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Deu certo! Sonda japonesa sobrevive a mais uma longa e gelada noite na Lua

No início da semana, o Olhar Digital noticiou que a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) fez um anúncio surpreendente: a possível reativação do módulo de pouso SLIM (sigla para Nave Inteligente para Investigação da Lua). 

E agora está confirmado: o dispositivo realmente sobreviveu a duas longas e frias noites lunares e já voltou a trabalhar!

Ilustração da sonda SLIM (Crédito: JAXA)
Representação artístico da sonda SLIM, do Japão, pousando na Lua. Crédito: JAXA

Vamos relembrar a saga da sonda SLIM:

  • O Japão pousou na Lua em 19 de janeiro de 2024, entrando para a história como o quinto país do mundo a conquistar esse feito (além da União Soviética, EUA, China e Índia);
  • No entanto, uma falha nos motores fez a espaçonave SLIM chegar ao solo lunar de cabeça para baixo, deixando seus painéis de captação de energia solar na posição errada;
  • Em consequência disso, a sonda entrou em modo de hibernação, aguardando que a movimentação natural do Sol e da Lua pudesse proporcionar a mudança necessária na direção da luz capaz de permitir que a bateria do equipamento fosse recarregada;
  • Em 28 de janeiro, nove dias depois do pouso, a JAXA anunciou que a comunicação com a espaçonave SLIM foi restabelecida, e as operações para procurar pistas sobre as origens da Lua puderam ser retomadas;
  • Não se sabia, no entanto, quanto tempo duraria a energia do lander, chamado pela JAXA de Poodle Toy (uma referência ao tamanho);
  • Isso porque, segundo a agência, o robozinho não foi projetado para sobreviver a uma noite lunar, que tem duração aproximada de 14 dias terrestres e começou dias depois, em 1º de fevereiro;
  • Surpreendendo a todos, o equipamento acordou, enviando novas fotos da Lua;
  • No entanto, quando anoiteceu novamente por lá, um novo sono profundo foi forçado da sonda, do qual ela poderia ou não despertar.

Com a esperança de que a luz solar atual fosse suficiente, a JAXA começou o processo de reinicialização do SLIM na terça-feira (26), conforme revelado pela agência no X (antigo Twitter).

“A partir de hoje, a equipe do projeto SLIM realizará operações de recuperação para a reinicialização do SLIM após a segunda viagem noturna”, diz a publicação. No entanto, ainda não havia a certeza de que o módulo responderia após ter enfrentado condições extremamente frias, de quase -180ºC.

SLIM envia nova foto da Lua

Para alívio da equipe da missão – e para a ciência lunar como um todo – a reativação foi bem-sucedida, e o equipamento já transmitiu uma nova imagem de volta à Terra, divulgada pela JAXA nesta quinta-feira (28).

“Ontem à noite, recebemos uma resposta da sonda SLIM, confirmando que a espaçonave atravessou a noite lunar pela segunda vez! Como o Sol ainda estava alto e o equipamento ainda estava quente, só tiramos algumas fotos do cenário habitual com a câmera de navegação”.

Neste link, é possível ter uma visão 360º da sala de controle da missão no momento em que a resposta da sonda foi confirmada.

Sonda privada norte-americana não teve o mesmo êxito

O mesmo não se pode dizer sobre o módulo de pouso Nova-C (nesta versão, apelidado de Odysseus), a primeira espaçonave da iniciativa privada a conseguir pousar na Lua. Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a sonda da empresa norte-americana Intuitive Machines não voltou a funcionar quando tornou-se dia novamente por lá, tendo decretado oficialmente o fim de sua missão.

Última selfie da sonda Odysseus, antes de se desligar na Lua. Crédito: Intuitive Machines

De qualquer forma, o equipamento fez história, representando o retorno dos EUA ao satélite natural da Terra após mais de meio século, desde a missão Apollo 17 em 1972. 

A partir de 23 de março, às 10h30 da manhã, os controladores de voo decidiram que suas projeções estavam corretas, e o sistema de energia de Odie não completaria outra chamada para casa. Isso confirma que Odie desligou-se permanentemente depois de cimentar seu legado na história como o primeiro módulo de pouso lunar comercial a pousar na Lua.

Intuitive Machines, no X. 

Tecnologia “sniper” da sonda SLIM aperfeiçoa futuras missões lunares

A missão SLIM não apenas representa o ingresso do Japão na corrida espacial do século 21 (que passou a ser o quinto país a pousar na Lua, após EUA, União Soviética, China e Índia), como também demonstra avanços tecnológicos revolucionários. 

Com a nova técnica de pouso de precisão inaugurada pela sonda japonesa, que é apropriadamente apelidada de “sniper” (atirador de elite), futuras descidas poderão ser feitas em áreas menores e terrenos irregulares.

Após o pouso bem-sucedido, dois pequenos rovers foram implantados. O Veículo de Excursão Lunar 1 (LEV-1), equipado com câmera e instrumentos científicos, utiliza um mecanismo de salto para navegar na Lua. Por sua vez, o Veículo de Excursão Lunar 2 (LEV-2), uma esfera do tamanho da palma da mão, se divide ao tocar a superfície, permitindo movimento por rotação.

Projetada para pousar dentro de apenas 100 metros da cratera Shioli, ao sul do equador lunar, a sonda SLIM utilizou uma tecnologia de navegação baseada em visão, que a permitiu pousar a 55 metros do alvo. 

O método inovador compara imagens da superfície lunar com padrões de crateras em mapas desenvolvidos pela JAXA, facilitando a identificação de áreas de interesse.

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