Brasil

Milei discursa na abertura do Congresso argentino e chama parlamentares de ‘casta’

Javier Milei, presidente da Argentina, discursou nesta sexta-feira, 1º, na abertura do Congresso argentino e se referiu aos parlamentares como “casta”. “Eles precisam aceitar que as pessoas odeiam os políticos”, afirmou Milei à imprensa. Milei iniciou seu pronunciamento às 21h00 em vez do meio-dia, como é a tradição, para coincidir com o horário de maior audiência televisiva e em meio a um forte esquema de segurança. Centenas de pessoas se reuniram em torno do Congresso em repúdio às medidas de ajuste do presidente. A Argentina está passando por uma crise econômica com uma inflação interanual de 254% e metade da população vive na pobreza.

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Além do aumento acelerado nos preços dos alimentos e medicamentos, a retirada de subsídios nos serviços públicos causou um ajuste abrupto nas tarifas. Dez dias após sua posse, Milei emitiu um decreto presidencial para modificar ou revogar mais de 300 normas, incluindo as leis de aluguéis, abastecimento e controles de preços, mas a iniciativa foi recebida com dezenas de ações judiciais questionando sua constitucionalidade. Depois, tentou a aprovação no Congresso da “Lei Ônibus”, com 664 artigos que buscavam mudanças estruturais, como a privatização de 41 empresas estatais, e outras normas mais curiosas, como exigir que juízes usem toga preta e um martelo. Mas o projeto de lei não teve o sucesso que o governo esperava e o próprio Milei ordenou sua retirada.

Os líderes políticos da oposição que criticaram o DNU foram chamados de “idiotas úteis” pelo presidente. Já os deputados, próprios e alheios, que não aprovaram os artigos da “Lei Ônibus”, foram mencionados um por um por Milei na rede social X e classificados como traidores. O fracasso da lei foi interpretado por Milei como um triunfo, porque, segundo disse a jornalistas, deixou evidente que os governadores provinciais a quem muitos legisladores respondem “são uns delinquentes”. O Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê uma contração econômica de 2,8% em 2024 para a Argentina, saudou as medidas tomadas pelo governo, mas recomendou que estas sejam calibradas para proteger os setores sociais mais pobres. “Meu ajuste é mais forte que o do FMI”, assegurou Milei à imprensa em diversas ocasiões, referindo-se ao seu compromisso de conseguir um superávit de 3% do PIB este ano, mais do que o exigido pelo Fundo.

*Com informações da AFP

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