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Rússia retoma comércio de suínos com a China após 15 anos: como isso impacta o Brasil?

A Rússia retomou o comércio de carne suína com a China após quase 15 anos. Em setembro de 2023, a Pequim havia retirado as restrições que estavam em vigor em Moscou desde 2008 por causa da peste suína africana. No final de fevereiro de 2024, três empresas russas foram certificadas para o fornecimento de carne suína da Rússia para os chineses. Em 7 de março, um lote de 27 toneladas de suínos de fabricação russa foi liberado para exportação. A China é o maior importador de carne suína do Brasil (com 49,5 mil toneladas embarcadas no primeiro bimestre de 2024 e 388,6 mil em 2023). A pergunta é: será que a aproximação entre China e Rússia pode gerar perda de mercado para o Brasil?

Pode, sim, mas não no curto prazo. A proximidade geográfica entre Rússia e China e a farta disponibilidade de grãos na Rússia, utilizados para alimentação animal, devem colaborar para o crescimento da produção e exportação de suínos no país de Putin. Isso foi o que destacou em relatório a consultoria HN Agro. A produção de carne suína russa subiu 129% de 2008 até a projeção para 2024, saindo de 1,75 milhão de toneladas equivalente carcaça para 4 milhões. Se a capacidade de produção russa e o comércio com os chineses se consolidarem, a Rússia pode tomar uma fatia do mercado brasileiro na China.

A Safras&Mercado destaca que, no curto prazo, o Brasil não terá impactos da proximidade entre Rússia e China, já que tem uma rede de clientes nas exportações que é consolidada e competitiva. Já a Athenagro conclui que esse primeiro embarque da Rússia à China em anos não necessariamente significa queda na participação do Brasil e que o balanço entre oferta e demanda global é o que mais importa. No longo prazo, a Rússia pode oferecer riscos ao mercado brasileiro, especialmente se as alianças geopolíticas com a China se estreitarem. Para que o Brasil fique menos exposto à concorrência, é preciso continuar diversificando destinos. Como a propósito já tem feito com a carne suína.

No primeiro bimestre deste ano, pela primeira vez, as vendas para Hong Kong foram superadas por outros dois destinos, as Filipinas e o Chile, nações de regiões distintas que vem aumentando a compra do produto brasileiro. É um sinal positivo que revela o bom trabalho tanto na qualidade e sanidade da carne suína nacional quanto no comércio, com a conquista de novos mercados. Diversificar é um dos passos mais importantes para gerir riscos, seja em relação à aliança Rússia-China ou outras mudanças que possam afetar o mercado agro.

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