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Surpresa: sonda japonesa pode voltar a trabalhar na Lua

Nesta terça-feira (26), a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) fez um anúncio surpreendente: a possível reativação do módulo de pouso SLIM (sigla para Nave Inteligente para Investigação da Lua) após o dispositivo ter sobrevivido a duas longas e frias noites lunares.

Vamos relembrar a saga da sonda SLIM:

  •  O Japão pousou na Lua em 19 de janeiro de 2024, entrando para a história como o quinto país do mundo a conquistar esse feito (além da União Soviética, EUA, China e Índia);
  • No entanto, uma falha nos motores fez a espaçonave SLIM chegar ao solo lunar de cabeça para baixo, deixando seus painéis de captação de energia solar na posição errada;
  • Em consequência disso, a sonda entrou em modo de hibernação, aguardando que a movimentação natural do Sol e da Lua pudesse proporcionar a mudança necessária na direção da luz capaz de permitir que a bateria do equipamento fosse recarregada;
  • Em 28 de janeiro, nove dias depois do pouso, a JAXA anunciou que a comunicação com a espaçonave SLIM foi restabelecida, e as operações para procurar pistas sobre as origens da Lua puderam ser retomadas;
  • Não se sabia, no entanto, quanto tempo duraria a energia do lander, chamado pela JAXA de Poodle Toy (uma referência ao tamanho);
  • Isso porque, segundo a agência, o robozinho não foi projetado para sobreviver a uma noite lunar, que tem duração aproximada de 14 dias terrestres e começou dias depois, em 1º de fevereiro;
  • Surpreendendo a todos, o equipamento acordou, enviando novas fotos da Lua;
  • No entanto, quando anoiteceu novamente por lá, um novo sono profundo foi forçado da sonda, do qual ela poderia ou não despertar;
  • No que depender dos esforços da JAXA, o equipamento deve voltar a funcionar, superando em muito o escopo original da missão.
Representação artística da sonda SLIM tombada na Lua. Crédito: JAXA

Com a esperança de que a luz solar atual seja suficiente, a JAXA planeja reiniciar o SLIM. Esta operação está programada para começar nesta terça, conforme revelado pela agência no X (antigo Twitter).

No entanto, ainda não se sabe se o módulo responderá após ter enfrentado condições extremamente frias, de quase -180ºC.

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Tecnologia “sniper” da sonda SLIM aperfeiçoa futuras missões à Lua

A missão SLIM não apenas representa o ingresso do Japão na corrida espacial do século 21 (que passou a ser o quinto país a pousar na Lua, após EUA, União Soviética, China e Índia), como também demonstra avanços tecnológicos revolucionários. 

Com a nova técnica de pouso de precisão inaugurada pela sonda japonesa, que é apropriadamente apelidada de “sniper” (atirador de elite), futuras descidas poderão ser feitas em áreas menores e terrenos irregulares.

Mosaico de fotos tiradas pelo SLIM imediatamente após o seu pouso e 10 dias depois, quando suas operações foram iniciadas (Crédito: JAXA)
Mosaico de fotos tiradas pelo módulo SLIM imediatamente após o seu pouso e 10 dias depois, quando suas operações foram iniciadas. Crédito: JAXA

Após o pouso bem-sucedido, dois pequenos rovers foram implantados. O Veículo de Excursão Lunar 1 (LEV-1), equipado com câmera e instrumentos científicos, utiliza um mecanismo de salto para navegar na Lua. Por sua vez, o Veículo de Excursão Lunar 2 (LEV-2), uma esfera do tamanho da palma da mão, se divide ao tocar a superfície, permitindo movimento por rotação.

Projetada para pousar dentro de apenas 100 metros da cratera Shioli, ao sul do equador lunar, a sonda SLIM utilizou uma tecnologia de navegação baseada em visão, que a permitiu pousar a 55 metros do alvo. 

O método inovador compara imagens da superfície lunar com padrões de crateras em mapas desenvolvidos pela JAXA, facilitando a identificação de áreas de interesse.

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