Guarujá

‘Chip’, preso por matar PM da Rota com tiro no rosto, tem prisão temporária convertida em preventiva


Pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP) garantiu conversão da prisão. Kaique Coutinho do Nascimento, conhecido como ‘Chip’, é apontado como o assassino do policial Samuel Wesley Cosmo. PM da Rota Samuel Wesley Cosmo (à esq.) e Kaique Coutinho do Nascimento, o ‘Chip’, apontado como o assassino (à dir.)
Reprodução e Divulgação/Polícia Civil
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acatou o pedido do Ministério Público estadual e converteu a prisão temporária em preventiva de Kaique Coutinho do Nascimento, o “Chip”. Ele é apontado como o assassino do PM das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Samuel Wesley Cosmo, crime que resultou na intensificação da Operação Verão na Baixada Santista, que já registra 43 mortos.
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O policial foi baleado durante patrulhamento na Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro, no dia 2 de fevereiro. Ele chegou a ser levado para a Santa Casa de Santos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Chip foi preso em Uberlândia (MG), no dia 14 do mesmo mês.
Ao converter a prisão em preventiva, o juiz Alexandre Betini, do Foro de Santos, avaliou que o crime causou desassossego e inquietação na sociedade. Como fugiu para outro estado na intenção de evitar a prisão, Chip também poderia tentar uma nova fuga caso ficasse solto.
Kaique deverá responder pelos crimes de organização criminosa majorada [aumentada] pelo uso de arma de fogo e homicídio, com cinco qualificadoras. São elas: motivo torpe [sórdido], finalidade de garantir a impunidade de outros delitos, impossibilidade de defesa da vítima, crime contra agente de segurança pública e uso de armamento restrito.
Justiça pede imagens de câmeras
Vídeo mostra o PM da Rota sendo baleado no rosto em viela no litoral de SP
A Justiça solicitou à autoridade policial competente o laudo pericial do local do crime, do celular apreendido, do carregador de arma de fogo e cartucho de munição apreendidos, do boletim de ocorrência sobre a captura de Chip e o termo de indiciamento e de interrogatório do denunciado.
Além disso, pediu ao Comandante do 1º Batalhão de Polícia de Choque da Rota a disponibilização das imagens da câmera corporal do PM, que captaram o momento do crime (assista acima).
Até o julgamento, Chip deve ficar preso no Centro de Detenção Provisória de São Vicente (CDP) de São Vicente.
Operação Verão
A Operação Verão foi estabelecida na Baixada Santista desde dezembro de 2023. No entanto, com a morte do PM Samuel Wesley Cosmo, o Estado deflagrou a 2ª fase da ação com o reforço policial na região.
Em 7 de fevereiro, mais um PM foi morto, o cabo José Silveira dos Santos. Na ocasião, começou a 3ª fase da operação, que foi marcada pela instalação do gabinete de Segurança Pública em Santos e mais policiais nas cidades do litoral paulista. A equipe da SSP-SP manteve a sede na Baixada Santista por 13 dias.
A 3ª fase da Operação Verão permanece em andamento por tempo indeterminado. Até esta terça-feira (12), foram registradas 43 mortes de suspeitos.
Repercussão
A Defensoria Pública de São Paulo, em conjunto com a Conectas Direitos Humanos e o Instituto Vladimir Herzog, pediu o fim da operação policial na região e a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais pelos policiais militares.
A Ouvidoria da Polícia de São Paulo e as entidades de segurança pública e proteção de direitos humanos também entregaram à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado um relatório com irregularidades nas abordagens de policiais durante a Operação Verão na Baixada Santista.
Além das denúncias, o documento conta com uma série de recomendações aos órgãos públicos para que cessem as violações de direitos humanos praticadas pela polícia.
VÍDEO mostra policiais em enterro de morto por agentes na Operação Verão
O Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), do Ministério Público de São Paulo, abriu uma notícia de fato para investigar as denúncias de funcionários da Saúde de Santos de que corpos de mortos na Operação Verão da PM na Baixada Santista são levados como vivos para hospitais.
Na última semana, o secretário da Segurança Pública do estado de São Paulo, Guilherme Derrite, disse que não reconhece excessos na ação da Polícia Militar na Baixada Santista durante as operações. No entanto, a declaração foi rebatida pelo ouvidor da Polícia Cláudio Aparecido da Silva. Para a Ouvidoria, o “cenário é de massacre e crise humanitária”.
Na manhã de sábado (9), uma manifestação a favor da Operação Verão reuniu moradores, representantes de associações, policiais militares e deputados estaduais, que integram a chamada ‘Bancada da Bala’. O ato ocorreu na Praça das Bandeiras, na orla da praia do Gonzaga, em Santos.
Mortes de policiais
Policiais militares Marcelo Augusto da Silva, Samuel Wesley Cosmo e José Silveira dos Santos, mortos na Baixada Santista (SP)
Reprodução/Redes Sociais e g1 Santos
No dia 26 de janeiro, o policial militar Marcelo Augusto da Silva foi morto na rodovia dos Imigrantes, na altura de Cubatão. Ele foi baleado enquanto voltava para casa de moto. Uma grande quantidade de munições estava espalhada na rodovia. O armamento de Marcelo, no entanto, não foi encontrado.
Segundo a Polícia Civil, Marcelo foi atingido por um disparo na cabeça e dois no abdômen. Ele integrava o 38º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) de São Paulo, mas fazia parte do reforço da Operação Verão em Praia Grande (SP).
No dia 2 de fevereiro, o policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Samuel Wesley Cosmo morreu durante patrulhamento de rotina na Praça José Lamacchia. O agente chegou a ser socorrido para a Santa Casa de Santos (SP), mas morreu na unidade.
Cinco dias depois, o cabo PM José Silveira dos Santos, do 2⁰ Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), morreu ao ser baleado durante patrulhamento no bairro Jardim São Manoel, em Santos. Na ocasião, outro policial militar foi baleado e internado – ele recebeu alta médica no dia 21 de fevereiro.
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