Guarujá

Ação da PM com 188 tiros de fuzil pode ter feito Tarcísio pôr fim à Operação Verão, diz ouvidor da Polícia de SP


Ação foi encerrada na última segunda-feira (1º), quatro meses após o início. Ação terminou com 56 suspeitos mortos em confrontos com a polícia na Baixada Santista, no litoral paulista. Ouvidor da Polícia de SP diz que 188 tiros de PMs contra suspeitos pode ter ‘motivado’ fim da Operação Escudo
Divulgação/Alesp e Divulgação/Secom/GESP
O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Cláudio Aparecido da Silva, afirmou que o caso em que PMs dispararam 188 vezes contra três suspeitos em Santos, no litoral paulista, pode ter levado o governador de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a encerrar a Operação Verão na Baixada Santista. Ao g1, ele acrescentou, nesta quarta-feira (3), que ações policiais como esta devem “deixar de existir”.
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A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) anunciou o fim da Operação Verão na última segunda-feira (1º), quatro meses após o início. A ação resultou na morte de 56 suspeitos em confrontos com a polícia, além de 1.025 presos, sendo 438 deles procurados da Justiça. Ainda segundo a pasta, 2,6 toneladas de drogas foram apreendidas na região.
Ao g1, o ouvidor classificou como “malfadadas” [infelizes] as ações como a ocorrência em que os PMs atiraram 188 vezes contra três suspeitos. Segundo ele, o caso pode ter sido determinante para o fim da operação na Baixada Santista.
“[As ações] que geraram a morte de uma pessoa e mais uma infinidade de tiros disparados pela polícia num suposto confronto, podem sim ter colaborado para que o governador refletisse sobre o fim da operação”, afirmou o ouvidor.
A equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), em busca de um posicionamento sobre os comentários do ouvidor, mas a pasta encaminhou apenas os números e resultados da operação (veja abaixo).
Operações e riscos
O ouvidor acrescentou que, a partir do fim desta edição da Operação Verão, é “importante” que ações do tipo “deixem de existir”.
“Esse método, esse ‘modus operandi’, não pode ser institucionalizado porque coloca em risco a vida das pessoas, especialmente das que moram em territórios mais vulnerabilizados e já não dispõem do Estado como provedor de suas condições de bem-estar social”, pontuou Claudio Aparecido.
Ouvidoria e a operação
O órgão recebeu denúncias sobre irregularidades nas abordagens de policiais durante a operação e chegou a entregar um relatório apontando os casos para a Procuradoria-Geral de Justiça do Estado. Segundo Claudio, apesar do fim das ações, todas as denúncias seguirão sendo investigadas.
“A Ouvidoria vai continuar atuando para que Justiça seja feita. A gente avalia que a Operação terminou, mas o luto não. As investigações não podem parar, elas precisam continuar para poder dar luz ao que realmente ocorreu nesses fatos”, enfatizou Claudio, anteriormente.
PM mata mais um suspeito em confronto pela Operação Verão; foto ilustrativa
Arquivo A Tribuna
De acordo com o ouvidor, o órgão presta apoio para famílias, testemunhas e comunidades impactadas com a operação, mas também está disposto a ouvir policiais que tenham sugestões. Para ele, as operações precisam ter planejamento e utilizar ferramentas de inteligência, principalmente, porque as polícias Militar, Civil e Científica do Estado são as melhores do país.
“A gente não precisava ceifar 56 vidas para poder identificar e localizar a pessoa que cometeu o crime [contra o PM Cosmo], tanto que a pessoa foi identificada, localizada e está presa”, relatou o ouvidor.
Fim da operação
Secretário de Segurança de SP, Guilherme Derrite anuncia o fim da Operação Verão na Baixada Santista
Reprodução/Redes Sociais
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) anunciou o fim da Operação Verão no litoral paulista na segunda-feira (1º). Segundo a pasta, no total, 1.025 suspeitos foram presos, sendo 438 deles procurados pela Justiça, além de 47 menores apreendidos.
Além disso, houve apreensão de 2,6 toneladas de drogas e 119 armas de fogo ilegais. Ainda de acordo com a SSP-SP, a operação resultou na redução de roubos em 25,8% em Santos, São Vicente e Guarujá no primeiro bimestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano passado.
A pasta afirmou também que, a partir do encerramento da operação, a PM vai ampliar o efetivo de agentes na Baixada Santista, com 341 policiais designados para atuar de maneira permanente no local.
“Operações de inteligência e combate ao crime organizado continuarão por todo o estado [de São Paulo]. Mesmo agora, com o fim da Operação Verão Fase 3, em que tropas deixam de se deslocar de outros municípios para a Baixada [Santista], pois existe um efetivo para fazer frente a esse crime organizado que avançava”, afirmou Guilherme Derrite, secretário da pasta.
Repercussão
A operação foi encerrada no dia da publicação de reportagens sobre a repercussão das mortes e também das condutas policiais durante a ação no estado de São Paulo.
O g1 noticiou que as mortes cometidas por PMs subiram em 86% no 1º trimestre de 2024, o segundo ano de mandato do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Além disso, o g1 reportou que agentes dispararam 188 vezes contra três suspeitos no litoral paulista, assim como noticiou a informação de que uma câmera corporal estava descarregada após confronto com morte na Operação Verão.
Vídeo mostra o PM da Rota sendo baleado no rosto em viela no litoral de SP
Operação Verão
A Operação Verão foi estabelecida na Baixada Santista em dezembro de 2023. No entanto, com a morte do PM Samuel Wesley Cosmo, em 2 de fevereiro, o estado deflagrou a 2ª fase da ação com o reforço policial na região.
Em 7 de fevereiro, mais um PM foi morto, o cabo José Silveira dos Santos. Na ocasião, começou a 3ª fase da operação, que foi marcada pela instalação do gabinete de Segurança Pública em Santos e mais policiais nas cidades do litoral paulista. A equipe da SSP-SP manteve a sede na Baixada Santista por 13 dias. Após isso, as ações policiais continuaram até o dia 1 de abril.
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