Guarujá

Perdidos no mar: relembre quatro casos de pessoas que ficaram à deriva e sobreviveram no litoral de SP


Caso de chinês resgatado por trabalhadores do Porto de Santos (SP) após ser encontrado à deriva no mar não é o único a ser registrado na região. O g1 levantou quatro histórias que terminaram com finais felizes e novas oportunidades. Chinês à deriva no mar é resgatado por trabalhadores do Porto de Santos
Estar à deriva é ficar sem direção, não ter o controle da própria situação. A explicação dá um tom de tensão e desespero que só se desfaz quando as vítimas são resgatadas. No litoral de São Paulo, são muitos os casos semelhantes ao do chinês, de 48 anos, encontrado apenas de cueca no mar do Porto de Santos, de onde foi retirado e levado ao hospital, antes de fugir (leia no final). O g1 levantou quatro histórias que terminaram com finais felizes e novas oportunidades.
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Entre os resgates marcantes, o do africano que passou 54 dias no oceano e só pisou em terra firme em Santos; do surfista que ficou horas agarrado à prancha, e embarcações que apresentaram problemas e ficaram sem rumo pelo mar após temporais. Confira mais abaixo:
Pescador à deriva por 54 dias
Homem que ficou à deriva em alto mar agradeceu capitão por resgatá-lo
Mariane Rossi/G1
Em 2015, um pescador natural de Cabo Verde, na África, ficou 54 dias à deriva no Oceano Atlântico até ser resgatado por um navio que vinha dos Estados Unidos e seguia para o Porto de Santos. Na época, Juvenal Ferreira Mendes, que tinha 52 anos, contou ter saído de casa sozinho para pescar, mas que foi vítima de uma tempestade que o tirou da rota.
“O vento rasgou a vela, era chuva, era uma coisa enorme, tristeza mesmo. Eu continuava a andar e vi que tinha saído do rumo. A gasolina acabou. Sobrevivi com peixe e água, quando tinha chuva”, disse ele.
Mendes disse que mais de 15 navios se aproximaram dele, que acenava, mas ninguém o resgatava. “Eu pensava na morte. Uma semana, duas, três semanas em alto mar, sozinho, era muito para mim”. O africano passou o aniversário de 52 anos em alto mar. Mas disse que não tinha noção de datas e nem do dia da semana.
Surfista à deriva
Tripulantes lançaram boia para socorrer surfista em mar aberto em Santos, SP
Divulgação/Corpo de Bombeiros
Em 2015, o surfista Leonardo Passio Pimentel foi arrastado para o alto-mar e lá permaneceu por quase três horas. Ele também foi avistado e resgatado pela tripulação de um navio que chegava o Porto de Santos.
Pimentel entrou no mar em Praia Grande e foi resgatado na baía de Santos, após ser levado por uma forte corrente marítima. Ele foi socorrido pelos tripulantes, que o retiraram da água, deram roupas secas e o alimentaram até a chegada dos bombeiros.
“Eu atravessei a arrebentação das ondas, onde os surfistas costumam ficar, e fui pego pela corrente. Eu tentei sair pela diagonal, mas não consegui. Tentei nadar para a área militar [próximo ao bairro Canto do Forte] e também não consegui. Coloquei na cabeça que tinha que manter a calma”, contou à época.
Escuna à deriva por 10h
Escuna fica à deriva no mar de Santos, no litoral de São Paulo, após pane mecânica
Reprodução
Em 2019, mais de 50 pessoas foram resgatadas no mar após a escuna contratada para um passeio pela laje de Santos, um parque estadual marinho, que fica a aproximadamente 40 km da costa, apresentar uma pane mecânica e ficar à deriva.
Um barco pesqueiro de pequeno porte foi acionado para fazer o socorro, mas também teve problemas. Com o navio do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), as equipes encontraram a escuna e o barco pesqueiro.
Verificadas as condições das vítimas e embarcações, o GBMar iniciou a manobra de reboque da escuna. No total, mais de 50 pessoas foram resgatadas. As embarcações foram conduzidas até a Ponte Edgar Perdigão, e todas as vítimas foram deixadas em segurança, sem necessidade de atendimento médico.
Veleiro francês à deriva
Veleiro francês é resgatado à deriva em mar do litoral de SP
Marinha do Brasil
Em 2023, um veleiro francês ficou à deriva após sofrer uma pane seca [falta de combustível] há uma distância aproximada de 30 Km da costa, na altura de Guarujá. O barco à vela estava com dois tripulantes e foi resgatado pela Marinha. Ninguém ficou ferido.
Segundo a Marinha, durante a navegação, a dupla foi surpreendida pelo mau tempo, decorrente de ventos fortes e ondas de até três metros. Após perceber que tinha ficado sem combustível, o comandante do barco acionou o Serviço de Busca e Salvamento Marítimo.
O Navio Patrulha (NPa) Maracanã iniciou as buscas, acompanhando o direcionamento informado pelo barco à vela até chegar ao ponto de encontro. Na sequência, realizou a transferência de combustível e acompanhou o barco até a atracação no porto de São Sebastião.
Chinês segue desaparecido
Fuga de chinês do hospital foi flagrada por câmeras de monitoramento em Santos (SP)
Reprodução/TV Tribuna e Arquivo Pessoal
O chinês resgatado no Porto de Santos estava com os documentos em um saco preso à perna e foi levado à Capitania dos Portos com sinais de hipotermia [temperatura corporal abaixo de 35ºC] e desorientação. De lá, foi conduzido à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste, mas, depois de um primeiro atendimento, fugiu do local sem roupas. A Polícia Federal está apurando o caso.
Leonardo Fama, de 32 anos, junto a um colega de trabalho ajudou no resgate do chinês, no ultimo sábado (23). Ele atua na empresa Brasclean como operador de resposta em emergência e estava em serviço quando notou profissionais de outra companhia acenando para eles. A dupla se aproximou e ouviu sobre o homem à deriva, se deslocando ao ponto indicado.
“Na hora que avistamos a vítima, parecia cena de filme. Ele estava branco, nariz cheio de secreção, parecia que já estava morto. Notamos que ele não estava morto pelo motivo do barco encostar nele e ele dar o último suspiro e ir afundando”, relembrou Leonardo.
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