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Daniela Vianna conta como foi o desafio de liderar uma fintech no Brasil aos 25 anos

Nossa Mulher Positiva é Daniela Vianna, líder em tecnologia no Brasil. Daniela compartilha conosco sua trajetória como head de uma startup de crédito no Brasil aos 25 anos e destaca a importância da saúde e bem-estar para o sucesso. “Se me perguntassem o que eu pretendo fazer para continuar tendo sucesso daqui para frente, responderia sem pensar: ‘Cuidar incessantemente de mim — o resto, a gente consegue dar conta’.”

1. Como começou a sua carreira? Vinda de uma família tradicional em termos profissionais e graduada em uma faculdade voltada para a carreira corporativa, iniciei minha jornada profissional com um objetivo claro: a consultoria estratégica. Na minha visão, grandes consultorias como Kearney, McKinsey, Bain e BCG são incríveis escolas, e meus dois anos nesse setor foram enriquecedores em aprendizados. Contudo, percebi a carência de inovação e tecnologia nos setores tradicionais. Em um mundo onde startups surgem, crescem e se tornam líderes de mercado, como Nubank, QuintoAndar e MercadoLivre, senti a necessidade de me aproximar da vanguarda da disrupção. Foi assim que decidi embarcar na jornada de construir o primeiro Pix Parcelado do país. Juntar-me à Addi, uma fintech colombiana avaliada em mais de US$ 700 milhões, foi a melhor decisão que tomei. Atuar como Chief of Staff do CEO e depois liderar as operações no Brasil, ao lado de outra mulher extraordinária, proporcionou-me uma compreensão detalhada do mundo da tecnologia, dos bastidores do Venture Capital e da singularidade do ambiente startup.

2. Como é formatado o modelo de negócios da sua empresa? Atualmente, não tenho uma empresa específica. Estou envolvida em projetos e desenvolvendo consultorias pontuais, aplicando meu conhecimento em construção de produto, definição de estratégia e liderança para empresas que precisam de ajuda. Enquanto isso, procuro um projeto fixo que irá transformar o próximo capítulo da minha vida.

3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira? A Addi fechou suas operações no Brasil em junho de 2023. Junto com o todo o time, me despedi do meu primeiro grande sonho. Esse foi, sem dúvida, o momento mais difícil da minha carreira. Nós criamos sonhos e idealizamos o sucesso todos os dias (inclusive, não acho que deva ser diferente: sonhe grande, não importa o quão longe ou impossível esse sonho pareça). Ver esse sucesso ir por água abaixo é muito difícil.  No meu caso, eu tinha ascendido ao maior cargo da companhia no Brasil, aos 25 anos, mais nova do que provavelmente 80% da equipe. Era o maior desafio, e a maior honra que um dia imaginei ter. E não deu certo como eu esperava. No fim, me vi de volta ao mercado e 100% esgotada (física e mentalmente). Precisei de seis meses para me recuperar. Por isso que hoje tenho clareza da importância da saúde e bem-estar mental para uma vida mais feliz, e com mais sucesso. Abdiquei de toda a minha saúde para trabalhar e, no fim, foi isso que me tornou menos produtiva, menos capaz e menos feliz. Se me perguntassem o que eu pretendo fazer para continuar tendo sucesso daqui para frente, responderia sem pensar: “Cuidar incessantemente de mim — o resto, a gente consegue dar conta”.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora?

Certamente estou longe de saber a resposta certa, mas posso compartilhar algumas coisas que tenho adotado para a minha vida e que podem ser úteis para quem está, assim como eu, tentando encontrar o equilíbrio:

  • Em primeiro lugar, tento proteger religiosamente a minha saúde. Isso inclui alimentação, exercício, meditação e sono, não necessariamente nessa ordem. Acredito que, quando negligenciamos qualquer um dos quatro pilares que mencionei, todo o resto da nossa vida é impactado e acabando criando mais obstáculos para alcançar o equilíbrio.
  • Sua agenda é sua maior aliada. Na correria do dia a dia, esquecemos de que precisamos de tempo para nutrir coisas importantes da nossa vida, como nosso relacionamento, nossa família, e nossos amigos. Faço questão de garantir que pelo menos uma noite por semana eu tenha um jantar com alguém especial — e esse dia está marcado na agenda. Sem exceção. Momentos de descontração são essenciais, mas muito facilmente esquecidos — por isso, eles sempre estão no meu Calendar.
  • Por fim, talvez clichê, mas necessário: trabalhar com alguma coisa que você ame e domine. Trabalhar com algo somos naturalmente talentosos já é o primeiro grande passo para encontrar paixão no trabalho, o segundo é encontrar o lugar, a missão e o time que te fazem feliz. Passamos quase um terço do nosso dia trabalhando. Se não for gratificante e bom, todo o nosso organismo vai sentir.

5. Qual seu maior sonho? Profissionalmente, meu grande sonho é influenciar o maior número de pessoas possível para se tornarem profissionais e indivíduos melhores e mais felizes, acreditando no papel crucial da tecnologia nesse processo. Pessoalmente, tenho uma paixão difícil de descrever por animais, e meu sonho é erradicar animais de rua no Brasil. 

6. Qual sua maior conquista? Acredito que, pelo ponto de vista de carreira, minha maior conquista foi ter sido capaz de liderar uma empresa e levá-la ao seu primeiro trimestre lucrativo, ainda muito jovem e em momento de mercado extremamente conturbado. No entanto, em termos de desafio e crescimento, vejo a superação do meu burnout e todo o processo intenso e árduo para me tornar mais consciente com a vida de forma geral como uma grande vitória também. Acho que se mais pessoas almejassem se tornar mais conscientes e presentes, talvez estivéssemos em uma realidade melhor.

7. Livro, filme e mulher que admira (não pode ser a mãe). Por Inteiro” (Martha Beck), “Estrelas Além do Tempo”, Reese Whiterspoon.

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