Economia

Milei aumenta salário mínimo em 30% na Argentina em meio a inflação de 254%


Decisão foi anunciada após falta de acordo com câmaras empresariais e sindicatos. Javier Milei durante cerimônia de posse, no dia 10 de dezembro de 2023
REUTERS/Agustin Marcarian
O governo da Argentina fixou um aumento de 30% no salário mínimo no total entre fevereiro e março, informou o porta-voz da Presidência nesta terça-feira (20). A medida ocorre em meio a uma inflação de mais de 250% ao ano no país.
“Não foi possível que as partes chegassem a um acordo na discussão sobre o salário mínimo”, disse Manuel Adorni, porta-voz do governo.
A afirmação de Adorni é uma referência à falta de entendimento na última quinta-feira (15), durante reunião do Conselho do Salário Mínimo — composto pelo governo, pelas câmaras empresariais e pelos sindicatos, que pediam um aumento de 85%.
Nesse contexto, acrescentou o porta-voz, “o governo deve arbitrar entre as partes e fixar um salário mínimo”, algo que o presidente Javier Milei havia inicialmente rejeitado.
O valor foi estabelecido em 180 mil pesos para fevereiro (US$ 204 na taxa oficial de câmbio, ou R$ 1.007), o que representa um aumento de 15% em relação aos 156 mil pesos atuais. E em 202,8 mil pesos para março (US$ 230, ou R$ 1.136), um aumento de 30% em relação ao valor atual.
O ministro da Economia, Luis Caputo, havia adiantado na segunda-feira (19), em uma entrevista televisiva, que o governo iria fixar um aumento do salário mínimo.
A Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical da Argentina e de orientação opositora, acusou na última quinta-feira o governo de Javier Milei de fazer fracassar o Conselho do Salário, “rompendo uma longa tradição de diálogo social tripartite”.
No dia seguinte, o presidente argentino se manifestou sobre o assunto.
“Não acredito que um político possa definir um preço à mão. Nem passa pela minha cabeça. Eu vou emitir um decreto fixando um preço?”, questionou Milei.
Desde o último ajuste salarial em dezembro, a inflação argentina foi de 25,5% naquele mês e de 20,6% em janeiro, totalizando uma inflação interanual de 254%.
O ajuste salarial ocorre em um momento de avanço de tensões sociais na Argentina, onde a pobreza atinge 57% da população, segundo um estudo do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA) divulgado no último fim de semana.
Essa é a cifra mais alta de pobreza registrada pela medição nos últimos 22 anos.
O sindicato ferroviário do país planeja uma greve nacional nesta quarta-feira (21). Já a federação dos trabalhadores da Saúde convocou mais uma paralisação para a quinta-feira (22).
Outros quatro sindicatos de professores anunciaram medidas semelhantes para o início das aulas, entre a próxima semana e a seguinte.
Exportações do Brasil para a Argentina caíram 25% em janeiro
Primeiro superávit mensal em 12 anos
Na última sexta-feira (16), governo da Argentina anunciou que obteve superávit fiscal em janeiro pela primeira vez em quase 12 anos. O superávit acontece quando as receitas do governo são maiores que as despesas.
Desde a posse, o presidente ultraliberal Javier Milei instaurou fortes medidas de corte de gastos no país. O balanço para as finanças do setor público argentino foi positivo no primeiro mês completo: o superávit foi de cerca de US$ 589 milhões (R$ 2,93 bilhões no câmbio oficial). A cifra também contempla o pagamento de juros da dívida pública.
É o “primeiro superávit financeiro [mensal] desde agosto de 2012 e o primeiro superávit financeiro em um mês de janeiro desde 2011”, indicou o Ministério da Economia do país.
Zerar o déficit público é a principal meta da gestão de Milei. Para isso, o governo tem revisado subsídios e paralisado investimentos públicos no país. A ideia é recompor reservas internacionais para afastar a crise de confiança de investidores internacionais e reequilibrar o câmbio.
* Com informações da agência France Presse

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