas alternativas, confortáveis e coloridas. Nunca force uma roupa pouco tolerável. Sempre preze por conforto e boas adaptações.

5. Prove a máscara

Máscaras que cobrem o rosto podem assustar ou incomodar crianças no espectro, pois proporcionam um estímulo visual totalmente diferente do que estão acostumadas, bem como um estímulo tátil no rosto. Portanto, é recomendável mostrar antes, testar e, se não for tolerável, não usar. Não esqueça: conforto em primeiro lugar.

6. Verifique a disponibilidade de banheiros nos blocos

Garanta que o lugar da folia tenha banheiro de fácil acesso. As necessidades fisiológicas podem ser um gerador de estresse e crises comportamentais. Estar atento aos sinais das necessidades fisiológicas e ter o plano para atendê-las é essencial para uma boa experiência durante a festa.

7. Observe o comportamento da criança

Outras necessidades, como fome, sono e cansaço também precisam ser observadas, assim como sinais de sobrecarga sensorial. Ir embora nos primeiros sinais observados pode evitar crises e sofrimento.

8. Estabeleça uma boa comunicação

Não esqueça de levar a comunicação aumentativa e alternativa da criança com TEA, caso ela use. É essencial que ela tenha todas as possibilidades de comunicar aquilo que deseja. Além disso, convide pessoas do ciclo social da sua criança autista para participar da festinha de Carnaval, trazendo familiaridade e segurança.

Por Letícia Carvalho

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