Guarujá

Mãe de seis que morreu após ser atingida por bala perdida na cabeça durante ação da PM é sepultada no litoral de SP


Vítima conversava com uma amiga em uma praça quando foi baleada na cabeça. O caso é investigado pelo 5° DP de Santos e a PM, que instaurou um inquérito. Vítima de bala perdida na Zona Noroeste, em Santos, é enterrada
Edneia Fernandes Silva, de 31 anos, que morreu após ser atingida por uma bala perdida na cabeça durante ação da Polícia Militar em Santos, no litoral de São Paulo, foi sepultada neste sábado (30). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) ela teria sido atingida durante um confronto entre PMs e suspeitos, mas a família nega a versão do estado.
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O velório começou na noite da última sexta-feira (29) na Santa Casa de Santos, onde Edneia não resistiu aos ferimentos e morreu após ficar um dia internada. A despedida contou com a presença de familiares e amigos da vítima, que fizeram um cortejo até o Cemitério da Areia Branca, onde ela foi sepultada.
De acordo com o boletim de ocorrência, Edneia estava sentada no banco da Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro, conversando com uma amiga, quando foi baleada por volta das 18h de quarta-feira (27). A prima dela contou ao g1 que a vítima havia acabado de deixar um dos seis filhos no barbeiro.
O tio de Edneia, Gilson Manoel da Silva, de 50 anos, culpou a ação dos PMs. “A bala partiu deles [PMs], não foi de bandido”. O familiar reforçou que não houve troca de tiros na comunidade, só no boletim de ocorrência (veja a versão abaixo).
O tio disse, ainda, que os policiais não socorreram a sobrinha. Questionada sobre a alegação, a SSP-SP não respondeu. A vítima foi levada por testemunhas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste e, em seguida, transferida à Santa Casa, onde permaneceu internada até a morte.
Mãe de seis que morreu após ser atingida por bala perdida na cabeça durante ação da PM é sepultada, em Santos (SP)
Reprodução Redes/Sociais e Reprodução/TV Tribuna
“Vamos brigar, colocar um advogado contra o estado, mas é isso, só a polícia tem razão e eles matam mesmo”, disse o tio, sobre o disparo que acertou Edneia. Os policiais do 5º DP de Santos assumiram a investigação do caso.
A ação, que será movida contra o estado, de acordo com ele, visa para responsabilizar o governo a ajudar o pai dos seis filhos de Edneia. “Quem vai cuidar da educação das crianças e dos traumas que elas vão carregar para toda a vida?”, questionou. “Nós não somos nada. Estamos jogados às traças”.
“Isso acontece porque é favela. Acham que o pessoal lá não é ser humano, não é ninguém. Ela vai virar estatística”.
Gilson disse que nunca imaginou passar por tal situação. Ele diz se perguntar: ‘quem os policiais queriam acertar com o tiro?’. “Não tinha ninguém ali na hora de bandido. Quem eles queriam acertar? […] quero saber se os policiais vão dormir em paz sabendo o que fizeram com a minha sobrinha”.
Mulher de 31 anos morre após ser vítima de bala perdida em Santos, SP
Arquivo pessoal
Posicionamento
Em nota, a SSP-SP informou que todas as circunstâncias relativas aos fatos são rigorosamente investigadas pelo 5º DP de Santos e pela Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM).
Na ocasião, exames periciais foram solicitados e, tão logo os laudos sejam concluídos, serão remetidos à autoridade policial para análise e esclarecimento do caso.
Segundo a pasta, as forças de segurança do estado são instituições legalistas que operam estritamente dentro de seu dever constitucional, seguindo protocolos operacionais rigorosos.
As corregedorias, de acordo com a SSP-SP estão à disposição para formalizar e apurar toda e qualquer denúncia contra seus agentes.
Versão do BO
Tiroteio ocorreu na Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro, em Santos (SP)
Thais Rozo/g1
Policiais militares da Rocam faziam patrulhamento em motos pela Avenida Hugo Maia, sentido Jovino de Melo, quando viram uma motocicleta em alta velocidade entrando na avenida. Eles pediram para o motociclista parar, mas o piloto não obedeceu, fugiu e entrou na praça.
Para se resguardar, a equipe da PM parou de acompanhar o veículo e ficou parada no cruzamento da Avenida Hugo Maia com a Jovino de Melo. Neste momento, segundo o boletim de ocorrência, o motociclista e o garupa teriam atirado aproximadamente cinco vezes em direção aos agentes.
Um dos PMs reagiu e efetuou um tiro contra os suspeitos. Em seguida, os homens abandonaram a moto e correram em direção ao beco da praça, disparando mais cinco vezes. Os policiais fizeram o retorno pela Rua Washington de Almeida e acessaram a praça pelo lado oposto.
A moto foi encontrada sem a chave na ignição. Em pesquisa no sistema, a equipe constatou que não havia queixas de crimes envolvendo o veículo. Durante essa consulta, eles foram informados por testemunhas de que a mulher em questão havia sido baleada e socorrida.
No baú da moto, a PM encontrou um conjunto de capa de chuva preto, um boné vermelho e um carregador de celular. Também foi requisitada perícia para o local e exame residuográfico para as mãos do PM que fez o disparo. A pistola dele também foi apreendida.
O caso havia sido registrado como homicídio tentado e localização e apreensão de veículo na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. Os suspeitos não foram encontrados. O veículo abandonado foi encaminhado ao 7º Distrito Policial (DP).
Vítima não resistiu aos ferimentos e morreu na Santa Casa de Santos (SP)
Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

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